sábado, 5 de outubro de 2013

Charlatães do Amor

Hoje em dia amar é pouco mais que vender promessas baratas.
São tão comuns. Tão disseminadas nesta imensidão de rostos anónimos. Cada um já terá ouvido dessas promessas de um amor (in)capaz.
Acredito que só quem tenha sofrido nas mãos desse charlatanismo saiba do que falo. Os charlatães? Não admitem a existência deste "amor" tão falso . Escondem-se atrás do "amor é passageiro". Mas não explicam como amam hoje esta e amanhã outra pessoa, como, sem ainda bem a conhecerem, já prometem "para sempre's".
Admito a existência de pessoas que precisam de algumas horas para saberem o que querem, para saber o que sentem, mas isso não acontece três vezes por semana. Esses são os que nunca sabem o que querem, mas gostam de se fingir conhecedores dos sentimentos. E o que fazem? Quebram corações com simples "Não dá mais",  "Afinal não era o que eu queria", "O problema não és tu, sou eu", "Conheci outra pessoa". Como aceitar isto no fim de mil promessas, que nunca foram nem serão concretizadas? Quem repara o sentimento de vazio, de engano, de traição, que permanece numa pessoa enganada? Não permanece apenas o tempo que tiveram juntos, não desaparece ao fim dumas horas, duma semana ou duas. Fica a marcar território. Porque doeu. Dói acreditar em mentiras.
Os charlatães precisam de sofrer do mesmo mal, precisam de acreditar em mentiras que eles próprios contam, precisam que doa. Talvez aí, sejam como eu, e não voltem a fazer promessas vazias.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Amo-te assim

É o amor verdadeiro que se deseja. O amor puro, sem constrangimentos. O amor dos tempos idos, que levou à morte de Romeu e Julieta. Aquele amor que nos faz viver, ou morrer, conforme os dias.
O amor que nos faz arriscar, que nos faz cometer loucuras, que nos faz agir sem pensar. Aquele que leva a um beijo fogoso em público como se ninguém estivesse a olhar. Aquele que leva uma pessoa a ser romântica, quando nunca antes fora.
Aquele que nos faz puxar os nossos próprios cabelos. Aquele que nos agonia quando nos imaginamos sem ele. Aquele que nos esmaga, que nos dilacera, que nos desfaz em pedaços nos ciúmes doentios.
O amor puro é o melhor. Exige tudo de nós, tira-nos tudo, deixa-nos sem nada nosso. É arrasador. Passa por nós como um furacão, e deixa uma tempestade atrás. Não podemos dizer que não notamos a sua presença quando passa. Nós arrancamos o nosso coração do peito, para ele nunca mais voltar igual.
Nós da-mo-nos para esse amor. Ele que nos arranque a alma. Mas que nos faça viver no limite. No limite entre a felicidade e a dor. Na corda bamba entre o ser e o não ser. Só somos quando amamos. Amar é existir. Amar é sentir o coração nas mãos a derramar sangue enquanto bate desalmadamente, sem parar. Amar é nunca parar, é respirar o ar fresco da manhã como se nos inundássemos de vida, e cair no escuro da noite sabendo sempre onde pertencemos.
Amamos e queremos tudo. Mas queremos dar muito mais que tudo.
O amor puro é intenso, e é tão bom de sentir.

"Bluebird", Charles Bukowski

"there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pour whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?"

Um dia de Sol

Existe uma calma tão grande neste lugar. O céu abriu para deixar passar o sol, que aquece o tempo depois da semana de chuva.
Ouvem-se pássaros e uma fonte corre algures aqui perto. Parece que tudo está bem e no seu devido lugar. Que não é preciso questionar nada, nem nos importarmos com nada. Afinal, só temos aquilo que merecemos. E eu mereço tudo isto. Hoje sinto-me bem comigo. Hoje consigo valorizar-me, como deveria fazer todos os dias. Sou realmente boa como pessoa. Poucos são aqueles que tem queixas contra mim.
Não me deveria isso significar algo?

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Porquê a Solidão?

