Aqui estou eu, acordada na madrugada sem festa. Na escuridão que ficou depois de uma semana de folia.
Inevitável o choro que me assolou por entre trinar de cordas, por entre a melodia do bater dos sapatos nas calçadas, e da chuva lavando o rosto. Para recordar aqueles fortes abraços a pessoas que foram tudo, a pessoas que nos fizeram rir, e até a alguns desconhecidos que passavam e desejavam sorte. Por entre toda aquela festa, foi Saudade que Coimbra gritou mesmo antes de eu partir.
Sinto que é cedo para deixar esta vida de estudante que tanto gosto me deu viver. Desde as festas até de manhã, até às noitadas de estudo com a melhor amiga.
Coimbra deu-me pessoas. Pessoas que me ensinaram sempre alguma coisa. Que me fizeram aprender. E por mais memórias e aprendizagens, é sempre pouco o tempo que estive com elas.
Ainda não chegou o momento de partir e o meu coração apertado já teme o futuro. Questiona-se se as amizades serão apenas de distância até que um dia se perdem, e sente já a falta destas pessoas que preencheram uma vida. Questiona-se sobre a entrada no mercado de trabalho, sobre a necessidade de ter um emprego, de trabalhar, e surge a questão "será que serei capaz". Questiona-se sobre os novos desafios de que nada sabe, é só quer ficar mais um pouco nesta casa, neste lar, com esta família.
Sente que nunca será tão feliz como aqui.
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sábado, 14 de maio de 2016
sábado, 24 de outubro de 2015
Outono
Por vezes deparo-me com a duvida. Se fui eu que desisti. Se fui eu que errei quando quis mais. Se fui eu que causei a dor, para depois fugir dela, e de ti.
Por vezes sinto-me culpada, por no reboliço do quotidiano não ter tempo para pensar em ti e me permitir ser feliz. E outras vezes critico-me por me deixar sentir um pouco de saudades tuas, porque sei que vai doer mais.
Estou nesta ponte, entre o verão e o inverno, com dias de sol e dias de chuva. Não quero esquecer-te pela importância que tiveste na minha vida. Não quero lembrar-te pela dor que vem de mão dada contigo.
Não quis deixar-te mal, nem abandonar-te para veres cair as folhas sozinho. Dói-me como decidi partir, quando queria tanto que me pedisses para ficar. Mas não quiseste olhar para trás, e sinto que tomei por ti a decisão que talvez nem estivesses bem certo de querer. Não sei, porque comunicação não foi o teu forte.
O tango dança-se a dois. E tu já não querias dançar. O outono chegou. e o vento será melhor dançarino que tu.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Dor
Dói ainda, por demais, este "eu sem ti", quando ainda em sonhos me surges, me maltratas e me deixas só e lavada em lágrimas. Dói, como ontem, e o fizeste e te foste, e em repeat me massacras agora em sonhos. Não dói por te querer deste jeito, mas por te querer do jeito meigo a que um dia me habituaste, e por tu não quereres mais. Dói pela culpa que o teu olhar me incute quando a tua imagem passeia pelos cantos das minhas memórias. Dói pelas palavras ásperas, e pelos silêncios cortantes que me lançaste como armas de defesa, quando eu nunca te ataquei. Dói por saber que seguirás a tua vida sem o peso que carrego no peito, e me arrasto pelo chão. Dói saber que no fim, fiz isto mais por ti que por mim, e ainda hoje me questiono como estarás e se a tua vida está a seguir o caminho que pretendias. Dói saber que nenhum de nós estava feliz, mas que só eu tentei dar-te a felicidade. Dói saber que não cheguei. Que não fui suficiente. Dói saber que me fui anulando, que joguei fora expectativas e necessidades para dar lugar às tuas, e que por isso hoje tenho um caminho mais longo a percorrer para voltar a mim. Dói saber que doeu por longo tempo, mas me mantive na dor com esperança que desse lugar de novo à felicidade.
