sábado, 8 de novembro de 2014

Lembranças.

Não nos esqueçamos, nem por duas ou três vidas que estejam por vir. Não nos esqueçamos a brevidade com que encontramos a alma um do outro, nem a voracidade com que nos amamos. Não esqueçamos os prazeres lentos que nos consomem, nem a intensidade com que nos olhamos mesmo no meio da escuridão. Não esqueçamos nunca, como nos unimos um ao outro, e como nos aquecemos num dia de chuva. Não nos esqueçamos de quando estamos presentes para nos confortarmos e apoiarmos um ao outro. Agradeçamos por tudo o que de bom partilhamos e melhoramos no nosso mundo. Um amor assim nunca se pode esquecer, nunca se pode perder.

domingo, 5 de outubro de 2014

Desabafo

Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando o sol nasce, porque é para mim difícil acreditar que um dia possa começar sem te ter a meu lado.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando pouso a cabeça na almofada antes de dormir e quando acordo a meio da noite no escuro, porque não durmo descansada sem o teu calor a aquecer-me na noite.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando choro, porque não sei quem mais me pode fazer rir e me dar segurança na tristeza.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando sorrir, porque não conheço mais ninguém que mereça tanto o meu sorriso.
Desculpa por este desabafo, mas quero que me ames para sempre, porque eu só te sei amar a ti, e és tu quem quero fazer feliz. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Tempo

Pouso as mãos no colo. Luto há horas para distrair a minha mente, mas ainda não parei de contar o tempo passar. Estou esgotada com essa simples tarefa, o tempo é uma coisa curiosa quando se toma atenção nele. Na verdade ele não passa rápido, mas se ninguém o contasse eu diria que tinha estado parada desde que o comecei a contar.
Desisto agora de distrair a minha mente desta tarefa tão esgotante, e dedico-me apenas a ela. E questiono-me se é assim que quero passar os meus dias, a contar tempo, a ouvir o tic-tac do relógio que ele mesmo me deu.
Desisto de pensar por agora, e concentro-me nas minhas emoções. Sentir o tempo passar por mim deixa-me com um frio na barriga, deixa-me arrepiada e um pouco tremula. Não gosto do que sinto. Mas e daí tinha decido não pensar e só sentir. Mas quero fugir destas emoções.
Quero fugir do tempo, quero fugir desta minha nova tarefa, mas o tic tac está muito alto e não larga a minha cabeça.
Desisto(?)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Veritas

Ela caminhava pela sombra olhando o chão. Não via na verdade onde pisava, por ter a cabeça noutro lugar. Havia alguns anos que estava presa numa teia que começou como um jogo, ao qual ela nunca soube jogar. Melhorou ao longo dos anos, tornou-se mais cuidadosa nas peças jogadas, e aprendeu por fim a perder, enquanto fingia ganhar. 
Os caminhos já não eram os mesmos, mas a sensação sim, a cabeça pesada e o coração apertado.
Levantou os olhos quando chegou ao seu destino e encontrou-o sentado. Sorridente, como desde o primeiro dia que o vira, e já fazia tanto tempo. Talvez uma ou outra ruga tivesse surgido, mas ela não reparava em nenhuma diferença, era como voltar atrás no tempo. 
Ela não se sentou, e manteve a distância. Ele não a questionou, e o olhar mostrava compreensão. Reconstruíram juntos memórias já com falhas, eram músicas, toques, olhares encontrando-se na multidão, mágoas antigas. Ela despejou o coração pela boca, abriu o jogo bem na sua frente, porque quem perde um dia desiste de jogar, e foi se sentindo mais leve, como se o fingimento dos anos lhe pesassem nos ombros. 
Despediram-se com um abraço, de quem lamenta não poder começar tudo de novo sem os erros cometidos, mas separaram-se aí mais uma vez. 
Ela sabe que o jogo está na fase final, mas ainda procura um sinal nas entrelinhas de que ele se sinta tal como ela.
Queria fazer mais, mas era tarde para ela, e por fim, guardou só para si que a única coisa que sempre quisera era chegar ao seu coração. 

