sábado, 25 de abril de 2015

Beijos

Enrolava-me nos teus beijos, e no calor que os teus lábios traçavam no meu pescoço. Parava-te quando subias e procuravas os meus, mas não desistias de me tentar quebrar e parecias ficar mais persistente quando me ouvias escapar um pequeno gemido rebelde. 
Imaginava-me deixar-te conseguir esse feito de me roubar um beijo só uma vez, mas temia perder-me num caminho por onde não saberia seguir, nem voltar atrás.
Eu segurava as tuas mãos longe do meu corpo, e tu não as forçavas na minha direcção. Estarias tu fazendo o jogo da paciência, sentido a minha resistência a cair, pronto a qualquer oportunidade para revirar o jogo a teu favor.
O meu coração batia como louco, e os meus olhos fechavam-se ao compasso dos teus beijos, e eu via o teu sorriso maroto crescer entre as investidas. 
O fogo ardia dentro de nós, e o mundo parecia ter parado no suspense de quem iria ganhar a batalha.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Preguiça

O café amarga, mas já não está quente, e é fácil segura-lo entre as mãos.
As nuvens ao longe anunciam chuva, embora o dia tenha nascido com sol.
A cidade já mexe, porque o sol já vai alto. Mas por aqui, a preguiça instala-se e os olhos ainda não abrem na totalidade. O coração parece bater mais lentamente, e o sangue não quer fluir pelo corpo com a energia habitual. Há dormência por todo o lado aqui.
Desvia os olhos do bulir da cidade, e espreita para a cama que a espera tentadoramente. E os contras são tantos, quando a favor está apenas a vontade. O melhor é fugir da tentação, e sentar na secretária de costas para ela.
O toque do relógio desperta um pouco daquele sono encantado, mas a culpa está estampada nos olhos, por se deixar arrastar naquele impasse entre o fazer e não fazer.
O corpo não responde mesmo assim.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O relógio

Toque. Baque surdo. O silêncio da noite chegou para ficar. Tirando o som irritante do relógio que não pára de tocar. E aquela luz entre os buracos da persiana que não deixam a escuridão entrar. E o som distante de cães que ladram ao luar.
Irritante.
Como o tempo passa sem que o sono chegue. Como a mente vagueia entre mares de pensamentos desconectados antigamente.
É do sono, que chegam os pesadelos, Que combatemos todas as noites em duelos.
E fica e fica, e bate e bate, e toca sem que passe.

Era uma vez,
a princesa salva pelo príncipe,
e os heróis em aventuras sem fim,
e os romances apertados,
e as tragédias dramáticas de mortes ensanguentadas,
com final feliz.

E já não há sono que não venha com histórias, nem sono que venha entre as memórias.
E a noite passa até clarear, e chega o sono quando é hora de trabalhar. E fica-se mais um pouco, porque quem não dorme é louco. E mais uma noite está para chegar, sem príncipes ou heróis.

E fica e fica, e bate e bate...


Lua

Ser marioneta. Puxada por fios, incolores, do céu caídos sobre o abismo, quem sabe num mundo de papelão. Ser feita de nada, e misturar-me com o ar que paira, naquela fresta de luz à janela. 
Ser verão e inverno, nas mãos de quem não sei, nem de quem quero saber. Deixar-me ir, por entre a maré de caminhos que levam a lado nenhum.  E nem por um momento pensar, qual o futuro, o presente ou o passado. E não tirar os olhos da fresta da janela, que não vejo, nem quero ver. E ficar de cabeça erguida, ou caída sobre os ombros, inanimada e presa por entre fios que me arrastam por lugares desconhecidos. Ser boca fechada, ser punhos cerrados, mas relaxados. 
Vaguear entre as sombras coloridas, e os barulhos silenciosos, e não entender o que me rodeia.
Ser inocente, e ver e não ver o mundo, e ver apenas a lua no alto, e as suas simples crateras, e o vazio. O simples vazio. 
Ser oca, sem chocalhos ou adereços.
Ser despida de voz, visão, sabor ou tacto.
Ser nua. Ser lua,

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Viagem

Acordo de novo sem o teu abraço de amanhã, e já parece uma eternidade desde o teu beijo ao acordar. Envolves-me nos sonhos coloridos, nesses teus braços apertados, que nunca me deixam cair, e fecho os olhos no decorrer da noite, ainda em claro, ouvindo a tua voz e tentando sentir as nossas pernas entrelaçadas antes de dormir.
Esqueço o temporal lá fora, quando a tua voz doce me desperta todos os sentidos, que te sentem só a ti, e deixo-me embalar nestas águas paradas enquanto espero o teu regresso.
Não foste longe, e eu cá te espero dessa viagem obrigatória, seguindo os teus passos, um a um, como quando percorro o teu corpo com beijos e te faço estremecer.
No amor temos que nos esmerar, ser pacientes, e pôr parte de nós naquilo que o outro faz.
Não há atalhos, e o trabalho é árduo, mas compensatório.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Insatisfação

Já sei que tenho que te deixar ir na tua, sem travões ou novas direcções. Sei que tens o caminho traçado, e não admites um pequeno desvio. Bem que tento acompanhar-te ao longo da estrada, nessa tua correria que sempre te deixa distante de mim. Tento seguir sorrindo sempre atrás,e por vezes deslizo e lá te peço para abrandares e seguires ao meu ritmo. Não me parece mais uma vez. E mais uma vez a tua paciência se esgota desse teu lado fervendo e espumando,e já estás farto de me dizer que o teu ritmo é o mais certo. Mas esse teu ritmo continua a não encaixar em mim sabes? Não te queria a fazê-lo como uma obrigação sequer, queria ver-te a fazê-lo para veres um sorriso verdadeiro quando conseguimos seguir lado a lado. Será que estou a pedir assim tanto de ti? Acho que não peço mais esforço que aquele que dou por nós.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Vamos tirar as teimas

Culpa minha, que num vislumbre de luz me apaixonei, e bela fiquei, sorrindo ao virar da esquina. Será que notaste os meus olhos brilhantes quando te olhei ao reflectir no rio? Será que reparaste como aproximei as minhas mãos de ti, para saber se tremias como eu, com a ligação que ali se criava entre nós dois? 
Não saberia dizer o que em ti me encantou naquela noite, nem nos outros tantos dias depois, e no que ainda hoje faz amolecer o meu coração e sorrir quando penso em ti, mas sei dizer que nada passou, que nada esmoreceu. O bater do meu coração brande mais alto que os ventos mais fortes que revoltam o mar, e ainda assim é mais suave que um marshmallow a derreter na tua boca. 
Quase te comparo ao sol, que me ilumina a face e me enche de felicidade, ou não ficaria eu tão bela quanto a lua quando sou o motivo do teu sorriso. 
Estou aqui, vê-me, fala-me, toca-me, vem comigo descobrir se somos reais ou se fazemos parte duma fantasia, num mundo distante deste nosso. Eu aposto que somos reais. Vamos tirar as teimas.

terça-feira, 31 de março de 2015

Medo

Tentei soprar o medo embora. O medo de não ter o teu abraço quando precisar de me aninhar, o medo da tua voz distante não chegar para me aquecer, o medo de não voltar a ter aquilo que tivemos.
Tentei secar os olhos, soprando o medo para longe, e parece tudo tão irreal agora. 
Só queria poder aninhar-me nos teus braços e dormir.
Dormir e sonhar contigo, nada mais pediria. Porque ir mais longe se teria a felicidade agarrando-me com força? 
Um dia de cada vez, dizes tu, com esse ar de certeza, de quem manda no mundo, e que tudo correrá bem. Será que saberei ser forte sozinha?

domingo, 22 de março de 2015

Observar

Percorro a tua face com os meus dedos, e a tua barba arranha-me suavemente e faz cocegas. Mas são cocegas boas e não como aquelas que me fazes só para me veres espernear meio em agonia, meio divertida. Gostas tanto de me chatear. E eu sorrio perante a brincadeira, e outras vezes amuo, e tu gostas ainda mais, seu malandro! 
Mas gosto de te ver sorrir, satisfeito, porque estou amuada mais uma vez e tu conseguiste esse objectivo estranho de mexeres comigo. Mexes comigo de formas mais prazerosas, deverias apostar nisso meu bem, eu agradecia. 
Mas tu és sempre tu, com esse jeito especial de me agarrar entre esses teus braços e me fazeres sentir em casa; tu és sempre tu, com essa cara de malandro, de quem vai fazer travessuras; tu és sempre tu, com esse teu jeito de levar um dia de cada vez e de fazeres o que te apetece a cada minuto que passa; tu és sempre tu, mesmo quando és o maior preguiçoso do mundo, e mesmo assim eu faço as coisas por ti porque não resisto a ver esse sorriso de agradecimento. 
Não me apaixonaria por ti da mesma maneira se fosses diferente. És tu que me fazes sorrir, que me fazes rir, que me fazes sentir segura, e que me fazes sentir quente e confortável. 
Percorro o teu corpo com os olhos, a forma como já colocas o braço de forma a eu me poder aninhar, com a cabeça pousada na cova do braço, já reparaste na forma como os nossos corpos já se encaixam, e como as nossas respirações estão em uníssono? 
Será que também observas como eu te olho? Será que reparas como toco a tua mão ou a tua perna, como te acaricio devagar? Como te mimo quando estás doente ou quando estás triste ou chateado? Como procuro sempre saber como estás ou se precisas de alguma coisa? Como te abraço mais forte quando vais embora, para sentir-te um pouco mais junto de mim? 
Eu reparo quando pegas a minha mão, quando a beijas, quando me beijas a cabeça, quando me elogias sem eu estar à espera, quando fazes algo sem eu pedir primeiro... 

Quero acordar a teu lado, para poder observar-te, para poder roubar esse teu jeito, que me faz tão feliz.