Hoje, sorrio na esperança que a felicidade volte, e engano a dor por uns momentos esquecendo que a parte que de mim partiu para dar espaço a ti, está agora vazia.
Engano o mundo com o meu sorriso, mas as estrelas sabem a mágoa que te carrego e o amor que ainda tinha para te dar.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Ponte velha
Caminho nesta ponte de pedra. Tem buracos, e é já antiga, e eu bem sei como tenho medo de alturas. Deixo o pé beijar a morte, e o olhar segue em frente enquanto caminho e enfrento o vento que me quer deitar ao chão. Seguiria facilmente por outro caminho, onde não tivesse medo, mas que seria eu além duma cobarde?
São dias, que esta ponte leva a atravessar, e eu não sei se vou tropeçar, ou se vou chegar ao fim intacta. Mas tenho que aceitar com bravura a minha demanda, "o que não nos mata torna-nos mais fortes". Há um suspiro a cada dez passos dados sem parar, e eu paro com medo onde colocar o pé a seguir. Já não sei onde o colocar, enquanto já não posso voltar atrás.
Envolta em névoa, não vejo onde passo ou o que me rodeia. Não vejo o fim do caminho, nem se ele algum dia será mais que um precipício. Não terá a ponte desabado em algum momento?
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Insatisfação
Já sei que tenho que te deixar ir na tua, sem travões ou novas direcções. Sei que tens o caminho traçado, e não admites um pequeno desvio. Bem que tento acompanhar-te ao longo da estrada, nessa tua correria que sempre te deixa distante de mim. Tento seguir sorrindo sempre atrás,e por vezes deslizo e lá te peço para abrandares e seguires ao meu ritmo. Não me parece mais uma vez. E mais uma vez a tua paciência se esgota desse teu lado fervendo e espumando,e já estás farto de me dizer que o teu ritmo é o mais certo. Mas esse teu ritmo continua a não encaixar em mim sabes? Não te queria a fazê-lo como uma obrigação sequer, queria ver-te a fazê-lo para veres um sorriso verdadeiro quando conseguimos seguir lado a lado. Será que estou a pedir assim tanto de ti? Acho que não peço mais esforço que aquele que dou por nós.
domingo, 22 de março de 2015
Mais
Queria ter mais um dia, dois, mil anos eternos para te amar.
Mais um, pedido a cada sol que se já deitou, e deixou cair a noite.
Olho o céu esperando cair uma estrela para lhe pedir o teu sorriso junto ao meu, o toque dos nossos lábios, o toque morno dos nossos corpos, e os nossos pés entrelaçados como se fossemos uma só alma.
Nem sei porque quero pedir tanto, quando já tenho o teu amor, já tenho o teu sorriso, já tenho os teus abraços, já tenho as tuas palavras doces. Nem sei porque quero sempre mais, porque não me sacia esta vontade de amar, e de ser amada.
Mas sabe-me a pouco as longas horas que estivemos juntos quando me encontro só, neste quarto frio e desolador. Sinto um nó na garganta, e um aperto no peito,que não sinto quando escondo a minha cara contra o teu peito e me aninho como um gato preguiçoso.
Terás tu o poder especial para curar uma alma triste? Conta-me esse segredo, para ser tão grande aqui, como quando estou contigo.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Necessidades
É a cabeça que pesa, e o estômago que dá voltas. Os dentes que cerras quando tentas controlar os teus pensamentos, e a tristeza que te apanha, só porque não os consegues controlar. Porque precisas de algo, que não consegues dar a ti própria, Paz, companhia, conforto. Onde se arranjam coisas assim? Como damos a nós próprios aquilo que precisamos?
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Silêncio
É uma tempestade, de vento chuva neve e frio. Gela-te até aos ossos, que já nem sabes se te pertencem, já nem sabes se pertences a este mundo, tão enevoado aos teus olhos, Será que te vais agora? Ou será que ficas mais um pouco?
