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domingo, 6 de setembro de 2015

Último ano

Estou só apavorada. Com o reboliço que retoma a cidade, com as luzes que piscam ao descer da noite, e com as multidões que agora enchem estas ruas. 
Vejo chegar o que a minha ânsia há muito sonhava, e já não sonha.
Temo, pelo mundo que deixo e pela porta prestes a bater. Mantenho o pé direito levantado, para pisar com sorte no futuro, que ainda não chegou. É agora que deixo os jeans velhos e rasgados na gaveta do fundo da cómoda, junto das tshirts, e dos tops de verão. Procuro nas montras looks sóbrios e discretos, que façam as manequins parecerem seguras de si, embora sejam bonecas. Talvez venham a esconder bem os meus tremores. 
Voltava atrás no tempo, e já não volto. Já não estou empolgada com a onda de inocentes e curiosos jovens que vêm à aventura para a já minha cidade. Já não procuro conhece-los ou fazer parte da vida deles. Eles lembram-me dum tempo que já passou, e não se vai repetir, nunca mais. 
Queria deambular pelas ruas e repetir, como da primeira vez, e um segundo depois já não quero, por me pesar o coração.
Quero parar o tempo, e ficar nesta bolha de expectativa pelo que virá, sem o tempo dela chegar. Neste momento, é ensurdecedor o barulho que o mundo faz a girar, e de tirar o folgo esta rapidez com que o tempo passa. 
Sinto que tudo está a mudar, e é tão inquietante não saber o que vai acontecer. Haverá trabalho. Haverá provas daquilo que somos capazes. Haverá choros, haverá despedidas, haverá fins. Afinal, é o último.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Luzes de natal

Enche a tua casa de luz. Faz os olhos de todos brilhar, e aquece-lhes o coração. Dá o máximo de ti, e não te afogues na tristeza dos outros, e afugenta a tua falta de ânimo. Pega na mão dos outros e espalha a magia que vai dentro do teu coração. O resto vem de seguida. 
Só hoje, finge que tudo é real.
Quem sabe, o pai natal te ofereça isso este ano.. 


sábado, 21 de dezembro de 2013

Lareira

Já não sei o que é uma lareira,
Nem o cheiro de madeira a queimar.
Não reconheço o crepitar da chama,
Esqueci como me aquecer no seu calor.

Os gritos não passaram.
Talvez só frio fique,
Nada mais que um vazio na noite,
O céu nublado como tecto.

Lá fora não oiço correntes arrastar-se,
Tudo se foi, menos a escuridão.
Talvez a isso se resuma a vida;
Ver partir quem queremos que fique,
Ver ficar quem queremos que parta.

domingo, 8 de setembro de 2013

Coimbra amada

Há uma certa nostalgia no ar. Redes sociais repletas de caloirinhos prontos a começar a faculdade. Felizes porque entraram nas instituições que desejavam, no curso dos seus sonhos. Todos os dias sinto a felicidade de estar no curso que desejo, mas já lá vão três anos, três anos que passaram a correr, e o tempo não parece abrandar.
Há três anos atrás era eu quem corria aos pulos mentalmente, e tinha o coração sobressaltado, por tanto querer vir para Coimbra. Este ano termino a licenciatura. Hoje pertenço tanto aqui, que não me consigo imaginar noutro local, nem a ter outra vida.
Contudo, já vou a meio do meu percurso por cá. É assustador o quanto o tempo passa rápido, por mais que o queiramos segurar. Coimbra é saudade. Coimbra é saudade desde o momento que deixamos de ser caloiros. Coimbra é o constante pensar de que o tempo não pára e que não podemos ficar para sempre. Coimbra é a certeza que a felicidade existe, e a incerteza de se ela durará para sempre.

"Levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra

Capa Negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo Comigo para a vida"

F R A!

domingo, 2 de junho de 2013

A dor, enterrei-a.

Eu gostava do cheiro característico ao chegar a casa, gostava do cheiro a terra molhada quando acabava de chover, gostava do cheiro das árvores na primavera, da melodia do vento nos ramos, dos pássaros a cantar. Gostava do meu canto, no meu quarto, só meu, todo aquele espaço, onde cresci, onde vivi e sobrevivi. Tantas recordações...
Sinto falta de ouvir o cão ladrar lá fora. Sinto falta de ouvi-lo arrastar a corrente na noite silenciosa. Lembro-me de como me sentia segura por te-lo ali fora, o meu guarda.
Sinto falta do cão que pulava nas minhas pernas ao meu ver.
Sinto falta dos meus gatos, de os ter todos aninhados a minha volta, na minha cama.
Sinto falta de cada um deles, duma forma que me faz doer o coração.

Quantas vezes disse que ali não era feliz, e tantas vezes que não fui, mas quantas vezes digo que não quero lá voltar, tudo o que havia lá, morreu ou desapareceu, ou já não é meu, não mais me pertence e não mais pertenço aquele lugar.
Mas porquê, porque tenho saudades?

E mais uma vez, vou esquecer esse sentimento, enterra-lo bem fundo em mim, e continuar (...)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

"Amor Vadio"

Mais uma vez chegou o dia.
E tudo mudou.
Acho que hoje chorarei por tudo aquilo que passou e tudo aquilo que um dia terá que passar.
Cada ano uma nova história. Cada ano uma nova esperança, um novo futuro, um novo brilho na alvorada.
Já nada é igual. Nada é como a primeira vez.