Mais

Queria ter mais um dia, dois, mil anos eternos para te amar.
Mais um, pedido a cada sol que se já deitou, e deixou cair a noite.
Olho o céu esperando cair uma estrela para lhe pedir o teu sorriso junto ao meu, o toque dos nossos lábios, o toque morno dos nossos corpos, e os nossos pés entrelaçados como se fossemos uma só alma.
Nem sei porque quero pedir tanto, quando já tenho o teu amor, já tenho o teu sorriso, já tenho os teus abraços, já tenho as tuas palavras doces. Nem sei porque quero sempre mais, porque não me sacia esta vontade de amar, e de ser amada. 
Mas sabe-me a pouco as longas horas que estivemos juntos quando me encontro só, neste quarto frio e desolador. Sinto um nó na garganta, e um aperto no peito,que não sinto quando escondo a minha cara contra o teu peito e me aninho como um gato preguiçoso.
Terás tu o poder especial para curar uma alma triste? Conta-me esse segredo, para ser tão grande aqui, como quando estou contigo.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

filmes

As coisas não têm que ser certas ou erradas, neste mundo cheio de tons.
Nada está a 100%, e a realidade é tão palpável como o vento, sabemos que nos toca e que está lá, mas ninguém sabe dizer bem como parece.
Acho que tudo é assim aos nossos olhos e ao nosso toque. Tudo é imaginação e tudo se cria na nossa cabeça. é como ter uma maquina de fazer filmes, e não sabemos bem em que altura estamos no mesmo "cinema", em que momento o nosso filme se cruza com o dos outros, ou é se quer semelhante. Isso faz de nós uma incerteza, e dos outros também, como interagimos num mundo em que não há uma realidade única e comum a todos? Não seria muito mais fácil?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Segredo

Percorro o teu rosto com os olhos, e tento perceber que parte de ti me roubou a atenção no momento em que te pus a vista em cima. Não descubro qual o teu segredo para seres tão vivo e leve, mas a minha mente confidencia-me que deves ser tão leve como uma pena,que paira sem sair do mesmo sitio. 
Não te quero mal, nem tão pouco te desejo algo menos do que a maior felicidade, mas não seria fiel a mim mesma se dissesse que não te invejo um bocad(inh)o. Cansa este peso constante sobre os ombros, desta figura invisível que carrego, e que não sei como afastar. Mas quando estou contigo pareço pena leve como tu. Talvez por isso seja um pouco egoísta por te querer só para mim, por querer que me tires este peso que me prende ao chão e que me deixa sem forças para combater o dia. Parece que para mim existe uma nova lei da gravidade, que não puxa apenas o meu corpo mas também a minha vontade para o centro da terra. 
Oh bem, mas não é por isso que te procuro agora, gostava de saber esse segredo, que pareces guardar no sorriso, e que eu não consigo descodificar. Esse mesmo, de como não ter medo. De como seguir de pés assentes na terra como que dançando ao som da felicidade. 
Sorrio agora e estou relaxada, quando penso em ti, e na tua mão na minha. 
Obrigada por acreditares.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

conflito

O eterno conflito, não digo que entre o coração e o cérebro, porque de coração só nos vem o batimento, o sangue que nos corre nas veias. Mais um órgão. O cérebro não é mais um órgão, ele faz tudo, faz vez de razão e "coração", faz vez de emoção e pensamento, dá-nos e tira-nos tudo. 
Em que momento sabemos que estamos certos? Em que momento se acende a tal luz por cima da nossa cabeça iluminando o nosso caminho? Ou será que nunca sabemos? Será que caminharemos sempre às escuras? Entre o que deve estar "certo" e o sentimento de que está tudo errado? Como solucionar um sentimento de que somos errados?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Necessidades

É a cabeça que pesa, e o estômago que dá voltas. Os dentes que cerras quando tentas controlar os teus pensamentos, e a tristeza que te apanha, só porque não os consegues controlar. Porque precisas de algo, que não consegues dar a ti própria, Paz, companhia, conforto. Onde se arranjam coisas assim? Como damos a nós próprios aquilo que precisamos?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Esperança

Respirar fundo... contar um, dois, três, quatro... até o coração acalmar. Às vezes é difícil sermos paz e tranquilidade. às vezes as tempestades estão perto, que até ouvimos os trovões chegarem. é difícil, mas não é impossível. às vezes é só preciso acreditar. Se não houver esperança o que nos resta num mundo tão complicado como o nosso?

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Defeito

Como nos combatemos a nós próprios? Como lidamos com as falhas que sabemos que temos e que não sabemos como controlar? Como lidar com o ódio que às vezes sentimos dentro de nós e que nos faz querer magoar-nos a nós próprios? Arrancar cada pedaço de carne, causar ainda mais dor, porque a que temos não é motivação forte para mudarmos, testar o nosso limite, ver até onde vai esse nosso lado defeituoso, sem conseguirmos para-lo.

Como nos tornamos auto-críticos?

Quem vem primeiro? Será que a primeira pedra é atirada do exterior, ou será que somos nós próprios quem a atira primeiro? Quando é que nos começamos a olhar ao espelho como seres defeituosos? Quando é que nos começa a doer quando tentamos ser simpáticos connosco próprios porque achamos que ninguém será? Será que no fundo achamos que não merecemos? ou será que no fundo ficamos tristes porque achamos que os outros acham que não merecemos? Será que temos medo de não tentar mudar se aceitarmos as nossas próprias falhas? Afinal como podemos ter compaixão por nós mesmos e aceitar que somos pessoas com falhas e ao mesmo tempo muda-las? Como ser perfeitos? Ou, deveremos ser perfeitos?

Porque é que dói achar como tudo é injusto? Que a vida é uma imensidão de sofrimento?

Como é que pode estar tudo na minha cabeça?

Tenho defeito de fabrico.

Silêncio

É uma tempestade, de vento chuva neve e frio. Gela-te até aos ossos, que já nem sabes se te pertencem, já nem sabes se pertences a este mundo, tão enevoado aos teus olhos, Será que te vais agora? Ou será que ficas mais um pouco? 
"Porque não ficas?" exclama um mundo travesso para ti. "Há tantas possibilidades..." diz ele, rindo nas tuas costas enquanto te prepara a próxima partida. "dá me a tua mão e eu ajudo-te a levantar" enquanto te esforças para levantar uma mão que parece já não ser tua, e tem a vontade própria de permanecer no chão. E o mundo vai embora rindo entre dentes "Já que não queres ajuda fica então aí". e ficas só.
Não te importas de estar só. Às vezes esqueces-te do medo da escuridão e sentes-te bem em silêncio. Gostavas que calasse também os teus pensamentos, como pessoas que riem de ti enquanto te observam ai deitado no chão frio e molhado de olhos baços sem vontade de levantar. Poderás ficar tu aí eternamente enquanto se riem de ti, ou será que os fantasmas seguirão a sua vida, e tu ficarás finalmente no silêncio que buscas? Acho que a procura da felicidade é a procura de um mundo sem dor. 

A mente

Há marcas que ficam. Há cicatrizes, e dores que vão e que voltam, como um bumerangue. 
É possível tentar esquecer, arrancar da memória é que não é tão fácil, e por isso, nunca passa do tentar. 
Quem sabe um dia as cicatrizes sarem e desapareçam da pele, e nunca mais sejam recordadas. 
Até lá, terei que me habituar com as suas intrusões em alturas inapropriadas, quando não há sequer uma altura apropriada, e tentar não enlouquecer. 
É difícil lidar com pensamentos automáticos, quando nem mesmo temos noção deles, quando os sentimentos afloram a pele, nos deixam quentes e trémulos, e não temos pistas do porquê. Mas às vezes há um insight, e boom, surgem todas as memórias dolorosas, todas as noites sem conseguir dormir, todos os dias com a mente vagando tentando solucionar as dúvidas impostas, e os gatilhos para a dor e a dúvida são agora muitos. Porque não posso apenas mexer na minha cabeça e consertar? 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Foto

Tenho uma foto nossa entre as mãos. Tento sentir o calor do teu corpo encostado ao meu e o teu cálido sopro enquanto respiras encostado a mim. Nada sinto, além do extenso ar que nos separa. Tento fechar os olhos e trazer até mim o toque da tua pele, a sensação da tua barba a arranhar-me a mão ao de leve e as tuas mãos suaves a puxar-me para ti. Também não resulta. 
É tão difícil ter-te longe quando sei o que é ter-te a meu lado, a confortar-me no meio dos pesadelos e a manter-me segura dos perigos lá fora, e dos perigos dentro do meu próprio coração. Sabes que és o único que me segura os demónios que alojam o meu pensamento e só com a tua mão na minha eu os consigo ignorar.
É difícil ser eu quando estou longe de ti. E é difícil seres tu, quando te faço ser o homem que me segura para não cair. Pudesse eu exterminar todos os demónios, e não ter mais medo de enfrentar o mundo sem te ter a meu lado, e o faria sem pensar duas vezes, só para não te por sobre tanta pressão.
Mas tens aguentado bem esse papel, tens sorrido para mim com esse sorriso que me faz sentir mais quente e feliz, os teus braços continuam a ser o meu lugar preferido, e os teus lábios o meu cálice de felicidade. 
E o meu coração bate descompassadamente, como tu já bem conheces, quando te encontra, quando nos juntamos num sôfrego suspiro, e nos deixamos levar por impulsos superiores aos pensamentos. 
É isso que quero para sempre, para nós, os nossos encontros fugazes, de loucura e perdição, quando o mundo parece deixar de rodar e o tempo parar, quando não há palavras, e a banda sonora é a nossa respiração pesada e nada mais se ouve para além disso. É isso que quero para nós, e quero também os dias em que encosto a cabeça no teu peito e me deixo estar, ouvindo o teu coração que bate lentamente, porque estamos felizes, e os dias de viagens loucas, de descobertas e aventuras, sempre a teu lado. 
Só quero descobrir contigo a beleza de viver. E nada deve ser mais belo que adormecer e acordar ao lado de quem amamos.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Divagações em tom de chuva

Sou o vento incerto. Sou o vento incolor que passa por vezes sem ser notado e que noutras vezes causa uma tempestade, até mesmo num copo de água. Sou o vento que vai a todo o lado, e a lado nenhum. Parece até que não sai do mesmo sitio, e quer soprar uma vela que nunca apaga. 

Sou uma evitante.
Pergunto esperando misericórdia, pergunto para acalmar reboliços porque minha mente evitante vive na incerteza que as minhas evitações obrigam. Evito saber mais. Evito perguntar demais, Evito os médicos, evito pesquisas, evito explicações por vezes. Só até não dar para evitar mais, e a ansiedade é maior evitando que enfrentando as dúvidas.

E por fim, sou moléculas, neurotransmissores, sangue, que não pediu para existir, que não escolheu os pais, a educação, a formação, os colegas, ou os vizinhos. Que não escolheu a crise, nem escolheu o país ou a sua situação económica. Também não escolheu estar alerta a ameaças, ou competir com os outros conjuntos de moléculas, neurotransmissores e sangue que existem na mesma situação. Acho que apenas faço o melhor que posso para enfrentar este mundo, com os instrumentos que me dão. O cérebro funciona duma maneira curiosa.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Luzes de natal

Enche a tua casa de luz. Faz os olhos de todos brilhar, e aquece-lhes o coração. Dá o máximo de ti, e não te afogues na tristeza dos outros, e afugenta a tua falta de ânimo. Pega na mão dos outros e espalha a magia que vai dentro do teu coração. O resto vem de seguida. 
Só hoje, finge que tudo é real.
Quem sabe, o pai natal te ofereça isso este ano.. 


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Consumida

O silêncio consome-me.
Sinto-me enclausurada, nesta fome de ser e de ter, nesta ânsia pela companhia, pela mão que procure a minha automaticamente, pelo beijo depositado numa respiração mais profunda, num bater do coração, inesperado.
Consome-me o bater do relógio que não deixa o tempo passar, e me faz ficar ansiosa porque o dia é tão lento.
Consome-me a minha mente, que não deixa este silêncio ser de paz, e me atropela com pensamentos que não quero ter.
Sinto-me tensa, e a cabeça pesada. Sinto náuseas e sinto o coração na garganta. Porquê ser humano?

