domingo, 8 de fevereiro de 2015

Silêncio

É uma tempestade, de vento chuva neve e frio. Gela-te até aos ossos, que já nem sabes se te pertencem, já nem sabes se pertences a este mundo, tão enevoado aos teus olhos, Será que te vais agora? Ou será que ficas mais um pouco? 
"Porque não ficas?" exclama um mundo travesso para ti. "Há tantas possibilidades..." diz ele, rindo nas tuas costas enquanto te prepara a próxima partida. "dá me a tua mão e eu ajudo-te a levantar" enquanto te esforças para levantar uma mão que parece já não ser tua, e tem a vontade própria de permanecer no chão. E o mundo vai embora rindo entre dentes "Já que não queres ajuda fica então aí". e ficas só.
Não te importas de estar só. Às vezes esqueces-te do medo da escuridão e sentes-te bem em silêncio. Gostavas que calasse também os teus pensamentos, como pessoas que riem de ti enquanto te observam ai deitado no chão frio e molhado de olhos baços sem vontade de levantar. Poderás ficar tu aí eternamente enquanto se riem de ti, ou será que os fantasmas seguirão a sua vida, e tu ficarás finalmente no silêncio que buscas? Acho que a procura da felicidade é a procura de um mundo sem dor. 

A mente

Há marcas que ficam. Há cicatrizes, e dores que vão e que voltam, como um bumerangue. 
É possível tentar esquecer, arrancar da memória é que não é tão fácil, e por isso, nunca passa do tentar. 
Quem sabe um dia as cicatrizes sarem e desapareçam da pele, e nunca mais sejam recordadas. 
Até lá, terei que me habituar com as suas intrusões em alturas inapropriadas, quando não há sequer uma altura apropriada, e tentar não enlouquecer. 
É difícil lidar com pensamentos automáticos, quando nem mesmo temos noção deles, quando os sentimentos afloram a pele, nos deixam quentes e trémulos, e não temos pistas do porquê. Mas às vezes há um insight, e boom, surgem todas as memórias dolorosas, todas as noites sem conseguir dormir, todos os dias com a mente vagando tentando solucionar as dúvidas impostas, e os gatilhos para a dor e a dúvida são agora muitos. Porque não posso apenas mexer na minha cabeça e consertar? 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Foto

Tenho uma foto nossa entre as mãos. Tento sentir o calor do teu corpo encostado ao meu e o teu cálido sopro enquanto respiras encostado a mim. Nada sinto, além do extenso ar que nos separa. Tento fechar os olhos e trazer até mim o toque da tua pele, a sensação da tua barba a arranhar-me a mão ao de leve e as tuas mãos suaves a puxar-me para ti. Também não resulta. 
É tão difícil ter-te longe quando sei o que é ter-te a meu lado, a confortar-me no meio dos pesadelos e a manter-me segura dos perigos lá fora, e dos perigos dentro do meu próprio coração. Sabes que és o único que me segura os demónios que alojam o meu pensamento e só com a tua mão na minha eu os consigo ignorar.
É difícil ser eu quando estou longe de ti. E é difícil seres tu, quando te faço ser o homem que me segura para não cair. Pudesse eu exterminar todos os demónios, e não ter mais medo de enfrentar o mundo sem te ter a meu lado, e o faria sem pensar duas vezes, só para não te por sobre tanta pressão.
Mas tens aguentado bem esse papel, tens sorrido para mim com esse sorriso que me faz sentir mais quente e feliz, os teus braços continuam a ser o meu lugar preferido, e os teus lábios o meu cálice de felicidade. 
E o meu coração bate descompassadamente, como tu já bem conheces, quando te encontra, quando nos juntamos num sôfrego suspiro, e nos deixamos levar por impulsos superiores aos pensamentos. 
É isso que quero para sempre, para nós, os nossos encontros fugazes, de loucura e perdição, quando o mundo parece deixar de rodar e o tempo parar, quando não há palavras, e a banda sonora é a nossa respiração pesada e nada mais se ouve para além disso. É isso que quero para nós, e quero também os dias em que encosto a cabeça no teu peito e me deixo estar, ouvindo o teu coração que bate lentamente, porque estamos felizes, e os dias de viagens loucas, de descobertas e aventuras, sempre a teu lado. 
Só quero descobrir contigo a beleza de viver. E nada deve ser mais belo que adormecer e acordar ao lado de quem amamos.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Divagações em tom de chuva

Sou o vento incerto. Sou o vento incolor que passa por vezes sem ser notado e que noutras vezes causa uma tempestade, até mesmo num copo de água. Sou o vento que vai a todo o lado, e a lado nenhum. Parece até que não sai do mesmo sitio, e quer soprar uma vela que nunca apaga. 

