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sábado, 14 de maio de 2016

Saudade

Aqui estou eu, acordada na madrugada sem festa. Na escuridão que ficou depois de uma semana de folia.
Inevitável o choro que me assolou por entre trinar de cordas, por entre a melodia do bater dos sapatos nas calçadas, e da chuva lavando o rosto. Para recordar aqueles fortes abraços a pessoas que foram tudo, a pessoas que nos fizeram rir, e até a alguns desconhecidos que passavam e desejavam sorte.  Por entre toda aquela festa, foi Saudade que Coimbra gritou mesmo antes de eu partir.
Sinto que é cedo para deixar esta vida de estudante que tanto gosto me deu viver. Desde as festas até de manhã, até às noitadas de estudo com a melhor amiga.
Coimbra deu-me pessoas. Pessoas que me ensinaram sempre alguma coisa. Que me fizeram aprender. E por mais memórias e aprendizagens, é sempre pouco o tempo que estive com elas.
Ainda não chegou o momento de partir e o meu coração apertado já teme o futuro. Questiona-se se as amizades serão apenas de distância até que um dia se perdem, e sente já a falta destas pessoas que preencheram uma vida. Questiona-se sobre a entrada no mercado de trabalho, sobre a necessidade de ter um emprego, de trabalhar, e surge a questão "será que serei capaz".  Questiona-se sobre os novos desafios de que nada sabe, é só quer ficar mais um pouco nesta casa, neste lar, com esta família.
Sente que nunca será tão feliz como aqui.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Empatia

Poderia sentar-me sozinha num banco de jardim, em dia solarengo, com os pássaros a chilrear. Ainda assim a minha mente voaria até ti, questionando se pensarias em mim, ou sonharias comigo essa noite. Poderia fechar os olhos e quase instantaneamente reviver os momentos que me fizeste sorrir, e escolher não pensar em nenhum momento que entristeceste o meu coração, fingir que nunca caíram lágrimas dos meus olhos por tua causa, e deixar confundir o calor do sol com essas memórias.
poderia fundir-me com o tempo, e fazer parte daquele lugar, mas sem que deixasses de fazer parte de mim. Dói a empatia em que te enlaço, e não consigo senão perdoar-te pelas dores que já me deste, e deixar-te continuar nesse caminho que escolheste fazer à minha frente. Eu estou aqui, esperando que regresses da aventura, como um menino explorador, para te limpar o pó do rosto.
Se te perdoo a ti, porque não perdoar-me a mim mesma? 

domingo, 6 de setembro de 2015

Último ano

Estou só apavorada. Com o reboliço que retoma a cidade, com as luzes que piscam ao descer da noite, e com as multidões que agora enchem estas ruas. 
Vejo chegar o que a minha ânsia há muito sonhava, e já não sonha.
Temo, pelo mundo que deixo e pela porta prestes a bater. Mantenho o pé direito levantado, para pisar com sorte no futuro, que ainda não chegou. É agora que deixo os jeans velhos e rasgados na gaveta do fundo da cómoda, junto das tshirts, e dos tops de verão. Procuro nas montras looks sóbrios e discretos, que façam as manequins parecerem seguras de si, embora sejam bonecas. Talvez venham a esconder bem os meus tremores. 
Voltava atrás no tempo, e já não volto. Já não estou empolgada com a onda de inocentes e curiosos jovens que vêm à aventura para a já minha cidade. Já não procuro conhece-los ou fazer parte da vida deles. Eles lembram-me dum tempo que já passou, e não se vai repetir, nunca mais. 
Queria deambular pelas ruas e repetir, como da primeira vez, e um segundo depois já não quero, por me pesar o coração.
Quero parar o tempo, e ficar nesta bolha de expectativa pelo que virá, sem o tempo dela chegar. Neste momento, é ensurdecedor o barulho que o mundo faz a girar, e de tirar o folgo esta rapidez com que o tempo passa. 
Sinto que tudo está a mudar, e é tão inquietante não saber o que vai acontecer. Haverá trabalho. Haverá provas daquilo que somos capazes. Haverá choros, haverá despedidas, haverá fins. Afinal, é o último.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

No melhor e no pior.