"Porque não ficas?" exclama um mundo travesso para ti. "Há tantas possibilidades..." diz ele, rindo nas tuas costas enquanto te prepara a próxima partida. "dá me a tua mão e eu ajudo-te a levantar" enquanto te esforças para levantar uma mão que parece já não ser tua, e tem a vontade própria de permanecer no chão. E o mundo vai embora rindo entre dentes "Já que não queres ajuda fica então aí". e ficas só.
Não te importas de estar só. Às vezes esqueces-te do medo da escuridão e sentes-te bem em silêncio. Gostavas que calasse também os teus pensamentos, como pessoas que riem de ti enquanto te observam ai deitado no chão frio e molhado de olhos baços sem vontade de levantar. Poderás ficar tu aí eternamente enquanto se riem de ti, ou será que os fantasmas seguirão a sua vida, e tu ficarás finalmente no silêncio que buscas? Acho que a procura da felicidade é a procura de um mundo sem dor.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Tempo
Pouso as mãos no colo. Luto há horas para distrair a minha mente, mas ainda não parei de contar o tempo passar. Estou esgotada com essa simples tarefa, o tempo é uma coisa curiosa quando se toma atenção nele. Na verdade ele não passa rápido, mas se ninguém o contasse eu diria que tinha estado parada desde que o comecei a contar.
Desisto agora de distrair a minha mente desta tarefa tão esgotante, e dedico-me apenas a ela. E questiono-me se é assim que quero passar os meus dias, a contar tempo, a ouvir o tic-tac do relógio que ele mesmo me deu.
Desisto de pensar por agora, e concentro-me nas minhas emoções. Sentir o tempo passar por mim deixa-me com um frio na barriga, deixa-me arrepiada e um pouco tremula. Não gosto do que sinto. Mas e daí tinha decido não pensar e só sentir. Mas quero fugir destas emoções.
Quero fugir do tempo, quero fugir desta minha nova tarefa, mas o tic tac está muito alto e não larga a minha cabeça.
Desisto(?)
Desisto agora de distrair a minha mente desta tarefa tão esgotante, e dedico-me apenas a ela. E questiono-me se é assim que quero passar os meus dias, a contar tempo, a ouvir o tic-tac do relógio que ele mesmo me deu.
Desisto de pensar por agora, e concentro-me nas minhas emoções. Sentir o tempo passar por mim deixa-me com um frio na barriga, deixa-me arrepiada e um pouco tremula. Não gosto do que sinto. Mas e daí tinha decido não pensar e só sentir. Mas quero fugir destas emoções.
Quero fugir do tempo, quero fugir desta minha nova tarefa, mas o tic tac está muito alto e não larga a minha cabeça.
Desisto(?)
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Veritas
Ela caminhava pela sombra olhando o chão. Não via na verdade onde pisava, por ter a cabeça noutro lugar. Havia alguns anos que estava presa numa teia que começou como um jogo, ao qual ela nunca soube jogar. Melhorou ao longo dos anos, tornou-se mais cuidadosa nas peças jogadas, e aprendeu por fim a perder, enquanto fingia ganhar.
Os caminhos já não eram os mesmos, mas a sensação sim, a cabeça pesada e o coração apertado.
Levantou os olhos quando chegou ao seu destino e encontrou-o sentado. Sorridente, como desde o primeiro dia que o vira, e já fazia tanto tempo. Talvez uma ou outra ruga tivesse surgido, mas ela não reparava em nenhuma diferença, era como voltar atrás no tempo.
Ela não se sentou, e manteve a distância. Ele não a questionou, e o olhar mostrava compreensão. Reconstruíram juntos memórias já com falhas, eram músicas, toques, olhares encontrando-se na multidão, mágoas antigas. Ela despejou o coração pela boca, abriu o jogo bem na sua frente, porque quem perde um dia desiste de jogar, e foi se sentindo mais leve, como se o fingimento dos anos lhe pesassem nos ombros.
