domingo, 8 de novembro de 2015

Sem titulo

Tinha uma caixinha no fundo do quarto. Para onde fugia quando o mundo era triste. Lá eu saltava, sorria, vivia. Como em criança, no meu mundo mágico. Escolhia quem era, o que fazia... só entrava quem eu queria. 
Um dia essa caixinha rachou, partiu, ficou um caco. Não tinha mais para onde fugir. Tentei cola-la, repara-la, não desistir... Tentei viver lá, mesmo assim. Mesmo estragada, sem reparação. Cravou-se uma ripa no meu coração. 
Sem ter mais para onde fugir, deixei a infância ir embora. Vou enfrentar o mundo lá fora.

Há tempos que passam.

Há um tempo de abandono. 

Abandono do sol e do calor. Abandono da casa que nos conforta. Abandono das ruas conhecidas. Abandono do toque das peles. Abandono das trocas de olhares. Abandono dos risos ecoando em salas cheias de vida.

Há um tempo de entrega.

Entrega à dor de uma alma só. Entrega às lágrimas contidas naquele nó na garganta, que não se quer desatar. Entrega ao silêncio que aumenta o volume das vozes na nossa cabeça. Entrega ao cansaço e ao sono.

Há um tempo de aceitação.

Aceitação dos dias cinzentos. Aceitação da noite, e da ausência de luz. Aceitação do frio, do tremor. Aceitação da desmotivação que nos faz arrastar os pés sem vontade de seguir em frente. Aceitação das falhas. Aceitação de um mundo fechado... de um mundo injusto... de um mundo imperfeito.
Aceitação da tristeza.

sábado, 24 de outubro de 2015

Outono

Por vezes deparo-me com a duvida. Se fui eu que desisti. Se fui eu que errei quando quis mais. Se fui eu que causei a dor, para depois fugir dela, e de ti. 
Por vezes sinto-me culpada, por no reboliço do quotidiano não ter tempo para pensar em ti e me permitir ser feliz. E outras vezes critico-me por me deixar sentir um pouco de saudades tuas, porque sei que vai doer mais.
Estou nesta ponte, entre o verão e o inverno, com dias de sol e dias de chuva. Não quero esquecer-te pela importância que tiveste na minha vida. Não quero lembrar-te pela dor que vem de mão dada contigo.
Não quis deixar-te mal, nem abandonar-te para veres cair as folhas sozinho. Dói-me como decidi partir, quando queria tanto que me pedisses para ficar. Mas não quiseste olhar para trás, e sinto que tomei por ti a decisão que talvez nem estivesses bem certo de querer. Não sei, porque comunicação não foi o teu forte. 
O tango dança-se a dois. E tu já não querias dançar. O outono chegou. e o vento será melhor dançarino que tu.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Dor

Dói ainda, por demais, este "eu sem ti", quando ainda em sonhos me surges, me maltratas e me deixas só e lavada em lágrimas. Dói, como ontem, e o fizeste e te foste, e em repeat me massacras agora em sonhos. Não dói por te querer deste jeito, mas por te querer do jeito meigo a que um dia me habituaste, e por tu não quereres mais. Dói pela culpa que o teu olhar me incute quando a tua imagem passeia pelos cantos das minhas memórias. Dói pelas palavras ásperas, e pelos silêncios cortantes que me lançaste como armas de defesa, quando eu nunca te ataquei. Dói por saber que seguirás a tua vida sem o peso que carrego no peito, e me arrasto pelo chão. Dói saber que no fim, fiz isto mais por ti que por mim, e ainda hoje me questiono como estarás e se a tua vida está a seguir o caminho que pretendias. Dói saber que nenhum de nós estava feliz, mas que só eu tentei dar-te a felicidade. Dói saber que não cheguei. Que não fui suficiente. Dói saber que me fui anulando, que joguei fora expectativas e necessidades para dar lugar às tuas, e que por isso hoje tenho um caminho mais longo a percorrer para voltar a mim. Dói saber que doeu por longo tempo, mas me mantive na dor com esperança que desse lugar de novo à felicidade. 
Hoje, sorrio na esperança que a felicidade volte, e engano a dor por uns momentos esquecendo que a parte que de mim partiu para dar espaço a ti, está agora vazia. 
Engano o mundo com o meu sorriso, mas as estrelas sabem a mágoa que te carrego e o amor que ainda tinha para te dar.

