domingo, 22 de março de 2015

Observar

Percorro a tua face com os meus dedos, e a tua barba arranha-me suavemente e faz cocegas. Mas são cocegas boas e não como aquelas que me fazes só para me veres espernear meio em agonia, meio divertida. Gostas tanto de me chatear. E eu sorrio perante a brincadeira, e outras vezes amuo, e tu gostas ainda mais, seu malandro! 
Mas gosto de te ver sorrir, satisfeito, porque estou amuada mais uma vez e tu conseguiste esse objectivo estranho de mexeres comigo. Mexes comigo de formas mais prazerosas, deverias apostar nisso meu bem, eu agradecia. 
Mas tu és sempre tu, com esse jeito especial de me agarrar entre esses teus braços e me fazeres sentir em casa; tu és sempre tu, com essa cara de malandro, de quem vai fazer travessuras; tu és sempre tu, com esse teu jeito de levar um dia de cada vez e de fazeres o que te apetece a cada minuto que passa; tu és sempre tu, mesmo quando és o maior preguiçoso do mundo, e mesmo assim eu faço as coisas por ti porque não resisto a ver esse sorriso de agradecimento. 
Não me apaixonaria por ti da mesma maneira se fosses diferente. És tu que me fazes sorrir, que me fazes rir, que me fazes sentir segura, e que me fazes sentir quente e confortável. 
Percorro o teu corpo com os olhos, a forma como já colocas o braço de forma a eu me poder aninhar, com a cabeça pousada na cova do braço, já reparaste na forma como os nossos corpos já se encaixam, e como as nossas respirações estão em uníssono? 
Será que também observas como eu te olho? Será que reparas como toco a tua mão ou a tua perna, como te acaricio devagar? Como te mimo quando estás doente ou quando estás triste ou chateado? Como procuro sempre saber como estás ou se precisas de alguma coisa? Como te abraço mais forte quando vais embora, para sentir-te um pouco mais junto de mim? 
Eu reparo quando pegas a minha mão, quando a beijas, quando me beijas a cabeça, quando me elogias sem eu estar à espera, quando fazes algo sem eu pedir primeiro... 

Quero acordar a teu lado, para poder observar-te, para poder roubar esse teu jeito, que me faz tão feliz.

Mais

Queria ter mais um dia, dois, mil anos eternos para te amar.
Mais um, pedido a cada sol que se já deitou, e deixou cair a noite.
Olho o céu esperando cair uma estrela para lhe pedir o teu sorriso junto ao meu, o toque dos nossos lábios, o toque morno dos nossos corpos, e os nossos pés entrelaçados como se fossemos uma só alma.
Nem sei porque quero pedir tanto, quando já tenho o teu amor, já tenho o teu sorriso, já tenho os teus abraços, já tenho as tuas palavras doces. Nem sei porque quero sempre mais, porque não me sacia esta vontade de amar, e de ser amada. 
Mas sabe-me a pouco as longas horas que estivemos juntos quando me encontro só, neste quarto frio e desolador. Sinto um nó na garganta, e um aperto no peito,que não sinto quando escondo a minha cara contra o teu peito e me aninho como um gato preguiçoso.
Terás tu o poder especial para curar uma alma triste? Conta-me esse segredo, para ser tão grande aqui, como quando estou contigo.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

filmes

As coisas não têm que ser certas ou erradas, neste mundo cheio de tons.
Nada está a 100%, e a realidade é tão palpável como o vento, sabemos que nos toca e que está lá, mas ninguém sabe dizer bem como parece.
Acho que tudo é assim aos nossos olhos e ao nosso toque. Tudo é imaginação e tudo se cria na nossa cabeça. é como ter uma maquina de fazer filmes, e não sabemos bem em que altura estamos no mesmo "cinema", em que momento o nosso filme se cruza com o dos outros, ou é se quer semelhante. Isso faz de nós uma incerteza, e dos outros também, como interagimos num mundo em que não há uma realidade única e comum a todos? Não seria muito mais fácil?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Segredo