Despediram-se com um abraço, de quem lamenta não poder começar tudo de novo sem os erros cometidos, mas separaram-se aí mais uma vez.
Ela sabe que o jogo está na fase final, mas ainda procura um sinal nas entrelinhas de que ele se sinta tal como ela.
Queria fazer mais, mas era tarde para ela, e por fim, guardou só para si que a única coisa que sempre quisera era chegar ao seu coração.
domingo, 22 de junho de 2014
Arrancar tudo de mim
Quando perceberás que por ti arrancava tudo de mim?
Arrancava cada mancha que não gostasses, arrancava cada piada de que não risses, arrancava cada som que não quisesses ouvir, arrancava cada mecha de cabelo que não achasses bonita, arrancava cada defeitozinho meu que te irritasse, arrancava cada lágrima que não consigo impedir de cair e que tu chamas de injusta, arrancava cada suspiro de aborrecimento, arrancava cada grito de desespero e cansaço.
Estou cansada de sangrar sem parar nas minhas parcas tentativas de arrancar o que não é possível. Eu arrancava tudo o que me pedisses, mas apesar das feridas abertas, nada sai, apenas sangro sem término. Desculpa-me por não fazer mais por ti, mas enquanto tento arrancar tudo o que tenho esqueço-me do que um dia nos juntou ou do que sequer hoje ainda nos junta. E recordo me apenas que duas pessoas devem aceitar-se mas também lutar para que ambos sejam felizes. Em que momento as opiniões de um começaram a ser mais importantes que a de outro?
Por mim, e não por ti, arrancava o coração e entregava-to em mãos, e seguia sozinha sem virar costas só para não ter que sangrar continuamente. Desculpa se não consigo arrancar de mim o que não gostas, enquanto não arrancas nada de ti.
Por agora, não sei a fórmula para arrancar um coração e continuar a viver. Acho que terei que adiar.
Arrancava cada mancha que não gostasses, arrancava cada piada de que não risses, arrancava cada som que não quisesses ouvir, arrancava cada mecha de cabelo que não achasses bonita, arrancava cada defeitozinho meu que te irritasse, arrancava cada lágrima que não consigo impedir de cair e que tu chamas de injusta, arrancava cada suspiro de aborrecimento, arrancava cada grito de desespero e cansaço.
Estou cansada de sangrar sem parar nas minhas parcas tentativas de arrancar o que não é possível. Eu arrancava tudo o que me pedisses, mas apesar das feridas abertas, nada sai, apenas sangro sem término. Desculpa-me por não fazer mais por ti, mas enquanto tento arrancar tudo o que tenho esqueço-me do que um dia nos juntou ou do que sequer hoje ainda nos junta. E recordo me apenas que duas pessoas devem aceitar-se mas também lutar para que ambos sejam felizes. Em que momento as opiniões de um começaram a ser mais importantes que a de outro?
Por mim, e não por ti, arrancava o coração e entregava-to em mãos, e seguia sozinha sem virar costas só para não ter que sangrar continuamente. Desculpa se não consigo arrancar de mim o que não gostas, enquanto não arrancas nada de ti.
Por agora, não sei a fórmula para arrancar um coração e continuar a viver. Acho que terei que adiar.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Sem titulo.2
O tiquetaque marca um tempo, um tempo semi-esquecido.
Parei, talvez. Ou ele andou sem mim. Queria eu, que ele fosse embora, e me deixasse.
Talvez num mundo sem tempo não se chorasse nem risse. Talvez num mundo sem tempo eu não me cansasse de viver. É assim que me descrevo, uma cansada, não sei bem de quê, não sei se da vida.
Talvez sem tempo eu não me deixasse cair. Cair por vezes em abraços sem querer, cair por vezes no vazio. Talvez cair fosse proibido, talvez, só talvez eu não chorasse por dentro como choro agora.