Sou uma evitante.
Pergunto esperando misericórdia, pergunto para acalmar reboliços porque minha mente evitante vive na incerteza que as minhas evitações obrigam. Evito saber mais. Evito perguntar demais, Evito os médicos, evito pesquisas, evito explicações por vezes. Só até não dar para evitar mais, e a ansiedade é maior evitando que enfrentando as dúvidas.

E por fim, sou moléculas, neurotransmissores, sangue, que não pediu para existir, que não escolheu os pais, a educação, a formação, os colegas, ou os vizinhos. Que não escolheu a crise, nem escolheu o país ou a sua situação económica. Também não escolheu estar alerta a ameaças, ou competir com os outros conjuntos de moléculas, neurotransmissores e sangue que existem na mesma situação. Acho que apenas faço o melhor que posso para enfrentar este mundo, com os instrumentos que me dão. O cérebro funciona duma maneira curiosa.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Luzes de natal

Enche a tua casa de luz. Faz os olhos de todos brilhar, e aquece-lhes o coração. Dá o máximo de ti, e não te afogues na tristeza dos outros, e afugenta a tua falta de ânimo. Pega na mão dos outros e espalha a magia que vai dentro do teu coração. O resto vem de seguida. 
Só hoje, finge que tudo é real.
Quem sabe, o pai natal te ofereça isso este ano.. 


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Consumida

O silêncio consome-me.
Sinto-me enclausurada, nesta fome de ser e de ter, nesta ânsia pela companhia, pela mão que procure a minha automaticamente, pelo beijo depositado numa respiração mais profunda, num bater do coração, inesperado.
Consome-me o bater do relógio que não deixa o tempo passar, e me faz ficar ansiosa porque o dia é tão lento.
Consome-me a minha mente, que não deixa este silêncio ser de paz, e me atropela com pensamentos que não quero ter.
Sinto-me tensa, e a cabeça pesada. Sinto náuseas e sinto o coração na garganta. Porquê ser humano?

Acordar

O corpo rosna contra o despertador. É cedo ainda para acordar, e as mantas não o deixam levantar. É bom de mais a almofada que se afunda com o peso da cabeça, e o colchão que se molda ao corpo, e lá fora é tão escuro, frio e perigoso. Oh como não queria despertar e esquecer o mundo por um bocado. Era bom apenas permanecer deitado. Quase se deixou ficar, clamando mais 5 minutos, duas a três vezes, mas o tempo escasseia, e a dormir nada se chateia, e a vida seria tão sem graça assim.
E lá se levantou, com um olho ainda meio fechado, por causa da claridade, vagueou um pouco enquanto procurava que vestir, e quando apanhou o autocarro ainda ia meio a dormir. Mas o dia já tinha começado.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Parte, mesmo que fiques

Quero expulsar-te amor, da minha jaula sem grades. Quero que partas mesmo que fiques, e que me destruas o coração duma só vez.
Não sei viver assim, de coração inteiro, porque nunca me permiti a aprender como se faz. E hoje, a hora vai tardia e o coração ainda não partiu, e tu ainda não foste embora. Mas na minha cabeça vejo-te virar as costas com a mão noutra companhia, e a partir sem acenar.
Sofro assim, um pouco todos os dias, como esperando que, se realmente partires, não vá doer um só dia assim que fores.
Mas quem sou eu para ler mentes e adivinhar futuros amor?
Acho que sou alguém que não conseguiu aprender a ser inteiro, nem a avançar sem tropeçar.
Estou ainda a aprender a manter o equilíbrio - caminha a meu lado enquanto estiver a aprender, e não me deixes cair.

sábado, 8 de novembro de 2014

Lembranças.

