domingo, 6 de setembro de 2015

Último ano

Estou só apavorada. Com o reboliço que retoma a cidade, com as luzes que piscam ao descer da noite, e com as multidões que agora enchem estas ruas. 
Vejo chegar o que a minha ânsia há muito sonhava, e já não sonha.
Temo, pelo mundo que deixo e pela porta prestes a bater. Mantenho o pé direito levantado, para pisar com sorte no futuro, que ainda não chegou. É agora que deixo os jeans velhos e rasgados na gaveta do fundo da cómoda, junto das tshirts, e dos tops de verão. Procuro nas montras looks sóbrios e discretos, que façam as manequins parecerem seguras de si, embora sejam bonecas. Talvez venham a esconder bem os meus tremores. 
Voltava atrás no tempo, e já não volto. Já não estou empolgada com a onda de inocentes e curiosos jovens que vêm à aventura para a já minha cidade. Já não procuro conhece-los ou fazer parte da vida deles. Eles lembram-me dum tempo que já passou, e não se vai repetir, nunca mais. 
Queria deambular pelas ruas e repetir, como da primeira vez, e um segundo depois já não quero, por me pesar o coração.
Quero parar o tempo, e ficar nesta bolha de expectativa pelo que virá, sem o tempo dela chegar. Neste momento, é ensurdecedor o barulho que o mundo faz a girar, e de tirar o folgo esta rapidez com que o tempo passa. 
Sinto que tudo está a mudar, e é tão inquietante não saber o que vai acontecer. Haverá trabalho. Haverá provas daquilo que somos capazes. Haverá choros, haverá despedidas, haverá fins. Afinal, é o último.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Ironia

Parte. Enquanto parto na direcção oposta. Segue de costas voltadas, e faz-me esquecer como pronuncias o meu nome, e como aqueces a minha mão na tua.
Vai. E não sorrias mais no meu caminho, sorri no teu, longe do meu alcance, e deixa-me fazer o luto da tua presença. Deixa-me esquecer o carinho do teu abraço, e a chama que te arde no olhar. Deixa-me tropeçar nesse caminho, enquanto corro de volta a ti, mas não pares para me amparar. 
Só hoje, permite que te deixe para amanhã, e que repita todos os dias a mesma mentira, até ser verdade.
Vai, se é o que queres, mas não voltes a meio caminho. Também tenho o meu para percorrer, e vou me atrasar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vortex

É um vortex este, com que me deparo. São séculos de areias empoeiradas, e ventos fechados em masmorras assobiando rumo à liberdade. E o corpo tomba na imensidão das forças, na escuridão dos olhos fechados. E deixa-se carregar aos tombos pelo tornado das emoções mais frias e sombrias. Há sempre um lugar assim dentro de nós, e hoje, ele cresceu, expandiu, EXPLODIU.
E ficam destroços, rodopiando junto ao chão, porque erguer-se exige uma força esquecida, e no vazio nada faz sentido. 
[Viver não é esperar...?]

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Jogos

Mordo o lábio enquanto te observo do outro lado da sala. Não fazes ideia que te observo, ou se quer que já cheguei. 
Não me aproximo, deixo-te notar a minha presença. 
O teu sorriso trai-te, quem sabe me traia a mim também, e chegas colocando o teu braço na minha cintura para me chegares mais a ti. 
Dás me um beijo na face, que mais logo acaba numa linha de fogo no meu pescoço. Aproximas o teu rosto do meu e coloco um dedo sobre os teus lábios para te travar. Tu morde-lo travesso, e não evito sorrir. Encostas-me às paredes nuas e vazias para não me deixares fugir, e os nossos olhos não descolam esperando quem faça o primeiro movimento. 
Como vai ser o jogo?

quarta-feira, 29 de julho de 2015

No melhor e no pior.