Sem tempo talvez não pensasse.
Sem tempo talvez não existisse, e isso seria tão bom agora.
quarta-feira, 12 de março de 2014
"afinal não querer"
Odeio nãos.
Odeio o "nao posso" , odeio o "nao vou".
Odeio o "afinal", que nos prepara para uma mudança.
Odeio principalmente o "afinal não" que nos tira um chão.
Odeio a expectativa, odeio a espera de algo que não se concretiza, odeio querer.
No fundo, odeio mesmo querer.
A felicidade não é um objecto, nem é algo que se possua continuamente. A felicidade há agora, e pode não haver um minuto depois, a felicidade é escorregadia.
Há alguns "afinal não" que nos destroem um sonho, por mais pequeno que ele seja.
É mau querer, é mau querer e pensar que será essa a realidade. É mau querer quando a realidade muda, e não nos dá. É mau querer simplesmente porque querer nos deixa frageis, e inseguros, nos coloca num chão incerto e num caminho imprevisível.
É mau deixar andar, é mau pensar o que nos dói, e no quanto o queremos esconder. É mau desistir. É mau não poder querer mais.
Fosse possível deixar o corpo e viver noutro mundo, e eu so escolheria um sitio onde nada se quisesse.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Hóstil
Procura-me num dia em que não faça sol.Procura-me quando te terminar a felicidade e descobrires que o mundo é um local solitário.
Não me procures nunca. Ou terás que percorrer locais sombrios para chegares a mim. Vem depois de enfrentares os teus medos. Vem depois de combateres os teus problemas. E chega arrasado pelo caminho. Há morcegos por estes lados, porque a escuridão é maior que a vida.
Se quiseres vem. Mas não venhas para ser feliz.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
A velha caixa fechada com uma fita de seda
A rotina era sempre a mesma. Ela chegava a casa e pousava as preocupações em cima da mesa do hall de entrada. iria pega-las noutra altura.
Sentava-se à mesinha junto à janela com vista para o mar. Uma caneca de café quente e uns bolinhos de chocolate, receita secreta da mãe.
Olhava para o mar durante uns dez minutos enquanto saboreava o café e aquecia as mãos na chávena escaldante.
Era Inverno, e chovera durante duas semanas seguidas. O sol parecia um milagre nesse dia. Com sorte veria um por-do-sol sem uma nuvem que o arruinasse. Como ela gostava do por-do-sol na praia, de ver o sol desaparecer no horizonte tão lentamente, provar que o mundo não pára um único segundo.
Então chegava a hora de pegar nas folhas brancas por escrever e na sua caneta preferida, a primeira que lhe tinham oferecido.
Ela escreva cartas, sempre destinadas à mesma pessoa. Eram cartas de amor. Descrevia o sentimento que carregava no peito, que a fazia chorar lágrimas salgadas, como o mar que via bravo e zangado.
Mas ela não estava brava nem zangada. Uns dias estava triste e deixava as marcas das lágrimas na carta. Noutras estava feliz, e era a única ocasião em que pintava os lábios de vermelho e deixava a sua marca em jeito de despedida.
Nunca colocou destinatário, e guardava as cartas numa caixa velha de sapatos, fechada com uma fita de seda.
Eram para um amor antigo, uma daquelas paixões arrebatadoras. Que não deram certo.
Sabia o seu nome de cor, e a morada era fácil de arranjar, mas apesar de sempre que fechava uma nova carta dizer para si que um dia as enviaria, sabia que elas ficariam na caixa, ou seriam atiradas ao mar que a assistia a escrever.
Ela tivera outras paixões mais tarde.
Mas tinha agora trinta anos, e escrevia apenas para uma.
Sentava-se à mesinha junto à janela com vista para o mar. Uma caneca de café quente e uns bolinhos de chocolate, receita secreta da mãe.