Não nos esqueçamos, nem por duas ou três vidas que estejam por vir. Não nos esqueçamos a brevidade com que encontramos a alma um do outro, nem a voracidade com que nos amamos. Não esqueçamos os prazeres lentos que nos consomem, nem a intensidade com que nos olhamos mesmo no meio da escuridão. Não esqueçamos nunca, como nos unimos um ao outro, e como nos aquecemos num dia de chuva. Não nos esqueçamos de quando estamos presentes para nos confortarmos e apoiarmos um ao outro. Agradeçamos por tudo o que de bom partilhamos e melhoramos no nosso mundo. Um amor assim nunca se pode esquecer, nunca se pode perder.

domingo, 5 de outubro de 2014

Desabafo

Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando o sol nasce, porque é para mim difícil acreditar que um dia possa começar sem te ter a meu lado.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando pouso a cabeça na almofada antes de dormir e quando acordo a meio da noite no escuro, porque não durmo descansada sem o teu calor a aquecer-me na noite.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando choro, porque não sei quem mais me pode fazer rir e me dar segurança na tristeza.
Desculpa por este desabafo, mas quero-te a meu lado quando sorrir, porque não conheço mais ninguém que mereça tanto o meu sorriso.
Desculpa por este desabafo, mas quero que me ames para sempre, porque eu só te sei amar a ti, e és tu quem quero fazer feliz. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Tempo

Pouso as mãos no colo. Luto há horas para distrair a minha mente, mas ainda não parei de contar o tempo passar. Estou esgotada com essa simples tarefa, o tempo é uma coisa curiosa quando se toma atenção nele. Na verdade ele não passa rápido, mas se ninguém o contasse eu diria que tinha estado parada desde que o comecei a contar.
Desisto agora de distrair a minha mente desta tarefa tão esgotante, e dedico-me apenas a ela. E questiono-me se é assim que quero passar os meus dias, a contar tempo, a ouvir o tic-tac do relógio que ele mesmo me deu.
Desisto de pensar por agora, e concentro-me nas minhas emoções. Sentir o tempo passar por mim deixa-me com um frio na barriga, deixa-me arrepiada e um pouco tremula. Não gosto do que sinto. Mas e daí tinha decido não pensar e só sentir. Mas quero fugir destas emoções.
Quero fugir do tempo, quero fugir desta minha nova tarefa, mas o tic tac está muito alto e não larga a minha cabeça.
Desisto(?)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Veritas

Ela caminhava pela sombra olhando o chão. Não via na verdade onde pisava, por ter a cabeça noutro lugar. Havia alguns anos que estava presa numa teia que começou como um jogo, ao qual ela nunca soube jogar. Melhorou ao longo dos anos, tornou-se mais cuidadosa nas peças jogadas, e aprendeu por fim a perder, enquanto fingia ganhar. 
Os caminhos já não eram os mesmos, mas a sensação sim, a cabeça pesada e o coração apertado.
Levantou os olhos quando chegou ao seu destino e encontrou-o sentado. Sorridente, como desde o primeiro dia que o vira, e já fazia tanto tempo. Talvez uma ou outra ruga tivesse surgido, mas ela não reparava em nenhuma diferença, era como voltar atrás no tempo. 
Ela não se sentou, e manteve a distância. Ele não a questionou, e o olhar mostrava compreensão. Reconstruíram juntos memórias já com falhas, eram músicas, toques, olhares encontrando-se na multidão, mágoas antigas. Ela despejou o coração pela boca, abriu o jogo bem na sua frente, porque quem perde um dia desiste de jogar, e foi se sentindo mais leve, como se o fingimento dos anos lhe pesassem nos ombros. 
Despediram-se com um abraço, de quem lamenta não poder começar tudo de novo sem os erros cometidos, mas separaram-se aí mais uma vez. 
Ela sabe que o jogo está na fase final, mas ainda procura um sinal nas entrelinhas de que ele se sinta tal como ela.
Queria fazer mais, mas era tarde para ela, e por fim, guardou só para si que a única coisa que sempre quisera era chegar ao seu coração. 