sábado, 3 de outubro de 2015

Partir

Queria voltar para o teu abraço, pegar de novo na tua mão e morar no teu peito. Queria que voltasses a dançar comigo na cozinha, e me abraçasses de surpresa, e mais um beijo fogoso ao cair da noite e ao raiar da manhã. Mas apagaste a chama e eu não a consegui acender de novo com as minhas acendalhas velhas. Dizem que amar é também deixar partir. Então porque é que dói tanto?

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Empatia

Poderia sentar-me sozinha num banco de jardim, em dia solarengo, com os pássaros a chilrear. Ainda assim a minha mente voaria até ti, questionando se pensarias em mim, ou sonharias comigo essa noite. Poderia fechar os olhos e quase instantaneamente reviver os momentos que me fizeste sorrir, e escolher não pensar em nenhum momento que entristeceste o meu coração, fingir que nunca caíram lágrimas dos meus olhos por tua causa, e deixar confundir o calor do sol com essas memórias.
poderia fundir-me com o tempo, e fazer parte daquele lugar, mas sem que deixasses de fazer parte de mim. Dói a empatia em que te enlaço, e não consigo senão perdoar-te pelas dores que já me deste, e deixar-te continuar nesse caminho que escolheste fazer à minha frente. Eu estou aqui, esperando que regresses da aventura, como um menino explorador, para te limpar o pó do rosto.
Se te perdoo a ti, porque não perdoar-me a mim mesma? 

domingo, 6 de setembro de 2015

Último ano

Estou só apavorada. Com o reboliço que retoma a cidade, com as luzes que piscam ao descer da noite, e com as multidões que agora enchem estas ruas. 
Vejo chegar o que a minha ânsia há muito sonhava, e já não sonha.
Temo, pelo mundo que deixo e pela porta prestes a bater. Mantenho o pé direito levantado, para pisar com sorte no futuro, que ainda não chegou. É agora que deixo os jeans velhos e rasgados na gaveta do fundo da cómoda, junto das tshirts, e dos tops de verão. Procuro nas montras looks sóbrios e discretos, que façam as manequins parecerem seguras de si, embora sejam bonecas. Talvez venham a esconder bem os meus tremores. 
Voltava atrás no tempo, e já não volto. Já não estou empolgada com a onda de inocentes e curiosos jovens que vêm à aventura para a já minha cidade. Já não procuro conhece-los ou fazer parte da vida deles. Eles lembram-me dum tempo que já passou, e não se vai repetir, nunca mais. 
Queria deambular pelas ruas e repetir, como da primeira vez, e um segundo depois já não quero, por me pesar o coração.
Quero parar o tempo, e ficar nesta bolha de expectativa pelo que virá, sem o tempo dela chegar. Neste momento, é ensurdecedor o barulho que o mundo faz a girar, e de tirar o folgo esta rapidez com que o tempo passa. 
Sinto que tudo está a mudar, e é tão inquietante não saber o que vai acontecer. Haverá trabalho. Haverá provas daquilo que somos capazes. Haverá choros, haverá despedidas, haverá fins. Afinal, é o último.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Ironia

Parte. Enquanto parto na direcção oposta. Segue de costas voltadas, e faz-me esquecer como pronuncias o meu nome, e como aqueces a minha mão na tua.
Vai. E não sorrias mais no meu caminho, sorri no teu, longe do meu alcance, e deixa-me fazer o luto da tua presença. Deixa-me esquecer o carinho do teu abraço, e a chama que te arde no olhar. Deixa-me tropeçar nesse caminho, enquanto corro de volta a ti, mas não pares para me amparar. 
Só hoje, permite que te deixe para amanhã, e que repita todos os dias a mesma mentira, até ser verdade.
Vai, se é o que queres, mas não voltes a meio caminho. Também tenho o meu para percorrer, e vou me atrasar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vortex

