terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sem título

Às vezes recordo-te. E de como me seguravas nos braços nos dias maus. De seres o meu porto seguro, e de contigo poder chorar rios que não me deixavas à deriva. Podias não saber consolar-me com palavras, por vezes até nem saberes entender o que se passava, mas contigo a noite não era assustadora, não havia monstros no escuro que me conseguissem fazer mal.  
Hoje, sinto falta de ter onde desabar quando o dia é cinzento, de voltar para a casa fria, depois de passar o dia no meio do gelo. Perco-me, confundo-me, e afundo-me neste precipício, sem ter onde me segurar. Estou frágil, sem ti, e sem mim. Sem ninguém. 
Quero agarrar-me a algo, mas parece tudo tão fugaz. A felicidade tão escorregadia. Parece que é mais fácil desistir, porque dói tanto lutar e perder. Os sorrisos parecem tão falsos. A simpatia parece tão falsa. Até tu foste mentira. Até a segurança foi mentira. 
Haverá algo bom de verdade?

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