Percorro o teu rosto com os olhos, e tento perceber que parte de ti me roubou a atenção no momento em que te pus a vista em cima. Não descubro qual o teu segredo para seres tão vivo e leve, mas a minha mente confidencia-me que deves ser tão leve como uma pena,que paira sem sair do mesmo sitio. 
Não te quero mal, nem tão pouco te desejo algo menos do que a maior felicidade, mas não seria fiel a mim mesma se dissesse que não te invejo um bocad(inh)o. Cansa este peso constante sobre os ombros, desta figura invisível que carrego, e que não sei como afastar. Mas quando estou contigo pareço pena leve como tu. Talvez por isso seja um pouco egoísta por te querer só para mim, por querer que me tires este peso que me prende ao chão e que me deixa sem forças para combater o dia. Parece que para mim existe uma nova lei da gravidade, que não puxa apenas o meu corpo mas também a minha vontade para o centro da terra. 
Oh bem, mas não é por isso que te procuro agora, gostava de saber esse segredo, que pareces guardar no sorriso, e que eu não consigo descodificar. Esse mesmo, de como não ter medo. De como seguir de pés assentes na terra como que dançando ao som da felicidade. 
Sorrio agora e estou relaxada, quando penso em ti, e na tua mão na minha. 
Obrigada por acreditares.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

conflito

O eterno conflito, não digo que entre o coração e o cérebro, porque de coração só nos vem o batimento, o sangue que nos corre nas veias. Mais um órgão. O cérebro não é mais um órgão, ele faz tudo, faz vez de razão e "coração", faz vez de emoção e pensamento, dá-nos e tira-nos tudo. 
Em que momento sabemos que estamos certos? Em que momento se acende a tal luz por cima da nossa cabeça iluminando o nosso caminho? Ou será que nunca sabemos? Será que caminharemos sempre às escuras? Entre o que deve estar "certo" e o sentimento de que está tudo errado? Como solucionar um sentimento de que somos errados?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Necessidades

É a cabeça que pesa, e o estômago que dá voltas. Os dentes que cerras quando tentas controlar os teus pensamentos, e a tristeza que te apanha, só porque não os consegues controlar. Porque precisas de algo, que não consegues dar a ti própria, Paz, companhia, conforto. Onde se arranjam coisas assim? Como damos a nós próprios aquilo que precisamos?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Esperança

Respirar fundo... contar um, dois, três, quatro... até o coração acalmar. Às vezes é difícil sermos paz e tranquilidade. às vezes as tempestades estão perto, que até ouvimos os trovões chegarem. é difícil, mas não é impossível. às vezes é só preciso acreditar. Se não houver esperança o que nos resta num mundo tão complicado como o nosso?

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Defeito

Como nos combatemos a nós próprios? Como lidamos com as falhas que sabemos que temos e que não sabemos como controlar? Como lidar com o ódio que às vezes sentimos dentro de nós e que nos faz querer magoar-nos a nós próprios? Arrancar cada pedaço de carne, causar ainda mais dor, porque a que temos não é motivação forte para mudarmos, testar o nosso limite, ver até onde vai esse nosso lado defeituoso, sem conseguirmos para-lo.

Como nos tornamos auto-críticos?

Quem vem primeiro? Será que a primeira pedra é atirada do exterior, ou será que somos nós próprios quem a atira primeiro? Quando é que nos começamos a olhar ao espelho como seres defeituosos? Quando é que nos começa a doer quando tentamos ser simpáticos connosco próprios porque achamos que ninguém será? Será que no fundo achamos que não merecemos? ou será que no fundo ficamos tristes porque achamos que os outros acham que não merecemos? Será que temos medo de não tentar mudar se aceitarmos as nossas próprias falhas? Afinal como podemos ter compaixão por nós mesmos e aceitar que somos pessoas com falhas e ao mesmo tempo muda-las? Como ser perfeitos? Ou, deveremos ser perfeitos?

Porque é que dói achar como tudo é injusto? Que a vida é uma imensidão de sofrimento?

Como é que pode estar tudo na minha cabeça?

Tenho defeito de fabrico.