É um vortex este, com que me deparo. São séculos de areias empoeiradas, e ventos fechados em masmorras assobiando rumo à liberdade. E o corpo tomba na imensidão das forças, na escuridão dos olhos fechados. E deixa-se carregar aos tombos pelo tornado das emoções mais frias e sombrias. Há sempre um lugar assim dentro de nós, e hoje, ele cresceu, expandiu, EXPLODIU.
E ficam destroços, rodopiando junto ao chão, porque erguer-se exige uma força esquecida, e no vazio nada faz sentido. 
[Viver não é esperar...?]

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Jogos

Mordo o lábio enquanto te observo do outro lado da sala. Não fazes ideia que te observo, ou se quer que já cheguei. 
Não me aproximo, deixo-te notar a minha presença. 
O teu sorriso trai-te, quem sabe me traia a mim também, e chegas colocando o teu braço na minha cintura para me chegares mais a ti. 
Dás me um beijo na face, que mais logo acaba numa linha de fogo no meu pescoço. Aproximas o teu rosto do meu e coloco um dedo sobre os teus lábios para te travar. Tu morde-lo travesso, e não evito sorrir. Encostas-me às paredes nuas e vazias para não me deixares fugir, e os nossos olhos não descolam esperando quem faça o primeiro movimento. 
Como vai ser o jogo?

quarta-feira, 29 de julho de 2015

No melhor e no pior.

Gosto de ti. Muito.
Gosto da nossa vida pacata, até quando nos sentamos no sofá e eu vejo um filme qualquer que apanhei a meio na tv enquanto tu vês o que há de novo no facebook. 
Não deixo de gostar, mesmo quando me matas de susto quando vais bem a cima do limite da velocidade, ou quando fazer peões é sinonimo de diversão para ti, ainda que para mim não seja. 
E não trocava qualquer dia em que me tiras do sério por um dia noutro lugar qualquer. Porque estar ao teu lado, mesmo nos piores momentos, é melhor do que uma vida sem ti. E tenho a certeza disso, pois mal damos as costas um ao outro, depois de um beijo e um abraço demorado, a minha garganta fecha, e o meu peito aperta-se, por não saber em que dia te vou voltar a ver.
Se desejar até os piores momentos não é amor, então não sei o que seja.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Nossa história

Não preciso que a nossa história seja a mais bela, nem que seja a mais longa.
Preciso que a nossa história seja só nossa. Que continue como uma lagoa parada, refrescante no verão, e uma lareira acesa e acolhedora no inverno. Quero que continuemos a caminhar lado a lado olhando ao nosso redor mas nunca alheios às nossas mãos dadas. Que sejamos soltos, sem nunca sermos separados. Quero que o mundo olhe para um de nós e veja o reflexo do outro no sorriso. Quero morar no teu abraço e viver sempre no teu coração. 
Quero que a nossa história seja sobre finais felizes. E meios também.
Que continuemos a surpreender-nos com coisas pequenas, e a renovar a nossa felicidade.
Quero que a nossa história tenha muitos capítulos, e nunca chegue ao fim.

sábado, 11 de julho de 2015

Ainda hoje

Volta hoje para o meu abraço, amor. Não me deixes mais à espera do teu beijo doce, e do teu sorriso meigo quando me olhas. Volta hoje pela noite, e aconchega-te a mim na cama quando chegares, deixarei a porta aberta, e da janela entrará a luz da lua, que te guiará até mim. 
Aperta-me junto ao peito, e deixa-me pousar esta cabeça cheia de cantos escuros que murmuram pesadelos. Dá-me essa paz que trazes na tua alma, partilha comigo esse coração de ouro, e nunca mais me deixes chorar. 
Volta a segurar as minhas mãos nas tuas, e protege-me do mundo lá fora, porque perco o rumo sem ti. 
Volta ainda hoje, porque falta tanto para amanhã.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Febre