sábado, 26 de julho de 2014

Plano

Todas as noites, quando relembro o teu sorriso a chegar aos teus olhos e a contagiarem os meus, fico sem fala, pela dor que chega só depois, pelos abraços que não dei, pelos beijos que foram aquém do desejo, pelas palavras que ficaram no coração e não houve cordas vocais para lhes dar vida, e questiono-me se sabes de tudo isto, de todo o arrependimento que deixo assombrar-me o amor que te tenho, e depois volto a pensar em ti, e deixo o rasto da saudade a pesar o coração, e as lágrimas, que nunca chegam a cair das beiras dos olhos, enquanto os esfrego e as afasto, e só sorrio, deixando o teu sorriso gravado na minha memória servir de espelho.
Hoje fui mais longe! Comecei o dia pelo peso das saudades, deixei-as pesar no coração, deixei o sorriso chegar pela memória, regressou o arrependimento pelos abraços, beijos e palavras que foram parcas confrontando com a vontade, e quando te vi chegar tinha já o plano de não deixar nada para trás.
Chegaste com essa leveza característica, com esse ar da própria felicidade, riste, riste como se a lei to proibisse e tu fosses o maior rebelde, e eu amei-te ainda mais, como se me pudesse apaixonar de novo por ti, de todas as vezes que te vejo ser livre.
E não houve arrependimentos no fim, porque dei todos os abraços, os mais apertados, tentando deixar um pedaço de ti sempre comigo, beijei-te como se pudesse entregar-te o meu amor num beijo, sendo ele infinito, e disse-te tudo o que as palavras podem dizer em nome do coração. Hoje também eu vim leve para casa, e sinto-me a flutuar entre as memórias, entre o som do teu riso, o bater do teu coração ao meu toque, a tua cabeça pousada no meu colo enquanto te afago o cabelo.
Hoje se chorar não preciso esfregar os olhos, porque sinto-me verdadeiramente feliz. E não há nada de errado na felicidade. É ser tão livre como tu.

domingo, 6 de julho de 2014

Bagagem

Tenho mau feitio. Sou rabugenta, e engelho o nariz com demasiada frequência.
Preocupo-me com tudo, com alguma coisa, com nada, e todos os males parecem afligir a minha vida, na minha cabeça.
Baixa auto-estima, inseguranças a mil à hora, e uma terrível inclinação para a repetição.
Se conheces estas partes de mim, parabéns! Chegaste onde não deixo ninguém chegar, abri-te os portões dos meus medos, da minha ansiedade, e da minha confiança. Vês o que poucos têm a oportunidade de ver. E sejamos sinceros, não é bonito este mundo sangrento que escondo debaixo do tapete! Mas é aquilo que sou, no meu mais puro lado negro.
E já tentei mudar! Ai, como tento mudar a cada dia que passa.... Mas é difícil mudar algo tão intrínseco ao meu corpo.
Prometo que tenho qualidades também. Não é só esta a bagagem que levo comigo para onde quer que eu vá. Este é só o lado mais profundo, e o superficial é muito mais bonito...
Prometo sorrir-te todos os dias, prometo amar-te cada vez que engelho o nariz e sorrir interiormente enquanto o meu coração aquece ao ver o teu sorriso quando me tentas chatear. prometo tentar fazer-te rir, mesmo após várias tentativas falhadas, prometo cuidar tão bem de ti como cuido de mim, prometo aquecer os teus pés nos dias frios, prometo tentar não te tirar os cobertores todas as noites, e prometo pôr-te sempre em primeiro na minha vida.
Não posso prometer ser perfeita, porque nunca serei capaz de o cumprir. Mas prometo nunca desistir, de mim, de ti, de nós, da felicidade. E prometo fazer de tudo ao meu alcance para cumprir cada promessa que te faça.

sábado, 5 de julho de 2014

Sonho acordada

Por momentos senti o teu cheiro, e pensei que chegasses em bicos de pés para me dares o meu beijo de boa noite. Sabia-te longe, mas fiquei sem me mexer, debaixo dos lençóis, quietinha com medo que te fosses embora se me soubesses acordada. Quase o senti, de olhos fechados, e quase senti a tua respiração no meu pescoço, e o teu abraço à minha volta. Quase, por segundos, pensei que fosses ficar, deitado a meu lado, e hoje dormisses comigo como tantas vezes fazemos.
Quis tocar-te e puxar-te para mim, mas quando abri os olhos não estavas comigo, eu estava só como tão só se pode ficar quando o nosso amor está longe, e leva a nossa alma com ele.
Deixei que uma lágrima solitária nascesse, mas cedo me esqueci dela e sorri. Pude ter-te comigo, hoje e todos os dias desde que nos cruzámos neste oceano de pessoas. Não poderíamos ser mais certos um para o outro.
Tudo isto é mais forte que eu, ou tu. Pertenço-te, mesmo que não quisesse. Mas não há nada que eu queira mais.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quando a solidão chega na madrugada fria