Silêncio

É uma tempestade, de vento chuva neve e frio. Gela-te até aos ossos, que já nem sabes se te pertencem, já nem sabes se pertences a este mundo, tão enevoado aos teus olhos, Será que te vais agora? Ou será que ficas mais um pouco? 
"Porque não ficas?" exclama um mundo travesso para ti. "Há tantas possibilidades..." diz ele, rindo nas tuas costas enquanto te prepara a próxima partida. "dá me a tua mão e eu ajudo-te a levantar" enquanto te esforças para levantar uma mão que parece já não ser tua, e tem a vontade própria de permanecer no chão. E o mundo vai embora rindo entre dentes "Já que não queres ajuda fica então aí". e ficas só.
Não te importas de estar só. Às vezes esqueces-te do medo da escuridão e sentes-te bem em silêncio. Gostavas que calasse também os teus pensamentos, como pessoas que riem de ti enquanto te observam ai deitado no chão frio e molhado de olhos baços sem vontade de levantar. Poderás ficar tu aí eternamente enquanto se riem de ti, ou será que os fantasmas seguirão a sua vida, e tu ficarás finalmente no silêncio que buscas? Acho que a procura da felicidade é a procura de um mundo sem dor. 

A mente

Há marcas que ficam. Há cicatrizes, e dores que vão e que voltam, como um bumerangue. 
É possível tentar esquecer, arrancar da memória é que não é tão fácil, e por isso, nunca passa do tentar. 
Quem sabe um dia as cicatrizes sarem e desapareçam da pele, e nunca mais sejam recordadas. 
Até lá, terei que me habituar com as suas intrusões em alturas inapropriadas, quando não há sequer uma altura apropriada, e tentar não enlouquecer. 
É difícil lidar com pensamentos automáticos, quando nem mesmo temos noção deles, quando os sentimentos afloram a pele, nos deixam quentes e trémulos, e não temos pistas do porquê. Mas às vezes há um insight, e boom, surgem todas as memórias dolorosas, todas as noites sem conseguir dormir, todos os dias com a mente vagando tentando solucionar as dúvidas impostas, e os gatilhos para a dor e a dúvida são agora muitos. Porque não posso apenas mexer na minha cabeça e consertar? 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Foto

Tenho uma foto nossa entre as mãos. Tento sentir o calor do teu corpo encostado ao meu e o teu cálido sopro enquanto respiras encostado a mim. Nada sinto, além do extenso ar que nos separa. Tento fechar os olhos e trazer até mim o toque da tua pele, a sensação da tua barba a arranhar-me a mão ao de leve e as tuas mãos suaves a puxar-me para ti. Também não resulta. 
É tão difícil ter-te longe quando sei o que é ter-te a meu lado, a confortar-me no meio dos pesadelos e a manter-me segura dos perigos lá fora, e dos perigos dentro do meu próprio coração. Sabes que és o único que me segura os demónios que alojam o meu pensamento e só com a tua mão na minha eu os consigo ignorar.
É difícil ser eu quando estou longe de ti. E é difícil seres tu, quando te faço ser o homem que me segura para não cair. Pudesse eu exterminar todos os demónios, e não ter mais medo de enfrentar o mundo sem te ter a meu lado, e o faria sem pensar duas vezes, só para não te por sobre tanta pressão.
Mas tens aguentado bem esse papel, tens sorrido para mim com esse sorriso que me faz sentir mais quente e feliz, os teus braços continuam a ser o meu lugar preferido, e os teus lábios o meu cálice de felicidade. 
E o meu coração bate descompassadamente, como tu já bem conheces, quando te encontra, quando nos juntamos num sôfrego suspiro, e nos deixamos levar por impulsos superiores aos pensamentos. 
É isso que quero para sempre, para nós, os nossos encontros fugazes, de loucura e perdição, quando o mundo parece deixar de rodar e o tempo parar, quando não há palavras, e a banda sonora é a nossa respiração pesada e nada mais se ouve para além disso. É isso que quero para nós, e quero também os dias em que encosto a cabeça no teu peito e me deixo estar, ouvindo o teu coração que bate lentamente, porque estamos felizes, e os dias de viagens loucas, de descobertas e aventuras, sempre a teu lado. 
Só quero descobrir contigo a beleza de viver. E nada deve ser mais belo que adormecer e acordar ao lado de quem amamos.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Divagações em tom de chuva

Sou o vento incerto. Sou o vento incolor que passa por vezes sem ser notado e que noutras vezes causa uma tempestade, até mesmo num copo de água. Sou o vento que vai a todo o lado, e a lado nenhum. Parece até que não sai do mesmo sitio, e quer soprar uma vela que nunca apaga. 