Acordar

O corpo rosna contra o despertador. É cedo ainda para acordar, e as mantas não o deixam levantar. É bom de mais a almofada que se afunda com o peso da cabeça, e o colchão que se molda ao corpo, e lá fora é tão escuro, frio e perigoso. Oh como não queria despertar e esquecer o mundo por um bocado. Era bom apenas permanecer deitado. Quase se deixou ficar, clamando mais 5 minutos, duas a três vezes, mas o tempo escasseia, e a dormir nada se chateia, e a vida seria tão sem graça assim.
E lá se levantou, com um olho ainda meio fechado, por causa da claridade, vagueou um pouco enquanto procurava que vestir, e quando apanhou o autocarro ainda ia meio a dormir. Mas o dia já tinha começado.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Parte, mesmo que fiques

Quero expulsar-te amor, da minha jaula sem grades. Quero que partas mesmo que fiques, e que me destruas o coração duma só vez.
Não sei viver assim, de coração inteiro, porque nunca me permiti a aprender como se faz. E hoje, a hora vai tardia e o coração ainda não partiu, e tu ainda não foste embora. Mas na minha cabeça vejo-te virar as costas com a mão noutra companhia, e a partir sem acenar.
Sofro assim, um pouco todos os dias, como esperando que, se realmente partires, não vá doer um só dia assim que fores.
Mas quem sou eu para ler mentes e adivinhar futuros amor?
Acho que sou alguém que não conseguiu aprender a ser inteiro, nem a avançar sem tropeçar.
Estou ainda a aprender a manter o equilíbrio - caminha a meu lado enquanto estiver a aprender, e não me deixes cair.

sábado, 8 de novembro de 2014

Lembranças.

Não nos esqueçamos, nem por duas ou três vidas que estejam por vir. Não nos esqueçamos a brevidade com que encontramos a alma um do outro, nem a voracidade com que nos amamos. Não esqueçamos os prazeres lentos que nos consomem, nem a intensidade com que nos olhamos mesmo no meio da escuridão. Não esqueçamos nunca, como nos unimos um ao outro, e como nos aquecemos num dia de chuva. Não nos esqueçamos de quando estamos presentes para nos confortarmos e apoiarmos um ao outro. Agradeçamos por tudo o que de bom partilhamos e melhoramos no nosso mundo. Um amor assim nunca se pode esquecer, nunca se pode perder.

domingo, 5 de outubro de 2014

Desabafo

Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando o sol nasce, porque é para mim difícil acreditar que um dia possa começar sem te ter a meu lado.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando pouso a cabeça na almofada antes de dormir e quando acordo a meio da noite no escuro, porque não durmo descansada sem o teu calor a aquecer-me na noite.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando choro, porque não sei quem mais me pode fazer rir e me dar segurança na tristeza.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando sorrir, porque não conheço mais ninguém que mereça tanto o meu sorriso.
Desculpa por este desabafo, mas quero que me ames para sempre, porque eu só te sei amar a ti, e és tu quem quero fazer feliz. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Tempo

Pouso as mãos no colo. Luto há horas para distrair a minha mente, mas ainda não parei de contar o tempo passar. Estou esgotada com essa simples tarefa, o tempo é uma coisa curiosa quando se toma atenção nele. Na verdade ele não passa rápido, mas se ninguém o contasse eu diria que tinha estado parada desde que o comecei a contar.
Desisto agora de distrair a minha mente desta tarefa tão esgotante, e dedico-me apenas a ela. E questiono-me se é assim que quero passar os meus dias, a contar tempo, a ouvir o tic-tac do relógio que ele mesmo me deu.
Desisto de pensar por agora, e concentro-me nas minhas emoções. Sentir o tempo passar por mim deixa-me com um frio na barriga, deixa-me arrepiada e um pouco tremula. Não gosto do que sinto. Mas e daí tinha decido não pensar e só sentir. Mas quero fugir destas emoções.
Quero fugir do tempo, quero fugir desta minha nova tarefa, mas o tic tac está muito alto e não larga a minha cabeça.
Desisto(?)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Veritas

Ela caminhava pela sombra olhando o chão. Não via na verdade onde pisava, por ter a cabeça noutro lugar. Havia alguns anos que estava presa numa teia que começou como um jogo, ao qual ela nunca soube jogar. Melhorou ao longo dos anos, tornou-se mais cuidadosa nas peças jogadas, e aprendeu por fim a perder, enquanto fingia ganhar. 
Os caminhos já não eram os mesmos, mas a sensação sim, a cabeça pesada e o coração apertado.
Levantou os olhos quando chegou ao seu destino e encontrou-o sentado. Sorridente, como desde o primeiro dia que o vira, e já fazia tanto tempo. Talvez uma ou outra ruga tivesse surgido, mas ela não reparava em nenhuma diferença, era como voltar atrás no tempo. 
Ela não se sentou, e manteve a distância. Ele não a questionou, e o olhar mostrava compreensão. Reconstruíram juntos memórias já com falhas, eram músicas, toques, olhares encontrando-se na multidão, mágoas antigas. Ela despejou o coração pela boca, abriu o jogo bem na sua frente, porque quem perde um dia desiste de jogar, e foi se sentindo mais leve, como se o fingimento dos anos lhe pesassem nos ombros. 
Despediram-se com um abraço, de quem lamenta não poder começar tudo de novo sem os erros cometidos, mas separaram-se aí mais uma vez. 
Ela sabe que o jogo está na fase final, mas ainda procura um sinal nas entrelinhas de que ele se sinta tal como ela.
Queria fazer mais, mas era tarde para ela, e por fim, guardou só para si que a única coisa que sempre quisera era chegar ao seu coração. 

sábado, 26 de julho de 2014

Plano

Todas as noites, quando relembro o teu sorriso a chegar aos teus olhos e a contagiarem os meus, fico sem fala, pela dor que chega só depois, pelos abraços que não dei, pelos beijos que foram aquém do desejo, pelas palavras que ficaram no coração e não houve cordas vocais para lhes dar vida, e questiono-me se sabes de tudo isto, de todo o arrependimento que deixo assombrar-me o amor que te tenho, e depois volto a pensar em ti, e deixo o rasto da saudade a pesar o coração, e as lágrimas, que nunca chegam a cair das beiras dos olhos, enquanto os esfrego e as afasto, e só sorrio, deixando o teu sorriso gravado na minha memória servir de espelho.
Hoje fui mais longe! Comecei o dia pelo peso das saudades, deixei-as pesar no coração, deixei o sorriso chegar pela memória, regressou o arrependimento pelos abraços, beijos e palavras que foram parcas confrontando com a vontade, e quando te vi chegar tinha já o plano de não deixar nada para trás.
Chegaste com essa leveza característica, com esse ar da própria felicidade, riste, riste como se a lei to proibisse e tu fosses o maior rebelde, e eu amei-te ainda mais, como se me pudesse apaixonar de novo por ti, de todas as vezes que te vejo ser livre.
E não houve arrependimentos no fim, porque dei todos os abraços, os mais apertados, tentando deixar um pedaço de ti sempre comigo, beijei-te como se pudesse entregar-te o meu amor num beijo, sendo ele infinito, e disse-te tudo o que as palavras podem dizer em nome do coração. Hoje também eu vim leve para casa, e sinto-me a flutuar entre as memórias, entre o som do teu riso, o bater do teu coração ao meu toque, a tua cabeça pousada no meu colo enquanto te afago o cabelo.
Hoje se chorar não preciso esfregar os olhos, porque sinto-me verdadeiramente feliz. E não há nada de errado na felicidade. É ser tão livre como tu.

domingo, 6 de julho de 2014

Bagagem

Tenho mau feitio. Sou rabugenta, e engelho o nariz com demasiada frequência.
Preocupo-me com tudo, com alguma coisa, com nada, e todos os males parecem afligir a minha vida, na minha cabeça.
Baixa auto-estima, inseguranças a mil à hora, e uma terrível inclinação para a repetição.
Se conheces estas partes de mim, parabéns! Chegaste onde não deixo ninguém chegar, abri-te os portões dos meus medos, da minha ansiedade, e da minha confiança. Vês o que poucos têm a oportunidade de ver. E sejamos sinceros, não é bonito este mundo sangrento que escondo debaixo do tapete! Mas é aquilo que sou, no meu mais puro lado negro.
E já tentei mudar! Ai, como tento mudar a cada dia que passa.... Mas é difícil mudar algo tão intrínseco ao meu corpo.
Prometo que tenho qualidades também. Não é só esta a bagagem que levo comigo para onde quer que eu vá. Este é só o lado mais profundo, e o superficial é muito mais bonito...
Prometo sorrir-te todos os dias, prometo amar-te cada vez que engelho o nariz e sorrir interiormente enquanto o meu coração aquece ao ver o teu sorriso quando me tentas chatear. prometo tentar fazer-te rir, mesmo após várias tentativas falhadas, prometo cuidar tão bem de ti como cuido de mim, prometo aquecer os teus pés nos dias frios, prometo tentar não te tirar os cobertores todas as noites, e prometo pôr-te sempre em primeiro na minha vida.
Não posso prometer ser perfeita, porque nunca serei capaz de o cumprir. Mas prometo nunca desistir, de mim, de ti, de nós, da felicidade. E prometo fazer de tudo ao meu alcance para cumprir cada promessa que te faça.

sábado, 5 de julho de 2014

Sonho acordada

Por momentos senti o teu cheiro, e pensei que chegasses em bicos de pés para me dares o meu beijo de boa noite. Sabia-te longe, mas fiquei sem me mexer, debaixo dos lençóis, quietinha com medo que te fosses embora se me soubesses acordada. Quase o senti, de olhos fechados, e quase senti a tua respiração no meu pescoço, e o teu abraço à minha volta. Quase, por segundos, pensei que fosses ficar, deitado a meu lado, e hoje dormisses comigo como tantas vezes fazemos.
Quis tocar-te e puxar-te para mim, mas quando abri os olhos não estavas comigo, eu estava só como tão só se pode ficar quando o nosso amor está longe, e leva a nossa alma com ele.
Deixei que uma lágrima solitária nascesse, mas cedo me esqueci dela e sorri. Pude ter-te comigo, hoje e todos os dias desde que nos cruzámos neste oceano de pessoas. Não poderíamos ser mais certos um para o outro.
Tudo isto é mais forte que eu, ou tu. Pertenço-te, mesmo que não quisesse. Mas não há nada que eu queira mais.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quando a solidão chega na madrugada fria

Podia ficar noite dentro a pensar em ti, da mesma forma que podia passa-la tentando esquecer teu nome. De qualquer das formas tudo gira em teu torno, é a ti que procuro no meio da tristeza quando ela cruza comigo trazida pelo vento que passa, quando as lágrimas cruzam o meu olhar, quando a solidão me encontra desprotegida. E então, procuro-te, e quando não te encontro deixo-me afundar contra a parede fria, e ai não fujo mais aos ataques, e olho o infinito de visão desfocada.
Um dia quando me chegar a solidão saberei que não te encontrarei, e deixarei de procurar. Acho que esse dia está a chegar. Ninguém vive iludido para sempre.