Podia ficar noite dentro a pensar em ti, da mesma forma que podia passa-la tentando esquecer teu nome. De qualquer das formas tudo gira em teu torno, é a ti que procuro no meio da tristeza quando ela cruza comigo trazida pelo vento que passa, quando as lágrimas cruzam o meu olhar, quando a solidão me encontra desprotegida. E então, procuro-te, e quando não te encontro deixo-me afundar contra a parede fria, e ai não fujo mais aos ataques, e olho o infinito de visão desfocada.
Um dia quando me chegar a solidão saberei que não te encontrarei, e deixarei de procurar. Acho que esse dia está a chegar. Ninguém vive iludido para sempre.

domingo, 22 de junho de 2014

Arrancar tudo de mim

Quando perceberás que por ti arrancava tudo de mim?
Arrancava cada mancha que não gostasses, arrancava cada piada de que não risses, arrancava cada som que não quisesses ouvir, arrancava cada mecha de cabelo que não achasses bonita, arrancava cada defeitozinho meu que te irritasse, arrancava cada lágrima que não consigo impedir de cair e que tu chamas de injusta, arrancava cada suspiro de aborrecimento, arrancava cada grito de desespero e cansaço.
Estou cansada de sangrar sem parar nas minhas parcas tentativas de arrancar o que não é possível. Eu arrancava tudo o que me pedisses, mas apesar das feridas abertas, nada sai, apenas sangro sem término. Desculpa-me por não fazer mais por ti, mas enquanto tento arrancar tudo o que tenho esqueço-me do que um dia nos juntou ou do que sequer hoje ainda nos junta. E recordo me apenas que duas pessoas devem aceitar-se mas também lutar para que ambos sejam felizes. Em que momento as opiniões de um começaram a ser mais importantes que a de outro?
Por mim, e não por ti, arrancava o coração e entregava-to em mãos, e seguia sozinha sem virar costas só para não ter que sangrar continuamente. Desculpa se não consigo arrancar de mim o que não gostas, enquanto não arrancas nada de ti.
Por agora, não sei a fórmula para arrancar um coração e continuar a viver. Acho que terei que adiar.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

És pensamento automático

Sei que os primeiros dias já passaram há muito...
Mas ainda sinto as borboletas no estômago, a pairar felizes, de todas as cores, ainda sinto a felicidade imensa da esperança dum reencontro para breve, e as saudades que apertam no peito aquando da distância. Ainda tenho o mesmo sorriso constante comigo, que não desaparece por nada quando penso em ti.
Agarro-me a tudo isso, sem no entanto me agarrar a nada. Agarro-me a ti, agarro-me ao te sorriso, ao teu calor. Mas no entanto não me agarro, tal como as borboletas são livres de partir, e a saudade de afrouxar, como o sorriso pode desaparecer dum momento para o outro. Mas não. Não preciso sequer pensar, porque estás presente em todo o lado dentro de mim e das minhas memórias.
Contigo é tão natural sorrir. A vida parece ser feita para isso mesmo.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Não gosto de me ficar pela metade.

Não me contento com uma só palavra tua à distância, nem um só sorriso teu estagnado no tempo. Não me contento com miragens tuas, quando estou só, no deserto.
Preenches todo o espaço em que estás, mesmo naquele em que te deitas ao silêncio, ou te permites ao sossego. E eu quero que preenchas assim não só o espaço vazio do meu coração, mas também todo o espaço que me contorna sem me tocar. E chegues e me toques, e me puxes para ti, retires esta distância que nos aparta sem fim. Não me contento quando não posso admirar de perto o teu rosto, ou tocar a tua face e sentir a tua pele, os teus poros, ouvir a tua respiração ao meu ouvido, como não me contentaria que todo um universo se metesse entre nós, puxando-nos em opostas direcções.
Não gosto de me ficar pela metade. Não gosto de te saber longe do estender do meu braço, sem assim te poder agarrar e manter-te a meu lado. Não gosto de adormecer sozinha, sem a tua presença a proteger o meu sono. E menos gosto de acordar vazia, como uma manhã cinzenta em que irá chover.
Quando digo que te quero, quero-te em toda a vida, em todo o sol, em toda a chuva, em todo o meu sorriso, em toda a minha alegria. Quando digo que te quero, não te quero só às vezes, não te quero só quando estou triste ou sozinha, não te quero só quando não quero mais nada.. Quando digo que te quero, quero-te em tudo. Quero-te em toda a felicidade. Porque não quero só que me faças feliz. Quero fazer-te o mais feliz dos homens.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