Ela estava só. E há muito tempo assim estava. 
Mas sonhava. Sonhava tão alegre como em dor, por querer aquilo que não existia se não no seu pensamento. Fazia histórias entre fios e fios de imagens coloridas. De paixões arrebatadoras, encontros e desencontros intensos e de tirar o fôlego. E suspirava, enquanto lhe doía o coração, por querer demasiado. 
Lia romances e sonhava mais alto com o seu. Com um toque proibido, que a fazia morder os lábios para se castigar por querer algum bandido a morde-los e a deseja-los. Queria que lhe roubassem a sua essência sem pedir, que a puxassem e mal a deixassem respirar com o desejo. Que não a deixassem pensar entre os beijos fogosos, e a fizessem arder como se estivesse com febre.
Ela queria um amor que a consumisse.
E era assim consumida pelo próprio pensamento. E era infeliz.

domingo, 5 de julho de 2015

O fantasma

Ela mal dormia, rebolando entre os lençóis. Lembrava-se do cheiro dele, e da forma como ele pousava a cabeça entre os seus cabelos, que cheirava enquanto a puxava mais para si. 
Adormecia por segundos, e voltava a acordar incerta se algum dia as palavras tinham sido trocadas, e os lábios quase tocados, enquanto o tom era baixo, em segredo. Uma pontada no âmago teimava em aparecer com o pensamento de que ele a queria, e que os olhos no silêncio pareciam devora-la. 
Mas ele não existia. Era apenas uma sombra sem corpo, que habitava os seus pesadelos, e lhe queimava a pele e a fazia tremer. Era apenas o seu fantasma, uma paixão intensa sem nome. Uma história para adormecer. 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Adormecido

Prende-se na garganta um suspiro. Os olhos baços admiram a lua lá no alto. E parece a noite consumir tudo ao seu redor. Há um conforto no silêncio, embora uma banda sonora toque dentro da mente.
Tudo desaparece, e ficam só as estrelas e a lua. Quem sabe o corpo flutue, ou voe, ao seu encontro. 
Viro-me para dentro. Poderia pegar numa memória e desenrola-la até hoje, mas vejo-as passar. O sono manda os olhos fechar, e o corpo relaxa de encontro à parede fria. Nada o parece acordar, e o silencio é quebrado pelos pássaros enchendo o ar com a sua melodia, e os primeiros raios de sol escondem as estrelas até à próxima noite. Porque não ficar? Banhar-me nessa luz dourada da manhã, até chegar de novo a noite e despertar deste sono passageiro. 
O corpo recusa-se a mexer, e os sonhos preenchem agora o mundo. É como se parasse, durante uns dias. Ou voltasse atrás. Voltaria atrás, para poder saborear mais uma vez o sol a beijar o rio à chegada e à despedida, e a lua a subir no alto como um balão. Contar as estrelas, até serem mil e eu me perder no seu leito.
Agora não há tempo. Chegou a hora de dormir.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ponte velha

Caminho nesta ponte de pedra. Tem buracos, e é já antiga, e eu bem sei como tenho medo de alturas. Deixo o pé beijar a morte, e o olhar segue em frente enquanto caminho e enfrento o vento que me quer deitar ao chão. Seguiria facilmente por outro caminho, onde não tivesse medo, mas que seria eu além duma cobarde? 
São dias, que esta ponte leva a atravessar, e eu não sei se vou tropeçar, ou se vou chegar ao fim intacta. Mas tenho que aceitar com bravura a minha demanda, "o que não nos mata torna-nos mais fortes". Há um suspiro a cada dez passos dados sem parar, e eu paro com medo onde colocar o pé a seguir. Já não sei onde o colocar, enquanto já não posso voltar atrás. 
Envolta em névoa, não vejo onde passo ou o que me rodeia. Não vejo o fim do caminho, nem se ele algum dia será mais que um precipício. Não terá a ponte desabado em algum momento?