Gosto de ti. Muito.
Gosto da nossa vida pacata, até quando nos sentamos no sofá e eu vejo um filme qualquer que apanhei a meio na tv enquanto tu vês o que há de novo no facebook. 
Não deixo de gostar, mesmo quando me matas de susto quando vais bem a cima do limite da velocidade, ou quando fazer peões é sinonimo de diversão para ti, ainda que para mim não seja. 
E não trocava qualquer dia em que me tiras do sério por um dia noutro lugar qualquer. Porque estar ao teu lado, mesmo nos piores momentos, é melhor do que uma vida sem ti. E tenho a certeza disso, pois mal damos as costas um ao outro, depois de um beijo e um abraço demorado, a minha garganta fecha, e o meu peito aperta-se, por não saber em que dia te vou voltar a ver.
Se desejar até os piores momentos não é amor, então não sei o que seja.

sábado, 11 de julho de 2015

Ainda hoje

Volta hoje para o meu abraço, amor. Não me deixes mais à espera do teu beijo doce, e do teu sorriso meigo quando me olhas. Volta hoje pela noite, e aconchega-te a mim na cama quando chegares, deixarei a porta aberta, e da janela entrará a luz da lua, que te guiará até mim. 
Aperta-me junto ao peito, e deixa-me pousar esta cabeça cheia de cantos escuros que murmuram pesadelos. Dá-me essa paz que trazes na tua alma, partilha comigo esse coração de ouro, e nunca mais me deixes chorar. 
Volta a segurar as minhas mãos nas tuas, e protege-me do mundo lá fora, porque perco o rumo sem ti. 
Volta ainda hoje, porque falta tanto para amanhã.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Febre

Ela estava só. E há muito tempo assim estava. 
Mas sonhava. Sonhava tão alegre como em dor, por querer aquilo que não existia se não no seu pensamento. Fazia histórias entre fios e fios de imagens coloridas. De paixões arrebatadoras, encontros e desencontros intensos e de tirar o fôlego. E suspirava, enquanto lhe doía o coração, por querer demasiado. 
Lia romances e sonhava mais alto com o seu. Com um toque proibido, que a fazia morder os lábios para se castigar por querer algum bandido a morde-los e a deseja-los. Queria que lhe roubassem a sua essência sem pedir, que a puxassem e mal a deixassem respirar com o desejo. Que não a deixassem pensar entre os beijos fogosos, e a fizessem arder como se estivesse com febre.
Ela queria um amor que a consumisse.
E era assim consumida pelo próprio pensamento. E era infeliz.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ponte velha

Caminho nesta ponte de pedra. Tem buracos, e é já antiga, e eu bem sei como tenho medo de alturas. Deixo o pé beijar a morte, e o olhar segue em frente enquanto caminho e enfrento o vento que me quer deitar ao chão. Seguiria facilmente por outro caminho, onde não tivesse medo, mas que seria eu além duma cobarde? 
São dias, que esta ponte leva a atravessar, e eu não sei se vou tropeçar, ou se vou chegar ao fim intacta. Mas tenho que aceitar com bravura a minha demanda, "o que não nos mata torna-nos mais fortes". Há um suspiro a cada dez passos dados sem parar, e eu paro com medo onde colocar o pé a seguir. Já não sei onde o colocar, enquanto já não posso voltar atrás. 
Envolta em névoa, não vejo onde passo ou o que me rodeia. Não vejo o fim do caminho, nem se ele algum dia será mais que um precipício. Não terá a ponte desabado em algum momento?

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Lua

Ser marioneta. Puxada por fios, incolores, do céu caídos sobre o abismo, quem sabe num mundo de papelão. Ser feita de nada, e misturar-me com o ar que paira, naquela fresta de luz à janela. 
Ser verão e inverno, nas mãos de quem não sei, nem de quem quero saber. Deixar-me ir, por entre a maré de caminhos que levam a lado nenhum.  E nem por um momento pensar, qual o futuro, o presente ou o passado. E não tirar os olhos da fresta da janela, que não vejo, nem quero ver. E ficar de cabeça erguida, ou caída sobre os ombros, inanimada e presa por entre fios que me arrastam por lugares desconhecidos. Ser boca fechada, ser punhos cerrados, mas relaxados. 
Vaguear entre as sombras coloridas, e os barulhos silenciosos, e não entender o que me rodeia.
Ser inocente, e ver e não ver o mundo, e ver apenas a lua no alto, e as suas simples crateras, e o vazio. O simples vazio. 
Ser oca, sem chocalhos ou adereços.
Ser despida de voz, visão, sabor ou tacto.
Ser nua. Ser lua,