domingo, 22 de junho de 2014

Arrancar tudo de mim

Quando perceberás que por ti arrancava tudo de mim?
Arrancava cada mancha que não gostasses, arrancava cada piada de que não risses, arrancava cada som que não quisesses ouvir, arrancava cada mecha de cabelo que não achasses bonita, arrancava cada defeitozinho meu que te irritasse, arrancava cada lágrima que não consigo impedir de cair e que tu chamas de injusta, arrancava cada suspiro de aborrecimento, arrancava cada grito de desespero e cansaço.
Estou cansada de sangrar sem parar nas minhas parcas tentativas de arrancar o que não é possível. Eu arrancava tudo o que me pedisses, mas apesar das feridas abertas, nada sai, apenas sangro sem término. Desculpa-me por não fazer mais por ti, mas enquanto tento arrancar tudo o que tenho esqueço-me do que um dia nos juntou ou do que sequer hoje ainda nos junta. E recordo me apenas que duas pessoas devem aceitar-se mas também lutar para que ambos sejam felizes. Em que momento as opiniões de um começaram a ser mais importantes que a de outro?
Por mim, e não por ti, arrancava o coração e entregava-to em mãos, e seguia sozinha sem virar costas só para não ter que sangrar continuamente. Desculpa se não consigo arrancar de mim o que não gostas, enquanto não arrancas nada de ti.
Por agora, não sei a fórmula para arrancar um coração e continuar a viver. Acho que terei que adiar.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

És pensamento automático

Sei que os primeiros dias já passaram há muito...
Mas ainda sinto as borboletas no estômago, a pairar felizes, de todas as cores, ainda sinto a felicidade imensa da esperança dum reencontro para breve, e as saudades que apertam no peito aquando da distância. Ainda tenho o mesmo sorriso constante comigo, que não desaparece por nada quando penso em ti.
Agarro-me a tudo isso, sem no entanto me agarrar a nada. Agarro-me a ti, agarro-me ao te sorriso, ao teu calor. Mas no entanto não me agarro, tal como as borboletas são livres de partir, e a saudade de afrouxar, como o sorriso pode desaparecer dum momento para o outro. Mas não. Não preciso sequer pensar, porque estás presente em todo o lado dentro de mim e das minhas memórias.
Contigo é tão natural sorrir. A vida parece ser feita para isso mesmo.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Não gosto de me ficar pela metade.

Não me contento com uma só palavra tua à distância, nem um só sorriso teu estagnado no tempo. Não me contento com miragens tuas, quando estou só, no deserto.
Preenches todo o espaço em que estás, mesmo naquele em que te deitas ao silêncio, ou te permites ao sossego. E eu quero que preenchas assim não só o espaço vazio do meu coração, mas também todo o espaço que me contorna sem me tocar. E chegues e me toques, e me puxes para ti, retires esta distância que nos aparta sem fim. Não me contento quando não posso admirar de perto o teu rosto, ou tocar a tua face e sentir a tua pele, os teus poros, ouvir a tua respiração ao meu ouvido, como não me contentaria que todo um universo se metesse entre nós, puxando-nos em opostas direcções.
Não gosto de me ficar pela metade. Não gosto de te saber longe do estender do meu braço, sem assim te poder agarrar e manter-te a meu lado. Não gosto de adormecer sozinha, sem a tua presença a proteger o meu sono. E menos gosto de acordar vazia, como uma manhã cinzenta em que irá chover.
Quando digo que te quero, quero-te em toda a vida, em todo o sol, em toda a chuva, em todo o meu sorriso, em toda a minha alegria. Quando digo que te quero, não te quero só às vezes, não te quero só quando estou triste ou sozinha, não te quero só quando não quero mais nada.. Quando digo que te quero, quero-te em tudo. Quero-te em toda a felicidade. Porque não quero só que me faças feliz. Quero fazer-te o mais feliz dos homens.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

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Não sei o que o meu coração diz
Mas há um buraco negro nele que me suga para um lugar estranho e desabitado
Talvez, talvez devesse ser outra, talvez devesse mudar, talvez, eu, mereça cada dia, cada sorriso e cada abraço, talvez seja esse buraco negro que não me deixa ver isso.
Não sei. Parece que de repente não sei tanta coisa.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Perfeita

No fim seremos só esqueleto, só pele, só coração a bater ao sabor dum relógio sem pilha.
Ninguém cobrirá nosso corpo esquecido e deteriorado. A terra será nossa filha, como o ar é nosso pai, e nos consumirão para que fiquemos neles como em mais ninguém.
Não seremos os pobres dos que mendigam, dos que estenderam a mão aos rostos que passavam ignorando a nossa existência.
Não seremos mais que nós, entregues ao mundo, mas não ao destino, ou a histórias, ou a passados, futuros, nem mesmo a presentes. 
Seremos de vários mundos, mas de nenhum. 
O mundo será nosso. O mundo será nada.
Como nós, nada é a meta última. Porque sendo nada alcançaremos a perfeição...
...mesmo que ninguém mais o saiba.

Breve

Tivesse eu o poder e conceder-me-ia o destino de sonho que seria ter-te a meu lado. Não interessa onde ou em que direcção. Não interessa se perdidos procurando um caminho ou sabendo exactamente onde pertencemos. Eu, sinceramente, acho que pertencemos um ao outro, por toda a brevidade que são horas lado a lado, que são abraços apertados, que são olhares mais longos que a historia do tempo.
Estaria a teu lado para te dar a mão, para te ajudar a caminhar entre os buracos que te tentam fazer cair, para te puxar fora dos poços de tristeza que se abrem no caminho, para te fazer sorrir, esse sorriso que só tu tens, o único que pode fazer o mundo parar.
E tu dar-me-ias a tua mão. Acalmarias os medos profundos e escuros que tenho cravados na alma, afagarias as minhas lágrimas e tocarias o meu riso, como melodia das noites estreladas, e dos dias de sol, como calor que nos aqueceria nos dias de chuva. Tocarias o meu riso como só o teu coração pode fazer.
E seriamos felizes.
Porque o tempo é sempre breve, eu guardo o sabor dos teus lábios e o calor do teu corpo junto do meu peito, até à próxima vez, onde possa beber um pouco mais da tua essência.

sábado, 19 de abril de 2014

Se chorar for permitido aos felizes,

Há uma certa comoção que me enche o peito.
Navego aqui dentro, este coração com remos, das lágrimas que engulo, porque chorar é só permitido aos tristes.
Por vezes chorar é tão bem vindo como um pouco de chuva em dia quente e abafado. Como contemos tanta emoção cá dentro? Um sorriso pode dizer tudo, mas é um sorriso o bastante quando se ama alguém com cada pedaço de pele arrepiado, com cada toque imaginado, com cada beijo que já foi dado, e com cada sessão de amor lento e preguiçoso que ainda está para vir? 
Dirá o sorriso o quanto nos sentimos a explodir de felicidade, como dizem as lágrimas que escorrem dos olhos porque não há mais onde as guardar quando um amor nos preenche completamente...
Como não dizer que é belo um rosto cheio de pequenas lágrimas que brilham ao sol quando há um abraço de reencontro, um beijo onde se deposita a alma, que nos sobe pela garganta, ou não quiséssemos nós dar tudo... Porque a felicidade é guardar nele tudo de nós, e ele ficar tão perto, que não sentimos falta de nada. 
É belo explodir em pedaços luminosos, como estrelas que se vêem à luz do dia, e espalhar a luz pelo mundo. É belo saber que temos o nosso mundo nos braços, e que ele esta ali, para podermos desabafar toda esta energia dinâmica que quase nos consome nos dias de distancia. 
E não há nada mais belo que alguém nos limpar as lágrimas e dizer que também nos ama, sem mais palavras ser necessário proferir...

domingo, 30 de março de 2014

Perder-me e Encontrar-me

Perco os sentidos contigo, perco-me no teu longo abraço de despedida, perco-me nos teus cabelos encaracolados quando passo os dedos uma ultima vez pelo teu cabelo, perco-me os teus lábios no ultimo beijo e perco-me nos teus olhos tristes, espelhos dos meus, quando digo "ate logo". Perco-me quando te acaricio a face e te olho com um ar triste por saber que o tempo não pára e que não posso continuar assim eternamente. Perco-me quando me deito a teu lado a olhar para o tecto sem cor enquanto dormes profundamente e me imagino sem um pedaço de ti.
Encontro-me nos teus beijos e nas tuas caricias. Encontro-me no teu sorriso, que transparece nesses olhos tão profundos. Encontro-me no entrelaçar dos nossos dedos, e dos nossos corpos. Encontro-me nas gargalhadas em uníssono. Encontro-me nos segredos contados ao ouvido. Encontro-me quando impedes que as lágrimas corram pela minha face. Encontro-me nas tuas palavras doces. Encontro-me na tua voz quando cantas para mim. Encontro-me no teu beijo apaixonado, no teu jeito de me amar.
Não fosses tu, e como poderia eu encontrar-me no fim de me perder? 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Sem titulo.2

O tiquetaque marca um tempo, um tempo semi-esquecido.
Parei, talvez. Ou ele andou sem mim. Queria eu, que ele fosse embora, e me deixasse.
Talvez num mundo sem tempo não se chorasse nem risse. Talvez num mundo sem tempo eu não me cansasse de viver. É assim que me descrevo, uma cansada, não sei bem de quê, não sei se da vida.
Talvez sem tempo eu não me deixasse cair. Cair por vezes em abraços sem querer, cair por vezes no vazio. Talvez cair fosse proibido, talvez, só talvez eu não chorasse por dentro como choro agora.
Sem tempo talvez não pensasse.
Sem tempo talvez não existisse, e isso seria tão bom agora.

domingo, 16 de março de 2014

Sem titulo.1

Não me canso meu querido, de nos imaginar sempre juntos.
O carinho que nos junta não é falso, não é actuação. O carinho que demonstramos está para além de pensamento, está para além da consciência.
Aquilo que somos, juntos, é o que de mais profundo nos impulsiona no mundo.
Juntos, queremos apenas estar, sempre, não importa onde, não importa com quem, ou porquê.
Liberta-mo-nos do próprio mundo. Somos tão livres, somos tão felizes.

quarta-feira, 12 de março de 2014

"afinal não querer"

Odeio nãos.
Odeio o "nao posso" , odeio o "nao vou".
Odeio o "afinal", que nos prepara para uma mudança.
Odeio principalmente o "afinal não" que nos tira um chão.
Odeio a expectativa, odeio a espera de algo que não se concretiza, odeio querer. 
No fundo, odeio mesmo querer.

A felicidade não é um objecto, nem é algo que se possua continuamente. A felicidade há agora, e pode não haver um minuto depois, a felicidade é escorregadia.

Há alguns "afinal não" que nos destroem um sonho, por mais pequeno que ele seja. 

É mau querer, é mau querer e pensar que será essa a realidade. É mau querer quando a realidade muda, e não nos dá. É mau querer simplesmente porque querer nos deixa frageis, e inseguros, nos coloca num chão incerto e num caminho imprevisível.

É mau deixar andar, é mau pensar o que nos dói, e no quanto o queremos esconder. É mau desistir. É mau não poder querer mais.  