Sou uma evitante.
Pergunto esperando misericórdia, pergunto para acalmar reboliços porque minha mente evitante vive na incerteza que as minhas evitações obrigam. Evito saber mais. Evito perguntar demais, Evito os médicos, evito pesquisas, evito explicações por vezes. Só até não dar para evitar mais, e a ansiedade é maior evitando que enfrentando as dúvidas.

E por fim, sou moléculas, neurotransmissores, sangue, que não pediu para existir, que não escolheu os pais, a educação, a formação, os colegas, ou os vizinhos. Que não escolheu a crise, nem escolheu o país ou a sua situação económica. Também não escolheu estar alerta a ameaças, ou competir com os outros conjuntos de moléculas, neurotransmissores e sangue que existem na mesma situação. Acho que apenas faço o melhor que posso para enfrentar este mundo, com os instrumentos que me dão. O cérebro funciona duma maneira curiosa.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Luzes de natal

Enche a tua casa de luz. Faz os olhos de todos brilhar, e aquece-lhes o coração. Dá o máximo de ti, e não te afogues na tristeza dos outros, e afugenta a tua falta de ânimo. Pega na mão dos outros e espalha a magia que vai dentro do teu coração. O resto vem de seguida. 
Só hoje, finge que tudo é real.
Quem sabe, o pai natal te ofereça isso este ano.. 


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Consumida

O silêncio consome-me.
Sinto-me enclausurada, nesta fome de ser e de ter, nesta ânsia pela companhia, pela mão que procure a minha automaticamente, pelo beijo depositado numa respiração mais profunda, num bater do coração, inesperado.
Consome-me o bater do relógio que não deixa o tempo passar, e me faz ficar ansiosa porque o dia é tão lento.
Consome-me a minha mente, que não deixa este silêncio ser de paz, e me atropela com pensamentos que não quero ter.
Sinto-me tensa, e a cabeça pesada. Sinto náuseas e sinto o coração na garganta. Porquê ser humano?

Acordar

O corpo rosna contra o despertador. É cedo ainda para acordar, e as mantas não o deixam levantar. É bom de mais a almofada que se afunda com o peso da cabeça, e o colchão que se molda ao corpo, e lá fora é tão escuro, frio e perigoso. Oh como não queria despertar e esquecer o mundo por um bocado. Era bom apenas permanecer deitado. Quase se deixou ficar, clamando mais 5 minutos, duas a três vezes, mas o tempo escasseia, e a dormir nada se chateia, e a vida seria tão sem graça assim.
E lá se levantou, com um olho ainda meio fechado, por causa da claridade, vagueou um pouco enquanto procurava que vestir, e quando apanhou o autocarro ainda ia meio a dormir. Mas o dia já tinha começado.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Parte, mesmo que fiques

Quero expulsar-te amor, da minha jaula sem grades. Quero que partas mesmo que fiques, e que me destruas o coração duma só vez.
Não sei viver assim, de coração inteiro, porque nunca me permiti a aprender como se faz. E hoje, a hora vai tardia e o coração ainda não partiu, e tu ainda não foste embora. Mas na minha cabeça vejo-te virar as costas com a mão noutra companhia, e a partir sem acenar.
Sofro assim, um pouco todos os dias, como esperando que, se realmente partires, não vá doer um só dia assim que fores.
Mas quem sou eu para ler mentes e adivinhar futuros amor?
Acho que sou alguém que não conseguiu aprender a ser inteiro, nem a avançar sem tropeçar.
Estou ainda a aprender a manter o equilíbrio - caminha a meu lado enquanto estiver a aprender, e não me deixes cair.

sábado, 8 de novembro de 2014

Lembranças.