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Insatisfação

Já sei que tenho que te deixar ir na tua, sem travões ou novas direcções. Sei que tens o caminho traçado, e não admites um pequeno desvio. Bem que tento acompanhar-te ao longo da estrada, nessa tua correria que sempre te deixa distante de mim. Tento seguir sorrindo sempre atrás,e por vezes deslizo e lá te peço para abrandares e seguires ao meu ritmo. Não me parece mais uma vez. E mais uma vez a tua paciência se esgota desse teu lado fervendo e espumando,e já estás farto de me dizer que o teu ritmo é o mais certo. Mas esse teu ritmo continua a não encaixar em mim sabes? Não te queria a fazê-lo como uma obrigação sequer, queria ver-te a fazê-lo para veres um sorriso verdadeiro quando conseguimos seguir lado a lado. Será que estou a pedir assim tanto de ti? Acho que não peço mais esforço que aquele que dou por nós.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Vamos tirar as teimas

Culpa minha, que num vislumbre de luz me apaixonei, e bela fiquei, sorrindo ao virar da esquina. Será que notaste os meus olhos brilhantes quando te olhei ao reflectir no rio? Será que reparaste como aproximei as minhas mãos de ti, para saber se tremias como eu, com a ligação que ali se criava entre nós dois? 
Não saberia dizer o que em ti me encantou naquela noite, nem nos outros tantos dias depois, e no que ainda hoje faz amolecer o meu coração e sorrir quando penso em ti, mas sei dizer que nada passou, que nada esmoreceu. O bater do meu coração brande mais alto que os ventos mais fortes que revoltam o mar, e ainda assim é mais suave que um marshmallow a derreter na tua boca. 
Quase te comparo ao sol, que me ilumina a face e me enche de felicidade, ou não ficaria eu tão bela quanto a lua quando sou o motivo do teu sorriso. 
Estou aqui, vê-me, fala-me, toca-me, vem comigo descobrir se somos reais ou se fazemos parte duma fantasia, num mundo distante deste nosso. Eu aposto que somos reais. Vamos tirar as teimas.

terça-feira, 31 de março de 2015

Medo

Tentei soprar o medo embora. O medo de não ter o teu abraço quando precisar de me aninhar, o medo da tua voz distante não chegar para me aquecer, o medo de não voltar a ter aquilo que tivemos.
Tentei secar os olhos, soprando o medo para longe, e parece tudo tão irreal agora. 
Só queria poder aninhar-me nos teus braços e dormir.
Dormir e sonhar contigo, nada mais pediria. Porque ir mais longe se teria a felicidade agarrando-me com força? 
Um dia de cada vez, dizes tu, com esse ar de certeza, de quem manda no mundo, e que tudo correrá bem. Será que saberei ser forte sozinha?

domingo, 22 de março de 2015

Observar

Percorro a tua face com os meus dedos, e a tua barba arranha-me suavemente e faz cocegas. Mas são cocegas boas e não como aquelas que me fazes só para me veres espernear meio em agonia, meio divertida. Gostas tanto de me chatear. E eu sorrio perante a brincadeira, e outras vezes amuo, e tu gostas ainda mais, seu malandro! 
Mas gosto de te ver sorrir, satisfeito, porque estou amuada mais uma vez e tu conseguiste esse objectivo estranho de mexeres comigo. Mexes comigo de formas mais prazerosas, deverias apostar nisso meu bem, eu agradecia. 
Mas tu és sempre tu, com esse jeito especial de me agarrar entre esses teus braços e me fazeres sentir em casa; tu és sempre tu, com essa cara de malandro, de quem vai fazer travessuras; tu és sempre tu, com esse teu jeito de levar um dia de cada vez e de fazeres o que te apetece a cada minuto que passa; tu és sempre tu, mesmo quando és o maior preguiçoso do mundo, e mesmo assim eu faço as coisas por ti porque não resisto a ver esse sorriso de agradecimento. 
Não me apaixonaria por ti da mesma maneira se fosses diferente. És tu que me fazes sorrir, que me fazes rir, que me fazes sentir segura, e que me fazes sentir quente e confortável. 
Percorro o teu corpo com os olhos, a forma como já colocas o braço de forma a eu me poder aninhar, com a cabeça pousada na cova do braço, já reparaste na forma como os nossos corpos já se encaixam, e como as nossas respirações estão em uníssono? 
Será que também observas como eu te olho? Será que reparas como toco a tua mão ou a tua perna, como te acaricio devagar? Como te mimo quando estás doente ou quando estás triste ou chateado? Como procuro sempre saber como estás ou se precisas de alguma coisa? Como te abraço mais forte quando vais embora, para sentir-te um pouco mais junto de mim? 
Eu reparo quando pegas a minha mão, quando a beijas, quando me beijas a cabeça, quando me elogias sem eu estar à espera, quando fazes algo sem eu pedir primeiro... 