Fosse possível deixar o corpo e viver noutro mundo, e eu so escolheria um sitio onde nada se quisesse.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Vagabunda

Se estar contigo é estar em casa, e estar sem ti é doer, que corrói o coração, posso afirmar que sou uma vagabunda do amor, sou a vagabunda que não sabe o seu caminho, quando ele é diferente do teu, sou a vagabunda que se deixa cair na valeta se não tiver a tua mão a puxar por mim, sou a vagabunda que perde os sentidos e já não sabe como cheira a primavera, ou como aquece o sol num dia de verão, sou a vagabunda que se deixa ficar na neve porque não sabe como se fica quando o corpo congela.
Eu sou aquela que arranca o coração do peito porque dói quando o meu coração está longe do teu. Se não é a teu lado que pertenço, em mais lado nenhum posso ficar, porque todos os sítios me lembram de ti, todos os cheiros me fazem procurar-te com o olhar, todas as histórias podem ser a nossa história, e toda a nossa história é uma vida inteira dentro de mim. Estás nos meus pêlos arrepiados quando penso em ti, estás no meu batimento cardíaco acelerado, estás impregnado na minha pele, a minha alma tem a tua marca, eu hoje não sou apenas eu, hoje o melhor de mim foi descoberto por ti, em ti me encontro e sem ti nem eu faço sentido.

sábado, 8 de março de 2014

O sol e as gargalhadas.

O sol sorri-me hoje. Aquece-me a pele e a alma, faz-me querer cantar e dançar, faz-me querer sonhar acordada e esquecer todo o resto do mundo.
As crianças correm e riem, porque o sol decidiu sorrir para elas também. É um belo som ouvir crianças rindo e perco-me na minha vontade entre apreciar o silêncio e apreciar as suas gargalhadas. Talvez sonhe acordada sobre ser uma delas de novo. Sobre rir com qualquer coisa, com coisa nenhuma, com tudo.
Sentada à secretária, trabalhando como posso, alimento a minha vontade de correr ao sol com as suas correrias, e imagino-me noutro espaço, noutro lugar, numa outra estação, numa primavera que nunca acaba, e trabalhar já não parece tão mau...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Ideias do Aconchego

Desvaneço-me por entre os teus braços, nesse calor que o teu corpo emana sobre o meu. Fecho os olhos e flutuo por magia, numa nuvem que paira num sonho encantado.
Cantas-me ao ouvido, murmúrios que ficam longe e perto como a maré, e o som da tua voz banha-me em ondas cálidas.
Os beijos que de seguida depositas na minha testa fazem com que me enrosque mais em ti, como uma gata preguiçosa, que passaria o dia aninhada junto ao dono.
És dono de um coração lustroso, no fim de enrugado cresceu e se pôs novo, para poder dar brilho ao teu também.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A surpresa

Ela queria surpreender.
Mas os jantares às luz das velas estavam já há muito esgotados, e todos os dias eram especiais.
Bastava dar as mãos para um arrepio a percorrer, para a corrente eléctrica os ligar um ao outro.
O mundo parava a cada cruzar de olhares. O mundo parava a cada abraço. O mundo parava só para eles, porque eles eram um do outro, e o mundo não lhes podia tocar, nem o tempo, nem algo exterior a eles mesmos.
Nesse dia ela acordou com vontade de atiçar aquela paixão, que era sempre tanta, mas nunca demais. Tirou a caixa do armário, bem guardada, para uma ocasião como aquela. Retirou o conteúdo e sentou-se na beira da cama a admirar a sua aquisição. Duas peças de seda preta e renda vermelha, a lingerie mais sexy que ela conseguira encontrar, e um robe de seda preto para aumentar o conjunto. Contrastavam bem com a sua pele cor de neve, e com as suas faces rosadas, devido a um pouco de vergonha por ter comprado um conjunto tão inesperado. E foi assim que ela o esperou na cama nessa noite, ansiando pelo momento em que aquelas peças ficassem esquecidas pelo chão..
Oh! como eles eram loucos um pelo outro! E se devoravam, como quem se sacia só com o amor. E o mundo parava de girar, só para que eles se pudessem amar um pouco mais.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O tema da actualidade

Há um gosto qualquer pela exaustão.
Deixar as pessoas exaustas. Sempre a mesma conversa, sempre a mesma discussão. Até as pessoas deixarem de querer saber, porque já custa responder sempre a mesma coisa, aos burros que não querem nunca ouvir.

Há uma praga de acéfalos por ai, pelo que se ouve dizer. Pelo que parece faço parte dessa grande massa de serial killers, ditadores, uns autênticos fascistas.
Temos essa massa de fascistas e serial killers que o único crime que cometeram foi andar a brincar às escondidas, à apanhada, trocar de lugar com colegas, conhece-los. E fazer um pouco de exercício físico, quem não o fez na escola também? Por vontade própria. 
Mas claro, nós somos os maus por organizar as actividades que nos pedem que realizemos, porque se for uma por mês os caloiros já nos vem dizer que é pouco e querem mais. Temos os pobrezinhos dos caloiros, que se alguma vez choram é de tanto rir. Mas não, eles são a massa acéfala, como nós, doutores, que não percebem que estão a ser humilhados com as brincadeiras, como também foram humilhados quando brincaram em criança!
Se nos devemos preocupar com a falta de condições numa faculdade? Com alunos sentados no chão a assistir a aulas, ou mesmo a realizar exames, ou salas com péssima acústica que a partir da terceira fila já ninguém ouve nada? Ou preocupar com a falta de profissionalismo de tantos professores? O elitismo que eles sim possuem? Ou mesmo com a falta de organização dos órgãos administrativos que nunca resolvem um problema de um aluno?
Não, não nos devemos preocupar com nada disso, porque os doutores são acéfalos e andam a pagar propinas para beber uns copos na noite e praxar uns caloiros, e os caloiros, não devem ir as aulas, afinal, os doutores são tão cruéis que não devem deixar! A PRAXE é a culpada!

Acho terrível como "meia dúzia de gatos pingados" pensam que podem vir dizer "Tu não fazes!!Porque EU acho mal!", pensando-se no direito de vir decidir algo que é de decisão pessoal, individual, e que mais ninguém tem a ver com isso. 

Nada é perfeito, e há sempre más pessoas em todo o lado, mas aqui, só se sujeitam ao que querem.
E ai de quem me venha dizer que não posso meter-me de quatro se eu o quiser fazer. 


Quando não estás...

Quando não estás penso-nos num banco de jardim.
Na primavera, em que as flores estão viçosas, a paisagem é verde, o sol nos aquece o corpo e os pássaros nas árvores nos dedicam uma melodia.
Como no tempo em que nos conhecemos.
imagino-me sentada no teu colo, e tu apertas-me nos teus braços por eu ter medo de cair. É já um hábito teu me segurares quando um temor me enche a cabeça.
Fechamos os olhos e sei que ambos pensamos ao mesmo tempo no quanto o nosso amor cresce, como um filho de quem cuidamos diariamente.
Sorrimos, para nós e um para o outro.
E pegas em mim para dançarmos, com os corpos colados, com os pés acima do chão. Porque já voamos de tão leves nos sentirmos quando juntos.
É assim quando não estás ao meu lado. Quando estás, é tudo ainda mais perfeito.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Hóstil

Procura-me num dia em que não faça sol.
Procura-me quando te terminar a felicidade e descobrires que o mundo é um local solitário.
Não me procures nunca. Ou terás que percorrer locais sombrios para chegares a mim. Vem depois de enfrentares os teus medos. Vem depois de combateres os teus problemas. E chega arrasado pelo caminho. Há morcegos por estes lados, porque a escuridão é maior que a vida. 
Se quiseres vem. Mas não venhas para ser feliz.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A velha caixa fechada com uma fita de seda

A rotina era sempre a mesma. Ela chegava a casa e pousava as preocupações em cima da mesa do hall de entrada. iria pega-las noutra altura.
Sentava-se à mesinha junto à janela com vista para o mar. Uma caneca de café quente e uns bolinhos de chocolate, receita secreta da mãe.
Olhava para o mar durante uns dez minutos enquanto saboreava o café e aquecia as mãos na chávena escaldante.
Era Inverno, e chovera durante duas semanas seguidas. O sol parecia um milagre nesse dia. Com sorte veria um por-do-sol sem uma nuvem que o arruinasse. Como ela gostava do por-do-sol na praia, de ver o sol desaparecer no horizonte tão lentamente, provar que o mundo não pára um único segundo.
Então chegava a hora de pegar nas folhas brancas por escrever e na sua caneta preferida, a primeira que lhe tinham oferecido.
Ela escreva cartas, sempre destinadas à mesma pessoa. Eram cartas de amor. Descrevia o sentimento que carregava no peito, que a fazia chorar lágrimas salgadas, como o mar que via bravo e zangado.
Mas ela não estava brava nem zangada. Uns dias estava triste e deixava as marcas das lágrimas na carta. Noutras estava feliz, e era a única ocasião em que pintava os lábios de vermelho e deixava a sua marca em jeito de despedida.
Nunca colocou destinatário, e guardava as cartas numa caixa velha de sapatos, fechada com uma fita de seda.
Eram para um amor antigo, uma daquelas paixões arrebatadoras. Que não deram certo.
Sabia o seu nome de cor, e a morada era fácil de arranjar, mas apesar de sempre que fechava uma nova carta dizer para si que um dia as enviaria, sabia que elas ficariam na caixa, ou seriam atiradas ao mar que a assistia a escrever.
Ela tivera outras paixões mais tarde.
Mas tinha agora trinta anos, e escrevia apenas para uma.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Questões da alma

Tenho a alma nua
Despida das futilidades
com que me bombardeiam no dia a dia.

O que é uma alma sem vestimenta? Sem roupas que a cubra, e a esconda de olhares indiscretos?
O que é ser apenas e nada mais?
É feita de quê afinal, debaixo de todas essas camadas de infinitos mistérios? Serão emoções e sentimentos, essas dores de cabeça, que às vezes desejamos não ter?  Será essa a sua matéria? Será um emaranhado de cores e luz, difuso no ar? Será o amor puro e verdadeiro que lá encontro, após todos os ódios serem retirados? 
Talvez sejamos  mais vivos só com alma, talvez mais simples, mais concretos, mais sinceros. Talvez nos tornasse a todos mais humildes e mais empáticos.
Talvez se tornasse mais fácil descobrir a alma que nos cabe encontrar, com quem nos cabe ficar.
Eu já vi a alma de alguém e a senti como minha, e vi nessa mesma pessoa a minha alma reflectida.
Talvez por isso...
Dispo-me como quem tira a pele. Ficarei mais leve... ficarei mais livre... 
Amar e ser livre é a mesma coisa, não é?

Desabafos

A noite foi longa, e pouco dormi.
Agora a chuva cai lá fora como se não se importasse com o decorrer da minha vida. Não se importa na verdade.
A preguiça leva-me à procrastinação; Vejo o fumo desaparecer no ar, e isso foi até ao momento o mais interessante que fiz.
A minha vida torna-se monótona quando estou só.

Precisa da excitação do teu beijo, do ritmo do coração a acelerar ao minimo toque teu, da tua voz doce no meu ouvido a dizer coisas que me fazem corar, preciso de cuidar de ti, de te dar carinho, de te mimar, de te fazer feliz.
É injusto estar longe de ti quando te amo com toda a vida que tenho em mim.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O céu dourado

O vento varre as folhas ao fim da tarde.
O baloiço se balança, com a alma perdida que dança, não procurando outra vida que o dançar, no meio das folhas coloridas de outono.
Há cores que brilham com o pôr do sol, há pássaros que cantam, e também dançam. Há passos no distante. Porque o distante é longínquo e aqui nunca chegará. Aqui só há simplicidade. Aqui só há cor, dança e música. Aqui a vida é diferente e solitária. Mas aqui é sempre fim da tarde e o céu está sempre tingido de dourado com uma estrela companheira.
Aqui o vento passa para brincar, para empurrar as folhas e para empurrar o baloiço. Aqui é um mundo à parte.