Não nos esqueçamos, nem por duas ou três vidas que estejam por vir. Não nos esqueçamos a brevidade com que encontramos a alma um do outro, nem a voracidade com que nos amamos. Não esqueçamos os prazeres lentos que nos consomem, nem a intensidade com que nos olhamos mesmo no meio da escuridão. Não esqueçamos nunca, como nos unimos um ao outro, e como nos aquecemos num dia de chuva. Não nos esqueçamos de quando estamos presentes para nos confortarmos e apoiarmos um ao outro. Agradeçamos por tudo o que de bom partilhamos e melhoramos no nosso mundo. Um amor assim nunca se pode esquecer, nunca se pode perder.

domingo, 5 de outubro de 2014

Desabafo

Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando o sol nasce, porque é para mim difícil acreditar que um dia possa começar sem te ter a meu lado.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando pouso a cabeça na almofada antes de dormir e quando acordo a meio da noite no escuro, porque não durmo descansada sem o teu calor a aquecer-me na noite.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando choro, porque não sei quem mais me pode fazer rir e me dar segurança na tristeza.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando sorrir, porque não conheço mais ninguém que mereça tanto o meu sorriso.
Desculpa por este desabafo, mas quero que me ames para sempre, porque eu só te sei amar a ti, e és tu quem quero fazer feliz. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Tempo

Pouso as mãos no colo. Luto há horas para distrair a minha mente, mas ainda não parei de contar o tempo passar. Estou esgotada com essa simples tarefa, o tempo é uma coisa curiosa quando se toma atenção nele. Na verdade ele não passa rápido, mas se ninguém o contasse eu diria que tinha estado parada desde que o comecei a contar.
Desisto agora de distrair a minha mente desta tarefa tão esgotante, e dedico-me apenas a ela. E questiono-me se é assim que quero passar os meus dias, a contar tempo, a ouvir o tic-tac do relógio que ele mesmo me deu.
Desisto de pensar por agora, e concentro-me nas minhas emoções. Sentir o tempo passar por mim deixa-me com um frio na barriga, deixa-me arrepiada e um pouco tremula. Não gosto do que sinto. Mas e daí tinha decido não pensar e só sentir. Mas quero fugir destas emoções.
Quero fugir do tempo, quero fugir desta minha nova tarefa, mas o tic tac está muito alto e não larga a minha cabeça.
Desisto(?)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Veritas

Ela caminhava pela sombra olhando o chão. Não via na verdade onde pisava, por ter a cabeça noutro lugar. Havia alguns anos que estava presa numa teia que começou como um jogo, ao qual ela nunca soube jogar. Melhorou ao longo dos anos, tornou-se mais cuidadosa nas peças jogadas, e aprendeu por fim a perder, enquanto fingia ganhar. 
Os caminhos já não eram os mesmos, mas a sensação sim, a cabeça pesada e o coração apertado.
Levantou os olhos quando chegou ao seu destino e encontrou-o sentado. Sorridente, como desde o primeiro dia que o vira, e já fazia tanto tempo. Talvez uma ou outra ruga tivesse surgido, mas ela não reparava em nenhuma diferença, era como voltar atrás no tempo. 
Ela não se sentou, e manteve a distância. Ele não a questionou, e o olhar mostrava compreensão. Reconstruíram juntos memórias já com falhas, eram músicas, toques, olhares encontrando-se na multidão, mágoas antigas. Ela despejou o coração pela boca, abriu o jogo bem na sua frente, porque quem perde um dia desiste de jogar, e foi se sentindo mais leve, como se o fingimento dos anos lhe pesassem nos ombros. 
Despediram-se com um abraço, de quem lamenta não poder começar tudo de novo sem os erros cometidos, mas separaram-se aí mais uma vez. 
Ela sabe que o jogo está na fase final, mas ainda procura um sinal nas entrelinhas de que ele se sinta tal como ela.
Queria fazer mais, mas era tarde para ela, e por fim, guardou só para si que a única coisa que sempre quisera era chegar ao seu coração.