Quero acordar a teu lado, para poder observar-te, para poder roubar esse teu jeito, que me faz tão feliz.

Mais

Queria ter mais um dia, dois, mil anos eternos para te amar.
Mais um, pedido a cada sol que se já deitou, e deixou cair a noite.
Olho o céu esperando cair uma estrela para lhe pedir o teu sorriso junto ao meu, o toque dos nossos lábios, o toque morno dos nossos corpos, e os nossos pés entrelaçados como se fossemos uma só alma.
Nem sei porque quero pedir tanto, quando já tenho o teu amor, já tenho o teu sorriso, já tenho os teus abraços, já tenho as tuas palavras doces. Nem sei porque quero sempre mais, porque não me sacia esta vontade de amar, e de ser amada. 
Mas sabe-me a pouco as longas horas que estivemos juntos quando me encontro só, neste quarto frio e desolador. Sinto um nó na garganta, e um aperto no peito,que não sinto quando escondo a minha cara contra o teu peito e me aninho como um gato preguiçoso.
Terás tu o poder especial para curar uma alma triste? Conta-me esse segredo, para ser tão grande aqui, como quando estou contigo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Segredo

Percorro o teu rosto com os olhos, e tento perceber que parte de ti me roubou a atenção no momento em que te pus a vista em cima. Não descubro qual o teu segredo para seres tão vivo e leve, mas a minha mente confidencia-me que deves ser tão leve como uma pena,que paira sem sair do mesmo sitio. 
Não te quero mal, nem tão pouco te desejo algo menos do que a maior felicidade, mas não seria fiel a mim mesma se dissesse que não te invejo um bocad(inh)o. Cansa este peso constante sobre os ombros, desta figura invisível que carrego, e que não sei como afastar. Mas quando estou contigo pareço pena leve como tu. Talvez por isso seja um pouco egoísta por te querer só para mim, por querer que me tires este peso que me prende ao chão e que me deixa sem forças para combater o dia. Parece que para mim existe uma nova lei da gravidade, que não puxa apenas o meu corpo mas também a minha vontade para o centro da terra. 
Oh bem, mas não é por isso que te procuro agora, gostava de saber esse segredo, que pareces guardar no sorriso, e que eu não consigo descodificar. Esse mesmo, de como não ter medo. De como seguir de pés assentes na terra como que dançando ao som da felicidade. 
Sorrio agora e estou relaxada, quando penso em ti, e na tua mão na minha. 
Obrigada por acreditares.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

conflito

O eterno conflito, não digo que entre o coração e o cérebro, porque de coração só nos vem o batimento, o sangue que nos corre nas veias. Mais um órgão. O cérebro não é mais um órgão, ele faz tudo, faz vez de razão e "coração", faz vez de emoção e pensamento, dá-nos e tira-nos tudo. 
Em que momento sabemos que estamos certos? Em que momento se acende a tal luz por cima da nossa cabeça iluminando o nosso caminho? Ou será que nunca sabemos? Será que caminharemos sempre às escuras? Entre o que deve estar "certo" e o sentimento de que está tudo errado? Como solucionar um sentimento de que somos errados?

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Defeito

Como nos combatemos a nós próprios? Como lidamos com as falhas que sabemos que temos e que não sabemos como controlar? Como lidar com o ódio que às vezes sentimos dentro de nós e que nos faz querer magoar-nos a nós próprios? Arrancar cada pedaço de carne, causar ainda mais dor, porque a que temos não é motivação forte para mudarmos, testar o nosso limite, ver até onde vai esse nosso lado defeituoso, sem conseguirmos para-lo.

Como nos tornamos auto-críticos?

Quem vem primeiro? Será que a primeira pedra é atirada do exterior, ou será que somos nós próprios quem a atira primeiro? Quando é que nos começamos a olhar ao espelho como seres defeituosos? Quando é que nos começa a doer quando tentamos ser simpáticos connosco próprios porque achamos que ninguém será? Será que no fundo achamos que não merecemos? ou será que no fundo ficamos tristes porque achamos que os outros acham que não merecemos? Será que temos medo de não tentar mudar se aceitarmos as nossas próprias falhas? Afinal como podemos ter compaixão por nós mesmos e aceitar que somos pessoas com falhas e ao mesmo tempo muda-las? Como ser perfeitos? Ou, deveremos ser perfeitos?

Porque é que dói achar como tudo é injusto? Que a vida é uma imensidão de sofrimento?