Olhava para o mar durante uns dez minutos enquanto saboreava o café e aquecia as mãos na chávena escaldante.
Era Inverno, e chovera durante duas semanas seguidas. O sol parecia um milagre nesse dia. Com sorte veria um por-do-sol sem uma nuvem que o arruinasse. Como ela gostava do por-do-sol na praia, de ver o sol desaparecer no horizonte tão lentamente, provar que o mundo não pára um único segundo.
Então chegava a hora de pegar nas folhas brancas por escrever e na sua caneta preferida, a primeira que lhe tinham oferecido.
Ela escreva cartas, sempre destinadas à mesma pessoa. Eram cartas de amor. Descrevia o sentimento que carregava no peito, que a fazia chorar lágrimas salgadas, como o mar que via bravo e zangado.
Mas ela não estava brava nem zangada. Uns dias estava triste e deixava as marcas das lágrimas na carta. Noutras estava feliz, e era a única ocasião em que pintava os lábios de vermelho e deixava a sua marca em jeito de despedida.
Nunca colocou destinatário, e guardava as cartas numa caixa velha de sapatos, fechada com uma fita de seda.
Eram para um amor antigo, uma daquelas paixões arrebatadoras. Que não deram certo.
Sabia o seu nome de cor, e a morada era fácil de arranjar, mas apesar de sempre que fechava uma nova carta dizer para si que um dia as enviaria, sabia que elas ficariam na caixa, ou seriam atiradas ao mar que a assistia a escrever.
Ela tivera outras paixões mais tarde.
Mas tinha agora trinta anos, e escrevia apenas para uma.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Impede-me resignação, não tarde demais
Agarro-me à tábua que flutua,
Esqueço-me dos dias e das horas-
o espaço, é infinito.
Abalo a fé, e as esperanças,
abalo o mundo inteiro
com a mão escorregando,
com a água me balançando
num oceano que criei.
O mar está bravo,
posso largar a tábua
ser engolida pela agitação
dissolver-me em espuma
ir abaixo na tormenta
ser enrolada na anarquia.
A desordem está em mim:
Um oceano infinito,
No meu âmago.
Que não pode sair
e me afoga.
Se pudesse ao menos chora-lo...
Esqueço-me dos dias e das horas-
o espaço, é infinito.
Abalo a fé, e as esperanças,
abalo o mundo inteiro
com a mão escorregando,
com a água me balançando
num oceano que criei.
O mar está bravo,
posso largar a tábua
ser engolida pela agitação
dissolver-me em espuma
ir abaixo na tormenta
ser enrolada na anarquia.
A desordem está em mim:
Um oceano infinito,
No meu âmago.
Que não pode sair
e me afoga.
Se pudesse ao menos chora-lo...
Até já, mais uma vez
Gosto de me sentar na beira da tua cama e apenas olhar. Olhar-te, enquanto te moves pelo quarto, procurando ou fazendo alguma coisa. Mas hoje sento-me na beira da minha, e não te vejo. Está escuro, mas também não te sinto nem posso procurar a tua mão debaixo dos lençóis. Sei que chamar o teu nome é uma acção em vão, não responderás, não te chegarás a mim e me aconchegarás nos teus braços até o frio ir embora, nem acenderás uma vela para termos luz suficiente para nos olharmos enquanto encostamos os nossos corpos e as nossas caras sob um tecto sem estrelas, mas debruçados sobre um campo de emoção, e cobertos por um amor do qual sabemos tão pouco ainda e sem fim conhecido.
Hoje não haverá risos "gozões" da tua parte, nem risos histéricos da minha, a quebrar o silêncio, que já me preenche por dentro. Não haverá festas na cara ou beijos no braço, ou festas no braço ou beijos na cara, quando a ausência de toque entre nós se torna a mim insuportável. Não caminharei descalça no chão frio por mais uma vez não saberes onde param os chinelos que usámos minutos atrás, nem te lavarei a louça porque a tua preguiça é rei do sítio distante de onde vens.E não sorrirás para mim, não sorrirás e não me levantarás no ar, nem pegarás na minha mão para dançarmos sem outra música que não a do teu coração.