Gosto de ti. Muito.
Gosto da nossa vida pacata, até quando nos sentamos no sofá e eu vejo um filme qualquer que apanhei a meio na tv enquanto tu vês o que há de novo no facebook. 
Não deixo de gostar, mesmo quando me matas de susto quando vais bem a cima do limite da velocidade, ou quando fazer peões é sinonimo de diversão para ti, ainda que para mim não seja. 
E não trocava qualquer dia em que me tiras do sério por um dia noutro lugar qualquer. Porque estar ao teu lado, mesmo nos piores momentos, é melhor do que uma vida sem ti. E tenho a certeza disso, pois mal damos as costas um ao outro, depois de um beijo e um abraço demorado, a minha garganta fecha, e o meu peito aperta-se, por não saber em que dia te vou voltar a ver.
Se desejar até os piores momentos não é amor, então não sei o que seja.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Nossa história

Não preciso que a nossa história seja a mais bela, nem que seja a mais longa.
Preciso que a nossa história seja só nossa. Que continue como uma lagoa parada, refrescante no verão, e uma lareira acesa e acolhedora no inverno. Quero que continuemos a caminhar lado a lado olhando ao nosso redor mas nunca alheios às nossas mãos dadas. Que sejamos soltos, sem nunca sermos separados. Quero que o mundo olhe para um de nós e veja o reflexo do outro no sorriso. Quero morar no teu abraço e viver sempre no teu coração. 
Quero que a nossa história seja sobre finais felizes. E meios também.
Que continuemos a surpreender-nos com coisas pequenas, e a renovar a nossa felicidade.
Quero que a nossa história tenha muitos capítulos, e nunca chegue ao fim.

sábado, 11 de julho de 2015

Ainda hoje

Volta hoje para o meu abraço, amor. Não me deixes mais à espera do teu beijo doce, e do teu sorriso meigo quando me olhas. Volta hoje pela noite, e aconchega-te a mim na cama quando chegares, deixarei a porta aberta, e da janela entrará a luz da lua, que te guiará até mim. 
Aperta-me junto ao peito, e deixa-me pousar esta cabeça cheia de cantos escuros que murmuram pesadelos. Dá-me essa paz que trazes na tua alma, partilha comigo esse coração de ouro, e nunca mais me deixes chorar. 
Volta a segurar as minhas mãos nas tuas, e protege-me do mundo lá fora, porque perco o rumo sem ti. 
Volta ainda hoje, porque falta tanto para amanhã.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Febre

Ela estava só. E há muito tempo assim estava. 
Mas sonhava. Sonhava tão alegre como em dor, por querer aquilo que não existia se não no seu pensamento. Fazia histórias entre fios e fios de imagens coloridas. De paixões arrebatadoras, encontros e desencontros intensos e de tirar o fôlego. E suspirava, enquanto lhe doía o coração, por querer demasiado. 
Lia romances e sonhava mais alto com o seu. Com um toque proibido, que a fazia morder os lábios para se castigar por querer algum bandido a morde-los e a deseja-los. Queria que lhe roubassem a sua essência sem pedir, que a puxassem e mal a deixassem respirar com o desejo. Que não a deixassem pensar entre os beijos fogosos, e a fizessem arder como se estivesse com febre.
Ela queria um amor que a consumisse.
E era assim consumida pelo próprio pensamento. E era infeliz.

domingo, 5 de julho de 2015

O fantasma

Ela mal dormia, rebolando entre os lençóis. Lembrava-se do cheiro dele, e da forma como ele pousava a cabeça entre os seus cabelos, que cheirava enquanto a puxava mais para si. 
Adormecia por segundos, e voltava a acordar incerta se algum dia as palavras tinham sido trocadas, e os lábios quase tocados, enquanto o tom era baixo, em segredo. Uma pontada no âmago teimava em aparecer com o pensamento de que ele a queria, e que os olhos no silêncio pareciam devora-la. 
Mas ele não existia. Era apenas uma sombra sem corpo, que habitava os seus pesadelos, e lhe queimava a pele e a fazia tremer. Era apenas o seu fantasma, uma paixão intensa sem nome. Uma história para adormecer. 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Adormecido