Como é que pode estar tudo na minha cabeça?

Tenho defeito de fabrico.

A mente

Há marcas que ficam. Há cicatrizes, e dores que vão e que voltam, como um bumerangue. 
É possível tentar esquecer, arrancar da memória é que não é tão fácil, e por isso, nunca passa do tentar. 
Quem sabe um dia as cicatrizes sarem e desapareçam da pele, e nunca mais sejam recordadas. 
Até lá, terei que me habituar com as suas intrusões em alturas inapropriadas, quando não há sequer uma altura apropriada, e tentar não enlouquecer. 
É difícil lidar com pensamentos automáticos, quando nem mesmo temos noção deles, quando os sentimentos afloram a pele, nos deixam quentes e trémulos, e não temos pistas do porquê. Mas às vezes há um insight, e boom, surgem todas as memórias dolorosas, todas as noites sem conseguir dormir, todos os dias com a mente vagando tentando solucionar as dúvidas impostas, e os gatilhos para a dor e a dúvida são agora muitos. Porque não posso apenas mexer na minha cabeça e consertar? 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Foto

Tenho uma foto nossa entre as mãos. Tento sentir o calor do teu corpo encostado ao meu e o teu cálido sopro enquanto respiras encostado a mim. Nada sinto, além do extenso ar que nos separa. Tento fechar os olhos e trazer até mim o toque da tua pele, a sensação da tua barba a arranhar-me a mão ao de leve e as tuas mãos suaves a puxar-me para ti. Também não resulta. 
É tão difícil ter-te longe quando sei o que é ter-te a meu lado, a confortar-me no meio dos pesadelos e a manter-me segura dos perigos lá fora, e dos perigos dentro do meu próprio coração. Sabes que és o único que me segura os demónios que alojam o meu pensamento e só com a tua mão na minha eu os consigo ignorar.
É difícil ser eu quando estou longe de ti. E é difícil seres tu, quando te faço ser o homem que me segura para não cair. Pudesse eu exterminar todos os demónios, e não ter mais medo de enfrentar o mundo sem te ter a meu lado, e o faria sem pensar duas vezes, só para não te por sobre tanta pressão.
Mas tens aguentado bem esse papel, tens sorrido para mim com esse sorriso que me faz sentir mais quente e feliz, os teus braços continuam a ser o meu lugar preferido, e os teus lábios o meu cálice de felicidade. 
E o meu coração bate descompassadamente, como tu já bem conheces, quando te encontra, quando nos juntamos num sôfrego suspiro, e nos deixamos levar por impulsos superiores aos pensamentos. 
É isso que quero para sempre, para nós, os nossos encontros fugazes, de loucura e perdição, quando o mundo parece deixar de rodar e o tempo parar, quando não há palavras, e a banda sonora é a nossa respiração pesada e nada mais se ouve para além disso. É isso que quero para nós, e quero também os dias em que encosto a cabeça no teu peito e me deixo estar, ouvindo o teu coração que bate lentamente, porque estamos felizes, e os dias de viagens loucas, de descobertas e aventuras, sempre a teu lado. 
Só quero descobrir contigo a beleza de viver. E nada deve ser mais belo que adormecer e acordar ao lado de quem amamos.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Luzes de natal

Enche a tua casa de luz. Faz os olhos de todos brilhar, e aquece-lhes o coração. Dá o máximo de ti, e não te afogues na tristeza dos outros, e afugenta a tua falta de ânimo. Pega na mão dos outros e espalha a magia que vai dentro do teu coração. O resto vem de seguida. 
Só hoje, finge que tudo é real.
Quem sabe, o pai natal te ofereça isso este ano.. 


domingo, 14 de dezembro de 2014

Parte, mesmo que fiques

Quero expulsar-te amor, da minha jaula sem grades. Quero que partas mesmo que fiques, e que me destruas o coração duma só vez.
Não sei viver assim, de coração inteiro, porque nunca me permiti a aprender como se faz. E hoje, a hora vai tardia e o coração ainda não partiu, e tu ainda não foste embora. Mas na minha cabeça vejo-te virar as costas com a mão noutra companhia, e a partir sem acenar.
Sofro assim, um pouco todos os dias, como esperando que, se realmente partires, não vá doer um só dia assim que fores.
Mas quem sou eu para ler mentes e adivinhar futuros amor?
Acho que sou alguém que não conseguiu aprender a ser inteiro, nem a avançar sem tropeçar.
Estou ainda a aprender a manter o equilíbrio - caminha a meu lado enquanto estiver a aprender, e não me deixes cair.