Porque hoje foi dia de voltar a casa.
Já tive a oportunidade de te sonhar desde que te deixei esta tarde, ou desde que me deixaste esta tarde, é confuso quem deixa quem, como foram os meus sonhos, mais confusos que quaisquer outros, abstractos e sobrepostos, numa realidade um pouco ou tanto alternativa. Parti frustrada. Não tive tempo de te abraçar e de te beijar como desejava. Foi uma correria o dia de hoje, e reprimindo as lágrimas, que mais que uma vez, e por razões já esquecidas, se quiseram libertar esta semana, coloquei o sorriso mais bonito que consegui e te disse adeus por mais uns dias, um "até já" que dói, porque não enchi todo o meu ser da tua energia, da tua presença, da tua alegria contagiante, do teu sorriso e do teu abraço. Hoje parti menos eu, e assim que virei as costas senti esvaziar-me, senti a vida a fluir para o exterior, o ar tornou-se rarefeito, e quase perdi o fôlego e o equilíbrio enquanto caminhava na direcção contrária à tua. Já me desembaracei de algumas lágrimas entre o calor esquisito dos cobertores e a música arrepiante.
Assusta-me esta intensidade com que te sinto, o quanto me completas. Se um dia tiver que te dar um adeus eterno, poderei perder-me, num espaço desconhecido, num local assustador, num local sem saída. Temo sem ti nunca mais voltar a ser a mesma. Se um dia partires, levarás de mim a melhor parte.
Pink Floyd - Wish You Were Here
Hoje não haverá risos "gozões" da tua parte, nem risos histéricos da minha, a quebrar o silêncio, que já me preenche por dentro. Não haverá festas na cara ou beijos no braço, ou festas no braço ou beijos na cara, quando a ausência de toque entre nós se torna a mim insuportável. Não caminharei descalça no chão frio por mais uma vez não saberes onde param os chinelos que usámos minutos atrás, nem te lavarei a louça porque a tua preguiça é rei do sítio distante de onde vens.E não sorrirás para mim, não sorrirás e não me levantarás no ar, nem pegarás na minha mão para dançarmos sem outra música que não a do teu coração.
Porque hoje foi dia de voltar a casa.
Já tive a oportunidade de te sonhar desde que te deixei esta tarde, ou desde que me deixaste esta tarde, é confuso quem deixa quem, como foram os meus sonhos, mais confusos que quaisquer outros, abstractos e sobrepostos, numa realidade um pouco ou tanto alternativa. Parti frustrada. Não tive tempo de te abraçar e de te beijar como desejava. Foi uma correria o dia de hoje, e reprimindo as lágrimas, que mais que uma vez, e por razões já esquecidas, se quiseram libertar esta semana, coloquei o sorriso mais bonito que consegui e te disse adeus por mais uns dias, um "até já" que dói, porque não enchi todo o meu ser da tua energia, da tua presença, da tua alegria contagiante, do teu sorriso e do teu abraço. Hoje parti menos eu, e assim que virei as costas senti esvaziar-me, senti a vida a fluir para o exterior, o ar tornou-se rarefeito, e quase perdi o fôlego e o equilíbrio enquanto caminhava na direcção contrária à tua. Já me desembaracei de algumas lágrimas entre o calor esquisito dos cobertores e a música arrepiante.
Assusta-me esta intensidade com que te sinto, o quanto me completas. Se um dia tiver que te dar um adeus eterno, poderei perder-me, num espaço desconhecido, num local assustador, num local sem saída. Temo sem ti nunca mais voltar a ser a mesma. Se um dia partires, levarás de mim a melhor parte.
Pink Floyd - Wish You Were Here
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