Prende-se na garganta um suspiro. Os olhos baços admiram a lua lá no alto. E parece a noite consumir tudo ao seu redor. Há um conforto no silêncio, embora uma banda sonora toque dentro da mente.
Tudo desaparece, e ficam só as estrelas e a lua. Quem sabe o corpo flutue, ou voe, ao seu encontro. 
Viro-me para dentro. Poderia pegar numa memória e desenrola-la até hoje, mas vejo-as passar. O sono manda os olhos fechar, e o corpo relaxa de encontro à parede fria. Nada o parece acordar, e o silencio é quebrado pelos pássaros enchendo o ar com a sua melodia, e os primeiros raios de sol escondem as estrelas até à próxima noite. Porque não ficar? Banhar-me nessa luz dourada da manhã, até chegar de novo a noite e despertar deste sono passageiro. 
O corpo recusa-se a mexer, e os sonhos preenchem agora o mundo. É como se parasse, durante uns dias. Ou voltasse atrás. Voltaria atrás, para poder saborear mais uma vez o sol a beijar o rio à chegada e à despedida, e a lua a subir no alto como um balão. Contar as estrelas, até serem mil e eu me perder no seu leito.
Agora não há tempo. Chegou a hora de dormir.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ponte velha

Caminho nesta ponte de pedra. Tem buracos, e é já antiga, e eu bem sei como tenho medo de alturas. Deixo o pé beijar a morte, e o olhar segue em frente enquanto caminho e enfrento o vento que me quer deitar ao chão. Seguiria facilmente por outro caminho, onde não tivesse medo, mas que seria eu além duma cobarde? 
São dias, que esta ponte leva a atravessar, e eu não sei se vou tropeçar, ou se vou chegar ao fim intacta. Mas tenho que aceitar com bravura a minha demanda, "o que não nos mata torna-nos mais fortes". Há um suspiro a cada dez passos dados sem parar, e eu paro com medo onde colocar o pé a seguir. Já não sei onde o colocar, enquanto já não posso voltar atrás. 
Envolta em névoa, não vejo onde passo ou o que me rodeia. Não vejo o fim do caminho, nem se ele algum dia será mais que um precipício. Não terá a ponte desabado em algum momento?

domingo, 17 de maio de 2015

Pedaços soltos de mim

Beija me suave, com esses teus lábios espinhosos, e diz que me queres, enquanto viro as costas e te deixo cheirar o meu cabelo. Tenta agarrar-me, que eu te fujo, por já não querer o sabor agridoce na minha boca, e quem sabe terás sorte se eu tropeçar nesta corrida.
Talvez me esqueça de ir, ou talvez me esqueça de ficar. Talvez me esqueça de quem sou, talvez me esqueça de quem fui, talvez nasça num novo dia, e noutro lugar.
Fecho os olhos e abro os braços, pronta a abraçar o mundo, sem saber se ele está pronto para me abraçar a mim. Conto os dias em segundos, pronta a deixa-los para trás, a vê-los uma ultima vez. É fácil deixar tudo esfumar-se por entre o nevoeiro da manhã, e sentir o vento gelado na cara. Misturo-me com o orvalho, e finjo ser parte do ar, tão invisível que passes por mim e não me vejas, talvez nem nunca mais me encontres até eu querer voltar a encontrar-te.
Arranco o coração do peito e dou a comer ao cão esfomeado que passa por mim, e o devora sem parar. Depois, tiro o lenço branco imaculado do bolso e limpo o sangue que mancha o chão que piso. Deito-me ao lado do cão, agora saciado, e abraço-o enquanto ele me lambe a mão, cativado com a minha amabilidade. Quem sabe sejamos agora iguais, e eu faça agora parte do mundo, e já não pertença a ninguém.
Dá-me só a mão, não me deixes perder.