sábado, 26 de julho de 2014

Plano

Todas as noites, quando relembro o teu sorriso a chegar aos teus olhos e a contagiarem os meus, fico sem fala, pela dor que chega só depois, pelos abraços que não dei, pelos beijos que foram aquém do desejo, pelas palavras que ficaram no coração e não houve cordas vocais para lhes dar vida, e questiono-me se sabes de tudo isto, de todo o arrependimento que deixo assombrar-me o amor que te tenho, e depois volto a pensar em ti, e deixo o rasto da saudade a pesar o coração, e as lágrimas, que nunca chegam a cair das beiras dos olhos, enquanto os esfrego e as afasto, e só sorrio, deixando o teu sorriso gravado na minha memória servir de espelho.
Hoje fui mais longe! Comecei o dia pelo peso das saudades, deixei-as pesar no coração, deixei o sorriso chegar pela memória, regressou o arrependimento pelos abraços, beijos e palavras que foram parcas confrontando com a vontade, e quando te vi chegar tinha já o plano de não deixar nada para trás.
Chegaste com essa leveza característica, com esse ar da própria felicidade, riste, riste como se a lei to proibisse e tu fosses o maior rebelde, e eu amei-te ainda mais, como se me pudesse apaixonar de novo por ti, de todas as vezes que te vejo ser livre.
E não houve arrependimentos no fim, porque dei todos os abraços, os mais apertados, tentando deixar um pedaço de ti sempre comigo, beijei-te como se pudesse entregar-te o meu amor num beijo, sendo ele infinito, e disse-te tudo o que as palavras podem dizer em nome do coração. Hoje também eu vim leve para casa, e sinto-me a flutuar entre as memórias, entre o som do teu riso, o bater do teu coração ao meu toque, a tua cabeça pousada no meu colo enquanto te afago o cabelo.
Hoje se chorar não preciso esfregar os olhos, porque sinto-me verdadeiramente feliz. E não há nada de errado na felicidade. É ser tão livre como tu.

domingo, 6 de julho de 2014

Bagagem

Tenho mau feitio. Sou rabugenta, e engelho o nariz com demasiada frequência.
Preocupo-me com tudo, com alguma coisa, com nada, e todos os males parecem afligir a minha vida, na minha cabeça.
Baixa auto-estima, inseguranças a mil à hora, e uma terrível inclinação para a repetição.
Se conheces estas partes de mim, parabéns! Chegaste onde não deixo ninguém chegar, abri-te os portões dos meus medos, da minha ansiedade, e da minha confiança. Vês o que poucos têm a oportunidade de ver. E sejamos sinceros, não é bonito este mundo sangrento que escondo debaixo do tapete! Mas é aquilo que sou, no meu mais puro lado negro.
E já tentei mudar! Ai, como tento mudar a cada dia que passa.... Mas é difícil mudar algo tão intrínseco ao meu corpo.
Prometo que tenho qualidades também. Não é só esta a bagagem que levo comigo para onde quer que eu vá. Este é só o lado mais profundo, e o superficial é muito mais bonito...
Prometo sorrir-te todos os dias, prometo amar-te cada vez que engelho o nariz e sorrir interiormente enquanto o meu coração aquece ao ver o teu sorriso quando me tentas chatear. prometo tentar fazer-te rir, mesmo após várias tentativas falhadas, prometo cuidar tão bem de ti como cuido de mim, prometo aquecer os teus pés nos dias frios, prometo tentar não te tirar os cobertores todas as noites, e prometo pôr-te sempre em primeiro na minha vida.
Não posso prometer ser perfeita, porque nunca serei capaz de o cumprir. Mas prometo nunca desistir, de mim, de ti, de nós, da felicidade. E prometo fazer de tudo ao meu alcance para cumprir cada promessa que te faça.

sábado, 5 de julho de 2014

Sonho acordada

Por momentos senti o teu cheiro, e pensei que chegasses em bicos de pés para me dares o meu beijo de boa noite. Sabia-te longe, mas fiquei sem me mexer, debaixo dos lençóis, quietinha com medo que te fosses embora se me soubesses acordada. Quase o senti, de olhos fechados, e quase senti a tua respiração no meu pescoço, e o teu abraço à minha volta. Quase, por segundos, pensei que fosses ficar, deitado a meu lado, e hoje dormisses comigo como tantas vezes fazemos.
Quis tocar-te e puxar-te para mim, mas quando abri os olhos não estavas comigo, eu estava só como tão só se pode ficar quando o nosso amor está longe, e leva a nossa alma com ele.
Deixei que uma lágrima solitária nascesse, mas cedo me esqueci dela e sorri. Pude ter-te comigo, hoje e todos os dias desde que nos cruzámos neste oceano de pessoas. Não poderíamos ser mais certos um para o outro.
Tudo isto é mais forte que eu, ou tu. Pertenço-te, mesmo que não quisesse. Mas não há nada que eu queira mais.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quando a solidão chega na madrugada fria

Podia ficar noite dentro a pensar em ti, da mesma forma que podia passa-la tentando esquecer teu nome. De qualquer das formas tudo gira em teu torno, é a ti que procuro no meio da tristeza quando ela cruza comigo trazida pelo vento que passa, quando as lágrimas cruzam o meu olhar, quando a solidão me encontra desprotegida. E então, procuro-te, e quando não te encontro deixo-me afundar contra a parede fria, e ai não fujo mais aos ataques, e olho o infinito de visão desfocada.
Um dia quando me chegar a solidão saberei que não te encontrarei, e deixarei de procurar. Acho que esse dia está a chegar. Ninguém vive iludido para sempre.