Quando a chuva cai

A chuva cai abundantemente.
São rios e rios, de águas um dia evaporadas.
A chuva cai abundantemente.
Os guarda-chuvas voam, e as pessoas protegem as cabeças como podem, com mãos, sacos, e casacos.
A chuva cai abundantemente, e Clara pára encharcada à porta dum prédio desconhecido.
Está um cheiro a tabaco no ar, e ela procura com os seus olhos pequenos perceber se se encontra acompanhada. Nota um movimento na sombra, e distingue a ponta de um cigarro aceso.
Um rapaz desloca-se ligeiramente para uma zona iluminada pelo candeeiro da rua. Olham-se durante segundos, constrangidos, e ela desvia o olhar, corando.
Ele estabelece diálogo. - que temporal.
O primeiro pensamento que ocorre à Clara é não responder, depois pensa em continuar pela chuva e tentar chegar a casa sem uma gripe. Desiste da ideia ao ver como chove cada vez mais, e responde sem olhar para o rapaz, - é mesmo, há muito que não via chover assim.
A respiração dele ouvia-se, profunda, e a voz era rouca, não se sabe se natural ou causada pelo frio.
- Estás bem?
Ela não tinha notado até então, mas estava a tremer do frio; afinal, tinha apanhado imensa chuva até desistir de correr e abrigar-se debaixo de um prédio. - Estou bem, só preciso de chegar a casa.
Tentou gracejar.
De repente vê o rapaz dar um passo na sua direcção e estender o braço para ela. Toca-lhe no ombro - estás gelada, e a tremer, não podes estar bem.
A primeira reacção dela foi dar um pequeno passo atrás para aumentar a distância com o desconhecido, - está tudo bem, o problema é só a roupa molhada, em casa já ficarei bem.
Entretanto o rapaz terminou de fumar, e procurou no bolso as chaves de casa. Estava a virar-se de costas para a Clara, e a abrir a porta do prédio quando pára e se vira de novo. - Sou o Nuno, e vivo neste prédio. Sei que não me conheces de lado nenhum, mas também sei que essa chuva não parará em breve e custa-me ver-te a tremer dessa forma.
Clara não queria acreditar no que estava a ouvir, e não sabia o que esperar de toda aquela conversa, tudo lhe parecia estranho, mesmo assim não esperava ouvir o que se seguiu - Tenho máquina de secar roupa, e podes tomar um banho enquanto ela seca, não demoraria....
Terminou com um pequeno sorriso, e Clara não sabia se tinha sido essa a razão porque quis aceitar, ou se foi por causa da voz rouca e sensual dele, ou do frio que a gelava até aos ossos. Um banho quente era tentador, e o facto de ser em casa dum rapaz desconhecido já não parecia assim tão errado.
Ela nada disse, apenas sorriu de volta e deu um passo em frente, na direcção da porta. Subiram até ao segundo andar em silêncio, e ele abriu a porta do apartamento sem mesmo dizer nada. O apartamento era pequeno, mas moderno e tipicamente masculino.
Pararam na sala dele, e olharam um para o outro. Difícil perceber qual o mais constrangido com a situação. Nuno contorcia as mãos nervoso, e Clara não tirava os olhos do chão. Foi um momento mais longo do que eles teriam desejado. Nuno então quebra o silêncio - A casa de banho fica na segunda porta à esquerda, no corredor, posso dar-te uma toalha e deixas a roupa à porta que eu já lá passo a buscar e volto a coloca-la lá.
Enquanto dizia isto dirigia-se em direcção à casa de banho, e a um armário de onde tirou uma toalha.
- Podes demorar o tempo que precisares, quando estiveres pronta eu estarei na sala.
Clara fecha-se sozinha na casa de banho. Repara então que não é só do frio que treme. Talvez, a sua decisão não tivesse sido a mais acertada. Não conhecia Nuno, e não sabia o que a esperava, talvez ele quisesse fazer-lhe mal, e ela não sabia.
Tranca a porta da casa de banho antes de se começar a despir, a seguir olha pelo buraco da fechadura para ter a certeza que pode deixar a roupa do lado de fora da casa de banho, como combinado.
Volta a trancar a porta.
Liga a torneira da água quente e coloca-se debaixo do chuveiro. Um longo suspiro sai sem mesmo ela o pensar, ao sentir a agua quente aquecer o seu corpo aos poucos. Mas o batimento cardíaco não diminuiu ao saber-se nua na casa de banho de um desconhecido. Por segundos passaram-lhe diversas imagens eróticas pela cabeça, imaginando aquele rapaz a entrar pela casa de banho e a agarra-la fogosamente. Coloca um pouco de água fria com o objectivo de clarear as ideias, e dá a desculpa para si mesma que já tinha apanhado uma gripe e estaria provavelmente com febre.
Ao terminar o banho seca-se bem com a toalha e volta a espreitar pelo buraco da fechadura antes de destrancar a porta. A roupa estava impecavelmente enxuta, e ela veste-se rapidamente.
Ao dirigir-se para a sala, o coração começa a bater mais depressa, com receio e também ansiedade, ao não saber o que iria suceder.
Nuno encontrava-se sentado no seu sofá vendo televisão, mal notando o aproximar de Clara.
- Muito obrigada, foste muito simpático por me teres deixado vir a tua casa.
Nuno olha de repente para Clara, dando a impressão que já se tinha esquecido que ela estava lá em casa. - oh sim, não há problema nenhum. Estive a reparar no tempo, está a chover menos, e o vento parece ter abrandado, se quiseres empresto-te um guarda-chuva, tenho mais e não me fará falta.
Clara sente-se um pouco desapontada pela reacção do Nuno, teve que admitir a si mesma, mas vê que é hora de ir embora. - Aceitarei a oferta, se realmente não incomoda.
Nuno então levanta-se pega no guarda-chuva que tem perto da porta de entrada e abre a porta. Encosta-se de lado.
Clara vai a passar por ele e ele pega-lhe no braço fazendo o coração dela disparar. - Não te esqueças do guarda-chuva.
e entrega-lho na mão sorrindo para ela. Clara, sente-se mais uma vez desapontada e ao mesmo tempo aliviada, sorri também para ele - voltarei para o devolver.
E saiu directa para casa com um sorriso nos lábios.
A chuva cai abundantemente, e pessoas conhecem-se por acaso.

Prosa em teu jeito, numa poesia enroscada

Fazes parte de mim,  Extensão do meu coração. Arranco-te parcialmente do peito Quando me largas a mão, E te afastas no teu caminho solitário.
Gosto de te ter a meu lado Perder-me em ti O dia ser noite A noite ser dia Deixarmos o relógio parado.
Gosto de me esconder no peito amado, onde bate um coração tão igual ao meu, em pleno amanhecer;
Deixar-me sonhar num sonho acordado, numa música inacabada, sem inicio, sem fim, sem parar de tocar.
És bom de amar, És bom de querer, Serás para nunca esquecer, Para nunca deixar, 
Serás o eterno amor, a paixão nunca esquecida, a vida que sempre quis viver.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Impede-me resignação, não tarde demais

Agarro-me à tábua que flutua,
Esqueço-me dos dias e das horas-
o espaço, é infinito.
Abalo a fé, e as esperanças,
abalo o mundo inteiro
com a mão escorregando,
com a água me balançando
num oceano que criei.

O mar está bravo,
posso largar a tábua
ser engolida pela agitação
dissolver-me em espuma
ir abaixo na tormenta
ser enrolada na anarquia.

A desordem está em mim:
Um oceano infinito,
No meu âmago.
Que não pode sair
e me afoga.

Se pudesse ao menos chora-lo...

Até já, mais uma vez

Gosto de me sentar na beira da tua cama e apenas olhar. Olhar-te, enquanto te moves pelo quarto, procurando ou fazendo alguma coisa. Mas hoje sento-me na beira da minha, e não te vejo. Está escuro, mas também não te sinto nem posso procurar a tua mão debaixo dos lençóis. Sei que chamar o teu nome é uma acção em vão, não responderás, não te chegarás a mim e me aconchegarás nos teus braços até o frio ir embora, nem acenderás uma vela para termos luz suficiente para nos olharmos enquanto encostamos os nossos corpos e as nossas caras sob um tecto sem estrelas, mas debruçados sobre um campo de emoção, e cobertos por um amor do qual sabemos tão pouco ainda e sem fim conhecido.
Hoje não haverá risos "gozões" da tua parte, nem risos histéricos da minha, a quebrar o silêncio, que já me preenche por dentro. Não haverá festas na cara ou beijos no braço, ou festas no braço ou beijos na cara, quando a ausência de toque entre nós se torna a mim insuportável. Não caminharei descalça no chão frio por mais uma vez não saberes onde param os chinelos que usámos minutos atrás, nem te lavarei a louça porque a tua preguiça é rei do sítio distante de onde vens.E não sorrirás para mim, não sorrirás e não me levantarás no ar, nem pegarás na minha mão para dançarmos sem outra música que não a do teu coração.
Porque hoje foi dia de voltar a casa.
Já tive a oportunidade de te sonhar desde que te deixei esta tarde, ou desde que me deixaste esta tarde, é confuso quem deixa quem, como foram os meus sonhos, mais confusos que quaisquer outros, abstractos e sobrepostos, numa realidade um pouco ou tanto alternativa. Parti frustrada. Não tive tempo de te abraçar e de te beijar como desejava. Foi uma correria o dia de hoje, e  reprimindo as lágrimas, que mais que uma vez, e por razões já esquecidas, se quiseram libertar esta semana, coloquei o sorriso mais bonito que consegui e te disse adeus por mais uns dias, um "até já" que dói, porque não enchi todo o meu ser da tua energia, da tua presença, da tua alegria contagiante, do teu sorriso e do teu abraço. Hoje parti menos eu, e assim que virei as costas senti esvaziar-me, senti a vida a fluir para o exterior, o ar tornou-se rarefeito, e quase perdi o fôlego e o equilíbrio enquanto caminhava na direcção contrária à tua. Já me desembaracei de algumas lágrimas entre o calor esquisito dos cobertores e a música arrepiante.
Assusta-me esta intensidade com que te sinto, o quanto me completas. Se um dia tiver que te dar um adeus eterno, poderei perder-me, num espaço desconhecido, num local assustador, num local sem saída. Temo sem ti nunca mais voltar a ser a mesma. Se um dia partires, levarás de mim a melhor parte.

Pink Floyd - Wish You Were Here

sábado, 4 de janeiro de 2014

O beijo

Vivo no teu beijo.
Sou, no tocar dos nossos lábios,
No tocar do meu peito nu no teu peito descoberto.
Respiro pelo coração.
Sinto o teu cheiro e quero viver,
Vivo cega, de sensações.
Fecho os meus olhos mas continuo a ver-te,
as minhas mãos percorrem-te,
já te conhecem tão bem.
Sugo-te o amor que me tens
E me entrego
para me devorares para teu prazer.
Fosse só no beijo em que me deixo...
Fosse só no corpo em que me perco...
Mas é o coração que mais me atrai.