A intensidade desapareceu, o ano de caloiro será sempre O ano. E nada, nunca baterá aquilo que vivi e que cresci. Toda uma nova vida se formou, e há um ano atrás eu estava só a começar a minha melhor semana,  teve os seus altos e baixos, como a vida, mas dela tirei a maior lição de vida que tive até hoje, e descobri aquilo que era a verdadeira paixão. Soube o que foi amor à primeira vista, e os dois meses seguintes foram de coração cheio. 
Hoje, hoje não tenho o coração cheio, tenho o coração meio cheio, meio vazio. Falta algo, como faltava algo há um ano atrás. Hoje ainda me questiono de como, como pode a vida dar e tirar? E como pode ela esperar que vivamos como se o coração nunca tivesse estado vivo e a transbordar? Como pode ela esperar que as recordações fiquem e não magoem? 
As manhãs acordam menos brilhantes, e o som da Cabra está mais distante. 
As noites são mais frias, e o aconchego foge, não toca as pontas dos dedos.

Faz um ano que vesti a Capa e Batina.
Faz um ano que fugi de quem me queria, que me tentei refugiar não sabia onde. Fugi porque magoava, e encontrei-me em quem fugiu de mim.
Hoje quero fugir de novo, e ninguém encontrar. Quero vaguear sozinha sem rumo, ao frio e ao vento, chuva se a houver, porque é assim que chora o meu coração.

terça-feira, 26 de março de 2013

Abraços à chuva

É estranho sentir de novo o teu cheiro e uma saudade brotar-me do peito.
Poderia ter chorado. Mas chorar porquê? Com que razão? Questionei-me e não chorei, por não saber a resposta.
A tristeza invadiu-me, uma tristeza doce, que eu não soube explicar.

[Não me incomoda admitir a ignorância que tenho sobre os meus próprios sentimentos. incomoda-me mais o que sei.
Nada é assim tão inevitável mas, quando nos conhecemos, como impedir algo que não queremos fazer mas que sabemos que iremos fazer?]

Gosto de ti, mas não sei quanto nem até quando.
Talvez não nos devêssemos ter conhecido.

domingo, 30 de dezembro de 2012

As quatro paredes.

Carrego um peso no coração.
É sempre bom regressar a casa, mas quando não temos mais casa, para onde regressamos?
Quando pertencemos ao mundo, e somos vagabundos nas suas ruas, não há fogo que não se apague pelo vento gelado que vem do norte, do sul, de todas as direcções.
Não há onde nos escondermos, nem o conforto de quatro paredes, um espaço a que chamar de nosso.

sábado, 20 de outubro de 2012

Queria ser correspondida, mais uma vez

Hoje sinto-me nostálgica e vou dirigir-me a ti que já saíste da minha vida:
Já lá vão uns meses, desde aquele dia em que te conheci. 
Hoje, como há outros (quase) tantos meses, mantenho o "adeus", ao teu intermitente "até um dia". 

Quando te conheci, pensei seres a pessoa certa. Primeiro, quis manter os pés assentes na terra.Não criei sonhos em relação a nós. Serias simplesmente um amigo. Um amigo muito parecido comigo, uma pessoa tão semelhante, como não me lembrava de antes ter encontrado. Era capaz de estar tempos e tempos a falar contigo. Depois, quebraste-me as barreiras com as tuas palavras. Não consegui resistir. Não quereria resistir mesmo que conseguisse.
Mas um dia tudo tende a acabar, e nós acabámos muito cedo. Ainda estava a começar a saborear o teu calor junto a mim, a habituar-me à tua "presença". Por breves momentos, quando me desiludiste e fugiste de mim dum momento para o outro, quando eu pensava que já nem eu ia fugir de nós, garanti que nunca te deveria ter conhecido. Foi por breves momentos. 
Agora, não digo estar apaixonada por ti. Não estou. Somos meros desconhecidos. Não trocamos palavras, apesar de eu já ter tentado uma aproximação. Queria a tua amizade, porque eu realmente gostava de ti. Talvez daqui a uns dias, talvez daqui a uma semana, talvez te volte a dizer "olá". Mas admito que foi bom conhecer-te. Foi bom saber a sensação de conhecer a pessoa quase perfeita para mim. Digo "quase" porque não eras a pessoa perfeita. Mas ainda hoje eu recordo aquilo porque passámos e sei que gostava de repetir. Não contigo, nem de igual forma. Mas gostava de voltar a sentir que a pessoa seria perfeita para mim. Que encaixávamos como duas peças únicas para completar um puzzle, e lhe dar sentido. Que eu queria tanto como a outra pessoa formar um "nós". Sim, acho que no fundo posso dizer que é disso que sinto falta. Sinto falta de partilhar interesses. Sinto falta de partilhar as visões. Sinto falta de ser correspondida. Posso quase dizer, que não é de ti que sinto falta, mas sim do que tivemos. Foi tudo muito rápido. Um amor condenado desde o inicio, que mesmo assim lutou durante uns tempos contra as adversidades. E quando desististe, eu quis culpar as circunstancias. Talvez seja por isso que parece tão perfeito. Nunca houve uma discussão. Nunca um desentendimento. Foi tudo demasiado repentino, e hoje tendo a só me lembrar do que de bom se passou entre nós. Talvez seja um erro, mas não sei vê-lo de outra forma.

Não és só tu que te apaixonaste por outra. Eu, que já antes tinha sentido algo de especial por alguém, depois de me deixares voltei a sentir por essa pessoa. Mas essa pessoa, essa pessoa não olha para mim da mesma forma. E sabes o quanto isso é crucial? Sabes o quanto é crucial para mim ser correspondida? Só quando me sinto correspondida abro o meu coração totalmente. É por isso que ainda hoje penso em ti, e naquilo que senti. Porque para ti abri o meu coração sem reservas. E apesar de me teres virado as costas, e de hoje não falarmos, ainda lembro quando reservavas sorrisos só para mim.