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Não sei o que o meu coração diz
Mas há um buraco negro nele que me suga para um lugar estranho e desabitado
Talvez, talvez devesse ser outra, talvez devesse mudar, talvez, eu, mereça cada dia, cada sorriso e cada abraço, talvez seja esse buraco negro que não me deixa ver isso.
Não sei. Parece que de repente não sei tanta coisa.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Perfeita

No fim seremos só esqueleto, só pele, só coração a bater ao sabor dum relógio sem pilha.
Ninguém cobrirá nosso corpo esquecido e deteriorado. A terra será nossa filha, como o ar é nosso pai, e nos consumirão para que fiquemos neles como em mais ninguém.
Não seremos os pobres dos que mendigam, dos que estenderam a mão aos rostos que passavam ignorando a nossa existência.
Não seremos mais que nós, entregues ao mundo, mas não ao destino, ou a histórias, ou a passados, futuros, nem mesmo a presentes. 
Seremos de vários mundos, mas de nenhum. 
O mundo será nosso. O mundo será nada.
Como nós, nada é a meta última. Porque sendo nada alcançaremos a perfeição...
...mesmo que ninguém mais o saiba.

Breve

Tivesse eu o poder e conceder-me-ia o destino de sonho que seria ter-te a meu lado. Não interessa onde ou em que direcção. Não interessa se perdidos procurando um caminho ou sabendo exactamente onde pertencemos. Eu, sinceramente, acho que pertencemos um ao outro, por toda a brevidade que são horas lado a lado, que são abraços apertados, que são olhares mais longos que a historia do tempo.
Estaria a teu lado para te dar a mão, para te ajudar a caminhar entre os buracos que te tentam fazer cair, para te puxar fora dos poços de tristeza que se abrem no caminho, para te fazer sorrir, esse sorriso que só tu tens, o único que pode fazer o mundo parar.
E tu dar-me-ias a tua mão. Acalmarias os medos profundos e escuros que tenho cravados na alma, afagarias as minhas lágrimas e tocarias o meu riso, como melodia das noites estreladas, e dos dias de sol, como calor que nos aqueceria nos dias de chuva. Tocarias o meu riso como só o teu coração pode fazer.
E seriamos felizes.
Porque o tempo é sempre breve, eu guardo o sabor dos teus lábios e o calor do teu corpo junto do meu peito, até à próxima vez, onde possa beber um pouco mais da tua essência.

sábado, 19 de abril de 2014

Se chorar for permitido aos felizes,

Há uma certa comoção que me enche o peito.
Navego aqui dentro, este coração com remos, das lágrimas que engulo, porque chorar é só permitido aos tristes.
Por vezes chorar é tão bem vindo como um pouco de chuva em dia quente e abafado. Como contemos tanta emoção cá dentro? Um sorriso pode dizer tudo, mas é um sorriso o bastante quando se ama alguém com cada pedaço de pele arrepiado, com cada toque imaginado, com cada beijo que já foi dado, e com cada sessão de amor lento e preguiçoso que ainda está para vir? 
Dirá o sorriso o quanto nos sentimos a explodir de felicidade, como dizem as lágrimas que escorrem dos olhos porque não há mais onde as guardar quando um amor nos preenche completamente...
Como não dizer que é belo um rosto cheio de pequenas lágrimas que brilham ao sol quando há um abraço de reencontro, um beijo onde se deposita a alma, que nos sobe pela garganta, ou não quiséssemos nós dar tudo... Porque a felicidade é guardar nele tudo de nós, e ele ficar tão perto, que não sentimos falta de nada. 
É belo explodir em pedaços luminosos, como estrelas que se vêem à luz do dia, e espalhar a luz pelo mundo. É belo saber que temos o nosso mundo nos braços, e que ele esta ali, para podermos desabafar toda esta energia dinâmica que quase nos consome nos dias de distancia. 
E não há nada mais belo que alguém nos limpar as lágrimas e dizer que também nos ama, sem mais palavras ser necessário proferir...