domingo, 17 de maio de 2015

Pedaços soltos de mim

Beija me suave, com esses teus lábios espinhosos, e diz que me queres, enquanto viro as costas e te deixo cheirar o meu cabelo. Tenta agarrar-me, que eu te fujo, por já não querer o sabor agridoce na minha boca, e quem sabe terás sorte se eu tropeçar nesta corrida.
Talvez me esqueça de ir, ou talvez me esqueça de ficar. Talvez me esqueça de quem sou, talvez me esqueça de quem fui, talvez nasça num novo dia, e noutro lugar.
Fecho os olhos e abro os braços, pronta a abraçar o mundo, sem saber se ele está pronto para me abraçar a mim. Conto os dias em segundos, pronta a deixa-los para trás, a vê-los uma ultima vez. É fácil deixar tudo esfumar-se por entre o nevoeiro da manhã, e sentir o vento gelado na cara. Misturo-me com o orvalho, e finjo ser parte do ar, tão invisível que passes por mim e não me vejas, talvez nem nunca mais me encontres até eu querer voltar a encontrar-te.
Arranco o coração do peito e dou a comer ao cão esfomeado que passa por mim, e o devora sem parar. Depois, tiro o lenço branco imaculado do bolso e limpo o sangue que mancha o chão que piso. Deito-me ao lado do cão, agora saciado, e abraço-o enquanto ele me lambe a mão, cativado com a minha amabilidade. Quem sabe sejamos agora iguais, e eu faça agora parte do mundo, e já não pertença a ninguém.
Dá-me só a mão, não me deixes perder.

domingo, 3 de maio de 2015

Dançar

Deito-me na tua cama, nesses teus lençóis lavados. São macios e cheiram a flores. A cor da minha pele contrasta com a sua brancura, e eu enrolo-me neles, e afundo-me no teu peito, também nu. Fecho os olhos enquanto apagas as luzes, e entrelaço o meu corpo no teu preparando-me para dançar. O ritmo dá-o o som da chuva lá fora, que não parece querer parar.
O relógio pára, e o silêncio invade-nos excepto pelo som das nossas respirações sincronizadas.
Toco no teu peito e sinto o teu coração bater rápido e beijo o teu pescoço, a tua face e os teus lábios como exigindo-os só para mim.
Os teus lábios queimam, assim como as tuas mãos roçando o meu corpo e puxando-me para ti. Abraçamo-nos e perdemos a noção de um mundo em que a única realidade que interessa somos nós dois. Vem até mim, todas as vezes que os ponteiros do relógio soarem. Vem até mim, todas as vezes que a lua se esconder ou aparecer atrás duma nuvem. Vem até mim todas as vezes que as gotas da chuva molharem o chão da calçada. Vem até mim, que não te deixo ir longe, e te agarro com ambas as mãos. Mas nenhum de nós se quer levantar.

sábado, 25 de abril de 2015

Beijos

Enrolava-me nos teus beijos, e no calor que os teus lábios traçavam no meu pescoço. Parava-te quando subias e procuravas os meus, mas não desistias de me tentar quebrar e parecias ficar mais persistente quando me ouvias escapar um pequeno gemido rebelde. 
Imaginava-me deixar-te conseguir esse feito de me roubar um beijo só uma vez, mas temia perder-me num caminho por onde não saberia seguir, nem voltar atrás.
Eu segurava as tuas mãos longe do meu corpo, e tu não as forçavas na minha direcção. Estarias tu fazendo o jogo da paciência, sentido a minha resistência a cair, pronto a qualquer oportunidade para revirar o jogo a teu favor.
O meu coração batia como louco, e os meus olhos fechavam-se ao compasso dos teus beijos, e eu via o teu sorriso maroto crescer entre as investidas. 
O fogo ardia dentro de nós, e o mundo parecia ter parado no suspense de quem iria ganhar a batalha.