domingo, 3 de maio de 2015

Dançar

Deito-me na tua cama, nesses teus lençóis lavados. São macios e cheiram a flores. A cor da minha pele contrasta com a sua brancura, e eu enrolo-me neles, e afundo-me no teu peito, também nu. Fecho os olhos enquanto apagas as luzes, e entrelaço o meu corpo no teu preparando-me para dançar. O ritmo dá-o o som da chuva lá fora, que não parece querer parar.
O relógio pára, e o silêncio invade-nos excepto pelo som das nossas respirações sincronizadas.
Toco no teu peito e sinto o teu coração bater rápido e beijo o teu pescoço, a tua face e os teus lábios como exigindo-os só para mim.
Os teus lábios queimam, assim como as tuas mãos roçando o meu corpo e puxando-me para ti. Abraçamo-nos e perdemos a noção de um mundo em que a única realidade que interessa somos nós dois. Vem até mim, todas as vezes que os ponteiros do relógio soarem. Vem até mim, todas as vezes que a lua se esconder ou aparecer atrás duma nuvem. Vem até mim todas as vezes que as gotas da chuva molharem o chão da calçada. Vem até mim, que não te deixo ir longe, e te agarro com ambas as mãos. Mas nenhum de nós se quer levantar.

sábado, 25 de abril de 2015

Beijos

Enrolava-me nos teus beijos, e no calor que os teus lábios traçavam no meu pescoço. Parava-te quando subias e procuravas os meus, mas não desistias de me tentar quebrar e parecias ficar mais persistente quando me ouvias escapar um pequeno gemido rebelde. 
Imaginava-me deixar-te conseguir esse feito de me roubar um beijo só uma vez, mas temia perder-me num caminho por onde não saberia seguir, nem voltar atrás.
Eu segurava as tuas mãos longe do meu corpo, e tu não as forçavas na minha direcção. Estarias tu fazendo o jogo da paciência, sentido a minha resistência a cair, pronto a qualquer oportunidade para revirar o jogo a teu favor.
O meu coração batia como louco, e os meus olhos fechavam-se ao compasso dos teus beijos, e eu via o teu sorriso maroto crescer entre as investidas. 
O fogo ardia dentro de nós, e o mundo parecia ter parado no suspense de quem iria ganhar a batalha.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Preguiça

O café amarga, mas já não está quente, e é fácil segura-lo entre as mãos.
As nuvens ao longe anunciam chuva, embora o dia tenha nascido com sol.
A cidade já mexe, porque o sol já vai alto. Mas por aqui, a preguiça instala-se e os olhos ainda não abrem na totalidade. O coração parece bater mais lentamente, e o sangue não quer fluir pelo corpo com a energia habitual. Há dormência por todo o lado aqui.
Desvia os olhos do bulir da cidade, e espreita para a cama que a espera tentadoramente. E os contras são tantos, quando a favor está apenas a vontade. O melhor é fugir da tentação, e sentar na secretária de costas para ela.
O toque do relógio desperta um pouco daquele sono encantado, mas a culpa está estampada nos olhos, por se deixar arrastar naquele impasse entre o fazer e não fazer.
O corpo não responde mesmo assim.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O relógio

Toque. Baque surdo. O silêncio da noite chegou para ficar. Tirando o som irritante do relógio que não pára de tocar. E aquela luz entre os buracos da persiana que não deixam a escuridão entrar. E o som distante de cães que ladram ao luar.
Irritante.
Como o tempo passa sem que o sono chegue. Como a mente vagueia entre mares de pensamentos desconectados antigamente.
É do sono, que chegam os pesadelos, Que combatemos todas as noites em duelos.
E fica e fica, e bate e bate, e toca sem que passe.

Era uma vez,
a princesa salva pelo príncipe,
e os heróis em aventuras sem fim,
e os romances apertados,
e as tragédias dramáticas de mortes ensanguentadas,
com final feliz.

E já não há sono que não venha com histórias, nem sono que venha entre as memórias.
E a noite passa até clarear, e chega o sono quando é hora de trabalhar. E fica-se mais um pouco, porque quem não dorme é louco. E mais uma noite está para chegar, sem príncipes ou heróis.

E fica e fica, e bate e bate...