domingo, 22 de junho de 2014

Arrancar tudo de mim

Quando perceberás que por ti arrancava tudo de mim?
Arrancava cada mancha que não gostasses, arrancava cada piada de que não risses, arrancava cada som que não quisesses ouvir, arrancava cada mecha de cabelo que não achasses bonita, arrancava cada defeitozinho meu que te irritasse, arrancava cada lágrima que não consigo impedir de cair e que tu chamas de injusta, arrancava cada suspiro de aborrecimento, arrancava cada grito de desespero e cansaço.
Estou cansada de sangrar sem parar nas minhas parcas tentativas de arrancar o que não é possível. Eu arrancava tudo o que me pedisses, mas apesar das feridas abertas, nada sai, apenas sangro sem término. Desculpa-me por não fazer mais por ti, mas enquanto tento arrancar tudo o que tenho esqueço-me do que um dia nos juntou ou do que sequer hoje ainda nos junta. E recordo me apenas que duas pessoas devem aceitar-se mas também lutar para que ambos sejam felizes. Em que momento as opiniões de um começaram a ser mais importantes que a de outro?
Por mim, e não por ti, arrancava o coração e entregava-to em mãos, e seguia sozinha sem virar costas só para não ter que sangrar continuamente. Desculpa se não consigo arrancar de mim o que não gostas, enquanto não arrancas nada de ti.
Por agora, não sei a fórmula para arrancar um coração e continuar a viver. Acho que terei que adiar.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

És pensamento automático

Sei que os primeiros dias já passaram há muito...
Mas ainda sinto as borboletas no estômago, a pairar felizes, de todas as cores, ainda sinto a felicidade imensa da esperança dum reencontro para breve, e as saudades que apertam no peito aquando da distância. Ainda tenho o mesmo sorriso constante comigo, que não desaparece por nada quando penso em ti.
Agarro-me a tudo isso, sem no entanto me agarrar a nada. Agarro-me a ti, agarro-me ao te sorriso, ao teu calor. Mas no entanto não me agarro, tal como as borboletas são livres de partir, e a saudade de afrouxar, como o sorriso pode desaparecer dum momento para o outro. Mas não. Não preciso sequer pensar, porque estás presente em todo o lado dentro de mim e das minhas memórias.
Contigo é tão natural sorrir. A vida parece ser feita para isso mesmo.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Não gosto de me ficar pela metade.

Não me contento com uma só palavra tua à distância, nem um só sorriso teu estagnado no tempo. Não me contento com miragens tuas, quando estou só, no deserto.
Preenches todo o espaço em que estás, mesmo naquele em que te deitas ao silêncio, ou te permites ao sossego. E eu quero que preenchas assim não só o espaço vazio do meu coração, mas também todo o espaço que me contorna sem me tocar. E chegues e me toques, e me puxes para ti, retires esta distância que nos aparta sem fim. Não me contento quando não posso admirar de perto o teu rosto, ou tocar a tua face e sentir a tua pele, os teus poros, ouvir a tua respiração ao meu ouvido, como não me contentaria que todo um universo se metesse entre nós, puxando-nos em opostas direcções.
Não gosto de me ficar pela metade. Não gosto de te saber longe do estender do meu braço, sem assim te poder agarrar e manter-te a meu lado. Não gosto de adormecer sozinha, sem a tua presença a proteger o meu sono. E menos gosto de acordar vazia, como uma manhã cinzenta em que irá chover.
Quando digo que te quero, quero-te em toda a vida, em todo o sol, em toda a chuva, em todo o meu sorriso, em toda a minha alegria. Quando digo que te quero, não te quero só às vezes, não te quero só quando estou triste ou sozinha, não te quero só quando não quero mais nada.. Quando digo que te quero, quero-te em tudo. Quero-te em toda a felicidade. Porque não quero só que me faças feliz. Quero fazer-te o mais feliz dos homens.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

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Não sei o que o meu coração diz
Mas há um buraco negro nele que me suga para um lugar estranho e desabitado
Talvez, talvez devesse ser outra, talvez devesse mudar, talvez, eu, mereça cada dia, cada sorriso e cada abraço, talvez seja esse buraco negro que não me deixa ver isso.
Não sei. Parece que de repente não sei tanta coisa.