Maybe we're just perfect to each other

"I'm the one that loves you more, more than you love me, more than anyone could love you anytime or anywhere, more than I could even love myself, so just let me love you with my mind, my soul, my entire body, please." <3

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Brinde ao novo ano

Começou um ano novo. Num calendário que não sei quem inventou e estabeleceu.
O ano que passou foi bom. Trouxe-me o amor que eu não esperava encontrar, trouxe-me um remédio para a solidão, trouxe-me vontade de lutar pelo futuro, vontade de lutar pela esperança que eu pensava já ter morrido em mim.
Todos nós, nalguma altura, pensamos que todos os anos serão iguais, que todos os meses e dias que se seguem trarão a mesma dose de problemas e aborrecimentos. Por vezes, paramos a observar a vida e só vemos lágrimas e dor.
Tive um ano em que vi mais que dor. Vi e vivi provas de amor sincero. Senti o que é nunca estar só, e o que é ter um pouco de alegria no meio da tristeza. Foi bom ter alguém a meu lado que não apontasse constantemente as minhas falhas e sim as minhas qualidades.
Para este ano não faço promessas. Não prometo ser uma pessoa melhor e sem erros, mas mantenha todas as promessas que fiz ao longo dos anos, a pessoas ou a mim mesma.
Para mim, a meta é a felicidade, e para a atingirmos devemos manter-nos fieis a nós mesmos, ignorar quem nos faz mal e valorizar quem nos faz bem, dizer sempre a verdade, e não calar o sentimento. O que é importante para nós deve ser aceite pelos que nos querem bem.
Este ano só peço que se mantenha na mesma direcção que terminou o passado.
Quero continuar a amar e a ser amada pela mesma pessoa maravilhosa e espectacular que encontrei. Se assim for, será um ano excelente de certeza.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Um Natal feliz

Há Natais tristes,
Há Natais em que choro, à noite, no escuro.
Este não é um desses Natais.
Este é um Natal feliz, pois é o primeiro de muitos em que te tenho a meu lado, dono do meu coração.
este Natal, só peço continuar a merecer todo o amor que me dás, todo o carinho com que me enches, todas as surpresas que apesar de pequenas para mim valem tudo.
Porque tu, fizeste-me ter esperança na felicidade.
Contigo, tenho Natal todos os dias.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pequeno pensamento sobre ti.

Só te amo.
Só, porque amar é pouco.
Amar é pouco junto de ti, que tornas a minha vida um mar de felicidade, um oceano de oportunidades, esperança, verdadeira vida. Um céu de experiências, com final feliz.
Amar-te é pouco quando sei que retribuis este amor e vais mais além.
És a minha felicidade, és o meu motivo para sorrir, és tu quem faz a minha vida ter um sentido neste presente tão incerto.
Tudo o que faço por ti me parece pequeno face à grandiosidade deste amor que nos une.
Por minha vontade, viveria nos teus braços.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Amar. Escrever.

Escrevem-se cartas de amor.
Que as levará o vento.
Cheiram a alfazema.
E foram escritas em tinta permanente.
Não houve sangue derramado.
Mas as palavras vieram directamente do coração. A mão fluía e no cérebro não seguia nenhum pensamento, além da leitura da bela carta, pela mão imparável, que seguia ordens da morada deste amor.
A boca sabia a chocolate, e papéis que outrora haviam embrulhado bombons saborosos amachucados agora se encontravam junto às folhas ainda por escrever.
Coração romântico sempre encontrará palavras para falar de amor, escreverá cartas enquanto esse amor viver, escreverá cartas de alegria, e cartas de tristeza se um dia chorar. Beijará as cartas, deixará lá o toque dos seus lábios como quereria deixar no amado. Deixará lá o seu perfume. A sua essência. A sua alma.
Coração romântico é intenso. Vive a felicidade com cor, com cheiro, com sabor, com risos e danças. Pairam músicas no ar, e as borboletas parecem dançar, mesmo quando surge chuva no verão. Chora e se despedaça, sente dor, uma dor lancinante, e questiona-se se a morte não será mais fácil e menos penosa.
Mas nunca pára de escrever.

Lareira

Já não sei o que é uma lareira,
Nem o cheiro de madeira a queimar.
Não reconheço o crepitar da chama,
Esqueci como me aquecer no seu calor.

Os gritos não passaram.
Talvez só frio fique,
Nada mais que um vazio na noite,
O céu nublado como tecto.

Lá fora não oiço correntes arrastar-se,
Tudo se foi, menos a escuridão.
Talvez a isso se resuma a vida;
Ver partir quem queremos que fique,
Ver ficar quem queremos que parta.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

"É demasiado egoísta querer-te para mim a vida toda?"

Questiono-me sobre o que é suposto fazer quando encontramos o amor da nossa vida.
E é mesmo o amor da minha vida. Tem que ser, se ele não é, não consigo imaginar mais ninguém que possa ser. É complicado explicar algo assim, em que se calhar pouca gente se revê.
Já me deparei com inúmeras pessoas ao longo dos anos que percorro neste mundo, muitos a que chamei de amigos, alguns que realmente o foram. Nenhum houve que encaixasse em mim totalmente, com um sem número de similitudes e algumas diferenças complementares das minhas. Todos sem excepção, tinham algo que faltava, algo que eu não gostava, apesar de não impedir a amizade.
Podiam chamar-me de cega, mas sei que não o estou, e que apesar de não ter a meu lado uma pessoa perfeita, tenho a meu lado a pessoa perfeita para mim. O nosso primeiro encontro não foi perfeito, e houve um conjunto de actos vulgares, uma sedução desprovida de subtileza. Mas algo no olhar deixava no ar uma promessa de que podíamos esperar mais de nós.
Hoje sinto-me completa, verdadeiramente eu.
Hoje vivo com um coração maior, apesar de ele estar sempre no peito daquele a quem o entreguei. Não me faz falta, pois também a minha mente está com ele, revivendo todos os momentos que passamos juntos.
Sinto um conforto nos seus braços, e uma segurança interminável. Não precisava mais nada para ser feliz.
Sei que também não sou perfeita, mas tento compensa-lo da forma como o amor infinito que sinto me permite.
Não acho que dar-lhe o meu coração, um lugar na minha vida, me faça menos eu. Não há outra altura em que eu mostre quem sou tão abertamente e sinceramente como quando estou com ele. Ele faz-me explorar novas perspectivas, faz-me ver o mundo com novos olhos, encontrar novos horizontes. Com ele há esperança, com ele o amor existe e a felicidade eu consigo fechar na minha mão quando entrelaço os seus dedos nos meus.
Hoje, sorrio o tempo todo; Hoje, acredito que o amor verdadeiro é a minha realidade, eu sei-o. Tenho o melhor amigo, o melhor namorado a meu lado.
Tão perfeitos um para o outro.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Os idiotas

Somos uns idiotas. 
Uns idiotas 
que gostam de acreditar no que os faz feliz, 
qualquer coisa.
Somos uns idiotas 
que fecham os olhos mais vezes que os mantêm abertos.
Somos uns tolos 
capazes de abraçar o ar, e beijar o vazio.
Somos uns tolos
que vivem noutro mundo.
Somos uns iludidos...

sábado, 30 de novembro de 2013

O poder das palavras

Desenganam-se aqueles que vivem vidas fáceis. Não somos fáceis, somos complicados. Nada temos de simples. A verdade nem é a minha , nem é a tua, é uma mistura estranha das duas, onde há lados incompatíveis que temos que conciliar.
As palavras já não servem, quando não são ouvidas. São ignóbeis no seu estado confuso e inacessível, são uma mancha de preto incompreendida quando não são escutadas com a necessária atenção. As palavras ajudam a lavar a alma junto com as lágrimas salgadas que queimam a pele ao passar. Às vezes não passam a garganta, porque sabemos que nunca chegarão aos ouvidos de ninguém. Aí temos que aumentar a quantidade de lágrimas, que acaba por nunca cessar.
Quando não temos ninguém que nos oiça e nos ajude a limpar o sujo e o sangue derramado dentro de nós, temos que falar connosco mesmos, mas não há forma de limpar sozinho; a confusão faz-nos falar sobre tudo o que nos deixou naquele estado desfeito, na bola de trapos em que nos enrolamos, e que nos segue em plenos sonhos, que hoje em dia não são mais que pesadelos. Aumentamos o fosso entre nós e os outros. Estamos sós, nessa insignificância, nessa incompreensão, na solidão a que nos habituámos a chamar de casa.
Queríamos palavras quentes e aconchegantes, como uma manta no Inverno; queríamos um abraço de frases, um beijo de palavras, queríamos ternura para combater os pensamentos destruidores dentro de nós. Queríamos algo mais quando nos dão silêncio em resposta às nossas lágrimas sentidas e cheias de mágoa.

Sinto-me só no silêncio, e as vozes na minha cabeça gritam que sou
 "NINGUÉM!"
Tenho algo quebrado dentro de mim, e acho que não há arranjo possível.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Junta-te a mim nesta louca caminhada

Encontrar o amor verdadeiro faz de nós pessoas com sorte, que encontraram a felicidade, e pessoas corajosas que souberam também agarra-la.
O amor verdadeiro é difícil de achar porque é preciso ceder perante adversidades, é preciso esquecer-nos um pouco de quem somos individualmente e construir uma identidade colectiva. 
Não é deixar de sermos quem somos. 
É melhorar-nos a nós mesmos, é podemos ser duas pessoas, com o dobro dos defeitos, mas também com o dobro das qualidades. Potencializamos o melhor de nós dois. 
Sou eu para ti e tu para mim. Somos dois corações que não precisam mais sentir-se sozinhos, e que podem enfrentar o mundo de mãos dadas .

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Tardes de Outono

É bom passear contigo nas tardes de Outono.
O rio brilha com as luzes da cidade à medida que o sol vai descendo no horizonte. Os meus olhos também brilham reflectidos nos teus. Por momentos parece que o mundo decidiu deixar-nos sós.
O mesmo rio que nos juntou vê-nos agora mais cúmplices que nunca, e sabe que um dia juntou as pessoas certas. Este rio que leva as lágrimas de inúmeros corações partidos também as minhas um dia levou, e não me deixou mal trazendo-me um coração novo e verdadeiro para qual me dedicar.
Não imaginava poderem haver duas pessoas tão perfeitas uma para a outra como nós somos.
O frio parece desaparecer quando aqueço a minha mão gelada na tua e me aconchego nos teus braços. A rua ganha cor e movimento, a música preenche o vazio que o frio deixa, e juntos sentimo-nos poderosos, não fosse o amor o maior poder do mundo.
A teu lado não existe vazio, não existe solidão, não existe tristeza. A teu lado tudo parece bom, a teu lado gosto de mim, a teu lado gosto do sol e gosto da chuva, do calor e do frio, a teu lado só sorrio. E quando choro, é o amor que não cabe em mim e me sai pelos olhos em forma de lágrimas.
És a melhor pessoa que entrou na minha vida e não te quero deixar sair.