Lua

Ser marioneta. Puxada por fios, incolores, do céu caídos sobre o abismo, quem sabe num mundo de papelão. Ser feita de nada, e misturar-me com o ar que paira, naquela fresta de luz à janela. 
Ser verão e inverno, nas mãos de quem não sei, nem de quem quero saber. Deixar-me ir, por entre a maré de caminhos que levam a lado nenhum.  E nem por um momento pensar, qual o futuro, o presente ou o passado. E não tirar os olhos da fresta da janela, que não vejo, nem quero ver. E ficar de cabeça erguida, ou caída sobre os ombros, inanimada e presa por entre fios que me arrastam por lugares desconhecidos. Ser boca fechada, ser punhos cerrados, mas relaxados. 
Vaguear entre as sombras coloridas, e os barulhos silenciosos, e não entender o que me rodeia.
Ser inocente, e ver e não ver o mundo, e ver apenas a lua no alto, e as suas simples crateras, e o vazio. O simples vazio. 
Ser oca, sem chocalhos ou adereços.
Ser despida de voz, visão, sabor ou tacto.
Ser nua. Ser lua,

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Viagem

Acordo de novo sem o teu abraço de amanhã, e já parece uma eternidade desde o teu beijo ao acordar. Envolves-me nos sonhos coloridos, nesses teus braços apertados, que nunca me deixam cair, e fecho os olhos no decorrer da noite, ainda em claro, ouvindo a tua voz e tentando sentir as nossas pernas entrelaçadas antes de dormir.
Esqueço o temporal lá fora, quando a tua voz doce me desperta todos os sentidos, que te sentem só a ti, e deixo-me embalar nestas águas paradas enquanto espero o teu regresso.
Não foste longe, e eu cá te espero dessa viagem obrigatória, seguindo os teus passos, um a um, como quando percorro o teu corpo com beijos e te faço estremecer.
No amor temos que nos esmerar, ser pacientes, e pôr parte de nós naquilo que o outro faz.
Não há atalhos, e o trabalho é árduo, mas compensatório.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Insatisfação

Já sei que tenho que te deixar ir na tua, sem travões ou novas direcções. Sei que tens o caminho traçado, e não admites um pequeno desvio. Bem que tento acompanhar-te ao longo da estrada, nessa tua correria que sempre te deixa distante de mim. Tento seguir sorrindo sempre atrás,e por vezes deslizo e lá te peço para abrandares e seguires ao meu ritmo. Não me parece mais uma vez. E mais uma vez a tua paciência se esgota desse teu lado fervendo e espumando,e já estás farto de me dizer que o teu ritmo é o mais certo. Mas esse teu ritmo continua a não encaixar em mim sabes? Não te queria a fazê-lo como uma obrigação sequer, queria ver-te a fazê-lo para veres um sorriso verdadeiro quando conseguimos seguir lado a lado. Será que estou a pedir assim tanto de ti? Acho que não peço mais esforço que aquele que dou por nós.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Vamos tirar as teimas

Culpa minha, que num vislumbre de luz me apaixonei, e bela fiquei, sorrindo ao virar da esquina. Será que notaste os meus olhos brilhantes quando te olhei ao reflectir no rio? Será que reparaste como aproximei as minhas mãos de ti, para saber se tremias como eu, com a ligação que ali se criava entre nós dois? 
Não saberia dizer o que em ti me encantou naquela noite, nem nos outros tantos dias depois, e no que ainda hoje faz amolecer o meu coração e sorrir quando penso em ti, mas sei dizer que nada passou, que nada esmoreceu. O bater do meu coração brande mais alto que os ventos mais fortes que revoltam o mar, e ainda assim é mais suave que um marshmallow a derreter na tua boca. 
Quase te comparo ao sol, que me ilumina a face e me enche de felicidade, ou não ficaria eu tão bela quanto a lua quando sou o motivo do teu sorriso. 
Estou aqui, vê-me, fala-me, toca-me, vem comigo descobrir se somos reais ou se fazemos parte duma fantasia, num mundo distante deste nosso. Eu aposto que somos reais. Vamos tirar as teimas.