domingo, 30 de março de 2014

Perder-me e Encontrar-me

Perco os sentidos contigo, perco-me no teu longo abraço de despedida, perco-me nos teus cabelos encaracolados quando passo os dedos uma ultima vez pelo teu cabelo, perco-me os teus lábios no ultimo beijo e perco-me nos teus olhos tristes, espelhos dos meus, quando digo "ate logo". Perco-me quando te acaricio a face e te olho com um ar triste por saber que o tempo não pára e que não posso continuar assim eternamente. Perco-me quando me deito a teu lado a olhar para o tecto sem cor enquanto dormes profundamente e me imagino sem um pedaço de ti.
Encontro-me nos teus beijos e nas tuas caricias. Encontro-me no teu sorriso, que transparece nesses olhos tão profundos. Encontro-me no entrelaçar dos nossos dedos, e dos nossos corpos. Encontro-me nas gargalhadas em uníssono. Encontro-me nos segredos contados ao ouvido. Encontro-me quando impedes que as lágrimas corram pela minha face. Encontro-me nas tuas palavras doces. Encontro-me na tua voz quando cantas para mim. Encontro-me no teu beijo apaixonado, no teu jeito de me amar.
Não fosses tu, e como poderia eu encontrar-me no fim de me perder? 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Sem titulo.2

O tiquetaque marca um tempo, um tempo semi-esquecido.
Parei, talvez. Ou ele andou sem mim. Queria eu, que ele fosse embora, e me deixasse.
Talvez num mundo sem tempo não se chorasse nem risse. Talvez num mundo sem tempo eu não me cansasse de viver. É assim que me descrevo, uma cansada, não sei bem de quê, não sei se da vida.
Talvez sem tempo eu não me deixasse cair. Cair por vezes em abraços sem querer, cair por vezes no vazio. Talvez cair fosse proibido, talvez, só talvez eu não chorasse por dentro como choro agora.
Sem tempo talvez não pensasse.
Sem tempo talvez não existisse, e isso seria tão bom agora.

domingo, 16 de março de 2014

Sem titulo.1

Não me canso meu querido, de nos imaginar sempre juntos.
O carinho que nos junta não é falso, não é actuação. O carinho que demonstramos está para além de pensamento, está para além da consciência.
Aquilo que somos, juntos, é o que de mais profundo nos impulsiona no mundo.
Juntos, queremos apenas estar, sempre, não importa onde, não importa com quem, ou porquê.
Liberta-mo-nos do próprio mundo. Somos tão livres, somos tão felizes.

quarta-feira, 12 de março de 2014

"afinal não querer"

Odeio nãos.
Odeio o "nao posso" , odeio o "nao vou".
Odeio o "afinal", que nos prepara para uma mudança.
Odeio principalmente o "afinal não" que nos tira um chão.
Odeio a expectativa, odeio a espera de algo que não se concretiza, odeio querer. 
No fundo, odeio mesmo querer.

A felicidade não é um objecto, nem é algo que se possua continuamente. A felicidade há agora, e pode não haver um minuto depois, a felicidade é escorregadia.

Há alguns "afinal não" que nos destroem um sonho, por mais pequeno que ele seja. 

É mau querer, é mau querer e pensar que será essa a realidade. É mau querer quando a realidade muda, e não nos dá. É mau querer simplesmente porque querer nos deixa frageis, e inseguros, nos coloca num chão incerto e num caminho imprevisível.

É mau deixar andar, é mau pensar o que nos dói, e no quanto o queremos esconder. É mau desistir. É mau não poder querer mais.  

Fosse possível deixar o corpo e viver noutro mundo, e eu so escolheria um sitio onde nada se quisesse.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Vagabunda

Se estar contigo é estar em casa, e estar sem ti é doer, que corrói o coração, posso afirmar que sou uma vagabunda do amor, sou a vagabunda que não sabe o seu caminho, quando ele é diferente do teu, sou a vagabunda que se deixa cair na valeta se não tiver a tua mão a puxar por mim, sou a vagabunda que perde os sentidos e já não sabe como cheira a primavera, ou como aquece o sol num dia de verão, sou a vagabunda que se deixa ficar na neve porque não sabe como se fica quando o corpo congela.
Eu sou aquela que arranca o coração do peito porque dói quando o meu coração está longe do teu. Se não é a teu lado que pertenço, em mais lado nenhum posso ficar, porque todos os sítios me lembram de ti, todos os cheiros me fazem procurar-te com o olhar, todas as histórias podem ser a nossa história, e toda a nossa história é uma vida inteira dentro de mim. Estás nos meus pêlos arrepiados quando penso em ti, estás no meu batimento cardíaco acelerado, estás impregnado na minha pele, a minha alma tem a tua marca, eu hoje não sou apenas eu, hoje o melhor de mim foi descoberto por ti, em ti me encontro e sem ti nem eu faço sentido.