Opções

É difícil dedicar toda a nossa vida a alguém, sem garantias que um dia não terá tudo sido em vão.
Um dia deixa de ter 24 horas, e passa a ter metade. Passo horas viajando entre prioridades e o sono é sempre o ultimo delas todas. Gostava que as semanas aumentassem de tamanho, e a minha independência crescesse exponencialmente. Penso a minha vida como um rio de leito largo que se vai estreitando.
Um dia, tudo terá passado, o tempo da alegria, das festas, da amizade e do amor. Um dia, virarei a cara ao presente para ver o passado e ficarei desanimada com as oportunidades que deixei escapar. É uma vida ocupada, e tão pequena.
Passo tantos tempos mortos, que gostava de poder eliminar, mas que sou obrigada a tolerar.
Tive que ceder, tive que colocar em suspenso pessoas na minha vida. Tive que criar um intervalo sem fim especifico. Tive que adiar parte de mim para que outra possa crescer saudável.
É difícil viver com grades nas janelas.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Chocolate em jeito de ser

O chocolate deveria ser a cura de todos os males. O chocolate cheira a conforto, e é tão doce como a companhia mais meiga. Tem um sabor macio a paz, é um bocado de paraíso. 
O chocolate preenche cada vazio dentro de nós, cola um coração partido, faz sorrir a pessoa mais triste. 
Só tem alguns defeitos, deveria ser comido sem nunca enjoar, deveria não engordar e deveria definitivamente nunca acabar. Deveria ficar connosco quanto tempo nós quiséssemos, e nunca nos desiludir.
Poderia ser o meu melhor amigo.

domingo, 10 de novembro de 2013

Caminhar à beira mar

Permite-me dar-te a mão enquanto caminhamos lado a lado. Dás-me um apoio, para ti desconhecido. 
O calor da tua mão enquanto seguimos o mesmo caminho permite-me ter a certeza que permaneces a meu lado e de que és real.
Penso-te um sonho muitas vezes. Mas se fores, quero sonhar-te o resto da vida. Não sabia que a realidade podia ter um sabor tão doce e tão intenso. A minha sabe a chocolate com morangos e cheira como o mar numa manhã de Verão. Caminhar contigo é como caminhar na praia, descalça sentir a areia húmida nos pés, e os beijos das ondas calmas de quando em vez.
É assim como uma paz sem explicação, muito amor, e um só coração para nós dois.
É como uma vida sem inicio nem fim. Só um interminável caminho de felicidade.

És a minha felicidade


O mundo é um local misterioso. As coisas acontecem à velocidade da luz, num segundo mil pensamentos nos passam na cabeça. Num segundo podemos interessar-nos por alguém. Numa semana podemos apaixonar-nos. Em alguns meses podemos descobrir o que é o amor. Em pouco tempo podemos esquecer-nos que um dia fomos tristes. Podemos transbordar de felicidade e querer partilha-la com todo o mundo. Esquecemos o passado e não conseguimos imaginar um futuro diferente. Nem queremos. Queremos que o tempo pare. Queremos uma felicidade que dure, que seja eterna. Queremos conhecer o amor como sendo isto mesmo que vivemos. Queremos manter a crença que só existe um amor. Só existe uma pessoa que amaremos para sempre. Queremos ter uma certeza neste mundo tão incerto. Queremos viver dia-a-dia nessa certeza, queremos poder dizer e sentir "Sou feliz", "Sou feliz contigo, preenches o meu coração, e os teus braços são o local mais seguro do mundo".
Eu sou tão feliz.

sábado, 9 de novembro de 2013

6 meses e um Amor

Apesar de saber que não tenho que o fazer é me impossível não te agradecer pelos magníficos 6 meses que me proporcionaste. Foram até hoje 6 meses na melhor companhia do mundo, a tua, e que me levaram a esquecer um passado de tristezas e a confiar no futuro. Deixei um passado de solidão e tristeza e embarquei numa aventura indescritível só comparada aos maiores romances escritos.  Talvez um dia escreva o nosso romance, mesmo que este não tenha um final feliz. Seria um romance sobre amor, respeito, comunicação, companheirismo, amizade. Só não saberia que nome lhe dar, quando o meu coração não sabe outro nome além do teu.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Estar contigo é estar em casa...

Acordar sem ti a meu lado é como ser uma criança a quem tiraram um doce.
Estar contigo é estar em casa, seja em que sitio for, desde que me continues a sorrir. Vivo no teu sorriso - já nada sou sem essa tua vivacidade, nem nunca seria alguém como sou hoje. Graças a ti, aprendi novas palavras que não têm definição e novos gestos que não têm nomes.

A minha cabeça chama por ti;
O meu coração não bate por mais ninguém, ele por mim nunca bateu...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Os sonhos e o mundo irreal

As palavras já escapam, já se misturam no meio dos sentimentos.
Sinto repetir-me, no fluxo constante de amor, paixão, excitação, medo e ciúme. Quase me perco em mim mesma, sentindo-me em caminhos desconhecidos, que percorro pela primeira vez.
O medo vem daí também. Reconheço-me pessoa com novas metas, assustadoras e delicadas.
Permitir-me acreditar em coisas que nunca acreditei é quebrar barreiras que construí muito antes de ser quem sou hoje. Proteger-me faz parte do meu âmago. automaticamente levantei barreiras, construí muros, tornei-me racional e imparcial. Tornei-me a justiceira da razão em público, e, só em privado, comigo mesma, me permitia sonhar com o que considerava impossível. Hoje já não me deito na cama horas a sonhar acordada, hoje vivo o sonho que um dia não imaginei porque nunca quis chegar tão longe.
Quando lidamos com o sofrimento todos os dias aprendemos a queimar o coração, a deixar que o sangue estagne e nos percamos no tempo, sem pertencer ao ontem, ao hoje ou ao amanhã. Aprendemos a esperar facadas nas costas, murmúrios escondidos que nos difamam, chapadas brutais que nos cegam os sentidos, compreendemos o mundo como um local sujo, amargurado, desprovido de cores vivas.
No momento que o coração começa a bater e o mundo a ganhar cor, sentimos que foge de nós a realidade, que entramos num mundo alternativo e inexistente. Sentimos que será fugaz como os sonhos que um dia não conseguimos agarrar por mais que uma noite.

domingo, 27 de outubro de 2013

Mimos-Extra quando estás doente

27.Outubro.2013
  • Amo-te perdidamente
    É difícil não admirar a pessoa que és. Não vou dizer que não tens os teus defeitos,(...) Mas não é só de qualidades que as pessoas perfeitas são feitas. Comecei por gostar aos poucos de ti, conhecendo só as tuas qualidades. Pensei que não duraríamos muito tempo, sou sincera, por me pareceres alguém independente que não se queria apegar a ninguém. pensei que de ti não veria amostras de romantismo e carinho, mas comecei de inicio logo por aceitar "defeitos" que não tinhas. Surpreendeste-me positivamente (...), como posso agradecer-te por tanto que fizeste?Com o passar do tempo fui me sentindo cada vez mais importante para ti. E fui também me sentindo cada vez mais segura e apoiada. És um amigo que todos desejariam ter. (...) a verdade é que és a primeira pessoa em que vejo o esforço real de tentar compreender o meu lado e os meus sentimentos,de aceita-los, de perceber que aquilo que sinto não é a verdade absoluta, é apenas o que sinto, seja verdade ou não, e de, com tanta paciência, me repetires vezes sem conta que os meus medos são infundados, que não razoes para sentir o que sinto em algumas ocasiões. é por isso também que desvalorizo tanto os momentos em que fico triste contigo - esses momentos são uma parte tão insignificante destes meses que passámos juntos, destes meses em que fizeste tanto por mim, em que me fizeste rir, me limpaste as lágrimas, me abraçaste, me aconchegaste, me fizeste tão feliz! Aquilo que mais desejo é fazer-te tão feliz como nunca alguma vez imaginaste ser possível. Quero que sintas que tens uma pessoa a teu lado para tudo o que precisares, que não haverá uma queda que dês que eu não esteja a teu lado para te levantar, e cuidar das feridas que faças. Quero que sintas que não passarás um dia sozinho, mesmo que eu não esteja à tua beira. Quero que saibas que a minha amizade para ti é eterna.

    26.Outubro.2013"Para sempre" é das expressões mais assustadoras que se pode pronunciar. Não temos poder sobre o futuro, nem adivinhamos o que nos vai acontecer. Por isso, poderás não me ouvir dizer que quero ficar contigo para sempre. Ouviste-me dizer-te que gostaria de te amar para sempre, que nunca ninguém aparecesse e me roubasse o coração, como tu fizeste. Fui sincera. Por mim, juraria a pés juntos que ficaria contigo para sempre se mo permitisses, mas, dir-te-ei apenas que nunca fui tão feliz como sou contigo, e que quero ser feliz assim para sempre.


    25.Outubro.2013
    Como és lindo e eu amo-te mais que tudo, vou aqui dizer-te que nunca fui tão feliz como desde que te conheço. (...) obrigada por da tua maneira compreensiva me fazeres crescer. Contigo sou uma pessoa melhor.
    Vou retribuir todo esse carinho fazendo por ti tudo aquilo que esteja ao meu alcance .
    Obrigada.
    Amo-te sinceramente.



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Coragem

Muitas vezes sou frágil e quebro. Quebro nas lágrimas que choro, nas náuseas que me tiram a fome, no aperto que me fecha a garganta e me custa respirar. Sou frágil nos momentos de pânico que me fazem querer gritar, sou frágil nos momentos de doçura que me fazem silenciar. 
Ainda sonho com a felicidade e ainda me acredito longe de a alcançar. Para mim alcançar a felicidade não é ter um vislumbre dela a cada virar da esquina enquanto corro para a apanhar; é sim toca-la, acaricia-la, é deixar o medo ir embora porque ganhei nova companhia.
Mas compenso essa fraqueza quando enfrento as gotas grossas da chuva e as deixo lavar-me a cara e encharcar-me até gelarem os ossos.
Sou forte quando  enfrento o silêncio e o tento apreciar. Sou forte também quando calo a dor que fica presa na garganta, embora se espalhe pelo meu corpo e me magoe. Sou forte quando enfrento o futuro, sem nunca desistir de mim. Sou forte quando aceito o passado, e aprendo com ele. Sou forte quando admito os meus erros e peço perdão. Sou forte quando perdoo quem me magoou mais que um dia imaginei ser possível. Sou forte quando ignoro defeitos e valorizo qualidades. Sou forte quando confio cegamente. 
Sou forte quando amo alguém mais que a mim própria.

Quebraste(-me)

Embrulho-me numa manta velha enquanto oiço o vento abanar a janela, tentando entrar...
Gostava de a abrir e de lhe fazer frente, mas provavelmente seria levada para longe, arrastada, e, de olhos fechados, deixar-me levar, desistir de tentar resistir a uma força poderosa como ele.
É isso que acontece quando tentamos resistir a uma força maior que nós. Somos atropelados por ela, somos levados com ela para o meio da tempestade. Não importa resistir, nunca será possível aguentar muito tempo. É preciso deixa-la passar por nós, arrasar-nos, despojar-nos do calor do corpo, deixar a nossa pele branca, os olhos rasgados com lágrimas dolorosas, e o corpo pisado e magoado. É preciso deixar uma ferida abrir e o nosso sangue criar uma poça aos nossos pés.
Custa muitas lágrimas quando uma rajada mais forte passa pelo meio de nós e nos quebra algo. A dor permanecerá na reconstrução, e não se sabe o tempo que durará a curar.