Sempre quis a minha independência. Sempre achei que é sozinha que hei de viver. contar comigo, só comigo. Lidar com as minhas metas, os meus alcances, as minhas perdas. Sozinha.
É triste ser só. Não me impeço de chorar perante este meu ideal de vida, que nada tem de ideal. Mas tento  controlar-me pensando que é o melhor para mim. Nova crise de choro em seguida.
É difícil ser feliz nestes termos, e é difícil ser feliz com este "ideal".
É como questionar toda a felicidade que nos é provocada por outros. É procurar por sinais de que essa felicidade está a terminar.
É antecipar a solidão. É o medo da solidão que eu tenho. Toda a vida vivi por mim esperando um futuro melhor. Mas quando o tenho ele  treme-me nas mãos, é frágil, vai cair e partir-se.
Se volto a ficar sozinha que será de mim?
Será que realmente quero viver a minha vida inteira fugindo do medo de perder alguém? Viver só com medo do processo de solidão?
Atrevo-me a questionar, devo eu fingir-me de morta pelo medo de morrer?
Levo um tempo a perceber-me, a saber de mim.
Mas enquanto discorro sobre os meus pensamentos descubro-me e entendo melhor os meus medos.
Muitos dias posso afirmar não gostar  de quem sou. Acho que me deixo levar demasiado pelos meus medos. Acho que me deixo guiar por eles. Ser atropelada por eles, esmagada, dominada, paralisada.
Quando estou confiante basta uma coisa para deitar tudo por terra. É difícil ser assim. E a maior parte das vezes atrás dum "Está tudo bem" está uma luta no meu interior pelo poder da minha mente.
Acho que quando nos magoam passamos a tomar isso por certo a vida inteira. Falo por mim, que é assim que me sinto. Parece que existe sempre alguém melhor a querer ocupar o nosso lugar e a ter total desconsideração por outro ser humano. eu não sou assim. Se rá que deveria ser assim? Será que deveria seguir o modelo dessas pessoas que quase odeio? Que chego a odiar algumas vezes?
E volto à solidão.
Porque me sinto tão só? Tão triste? Tão abandonada? É defeito meu este?
Porquê tanto medo? De onde vem este medo de ser esquecida?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Amnesia

Não consigo abstrair-me do que sei.
É como um estilhaço escondido no coração, uma bala perdida, arremessada ao acaso e esquecida.
Dói.
Agora apetece-me chorar. Não sei se da garganta dorida, dos olhos pesados, se do meu coração fracassado.
Quero apagar o que sei. Esquecer.
Quero que não doa em mim, nem em sonhos, como nos pesadelos que me têm perseguido.
Seria tão mais fácil adormecer agora num sono sem sonhos e dormir. Só dormir, até haver certezas neste mundo.

Aprecio-te

Nunca antes tinha escrito na tua cama.
Os nossos cheiros misturados,
As nossas almas satisfeitas,
Gosto de te ver dormir descansado, aprecio o teu peito subir e descer a um ritmo lento, e vejo a calma no teu rosto.
É bom ver assim quem amamos. É bom abraçar-te enquanto dormes e tentar atingir os teus sonhos. Será que sonhas comigo como sonho contigo todas as noites? Será que me sentes envolver-te com os meus braços e percebes que te quero agarrar para nunca te deixar escapar?
A tua respiração está compassada com a minha. Estamos ao mesmo ritmo. Somos o mesmo ritmo.
A noite passada conversamos pela madrugada. Adoro saber sobre ti. Quero que te confies a mim e te partilhes comigo.
Quero que comigo sempre te sintas em casa, onde quer que estejamos. Quero que sejas tão feliz como eu sou quando estou contigo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Segredo

É segredo. Terá que ficar entre nós.
Gosto das cócegas que me fazes, mesmo que implore para parares, aflita de tanto gritar e espernear. Cansa tentar fugir às tuas cócegas, mas é um cansaço dos bons. Os meus risos preenchem o teu quarto enquanto rebolamos na cama; eu a fugir dos teus braços, tu tentando apanhar-me.
Gosto do teu sorriso enquanto me agarras com força para não fugir de ti. Mas é segredo, não contes a ninguém.
Conheces-me tão bem. Vês no meu olhar quando te peço um beijo em silêncio. Decifras nos meus gestos quando quero que me dês a tua mão. E já sabes tão bem como que a Terra gira em redor do Sol, que quando viro minhas costas para ti quero que te encaixes na perfeição e coloques os teus braços ao redor do meu corpo, protegendo-me de todo o mundo. É agradável sentir a tua respiração no meu pescoço enquanto dormimos, e o teu corpo encostado ao meu, sem barreiras, só pele com pele.
Mas xiu, é segredo! Pois tudo me faz apaixonar mais por ti...

"The Poem I Didn’t Write", Raymond Carver

"Here is the poem I was going to write
earlier, but didn’t
because I heard you stirring.
I was thinking again
about that first morning in Zurich.
How we woke up before sunrise.
Disoriented for a minute. But going
out onto the balcony that looked down
over the river, and the old part of the city.
And simply standing there, speechless.
Nude. Watching the sky lighten.
So thrilled and happy. As if
we’d been put there
just at that moment."

sábado, 28 de setembro de 2013

Reflectida

Ela dança louca
Sobre espelhos partidos.
A sua imagem é reflectida 
Em fragmentos,
Que imagem fiel de si mesma!
Parece indiferente aos seus pés
descalços, manchados de sangue.
Dança com um parceiro invisível
E finge um sorriso com os lábios
Que não chega aos olhos
Fechados. Que imaginará ela
para calar a dor?

Os pés choram
E a dor é aguda.
Milhões de cortes, feridas,
Os pedaços penetram bem a pele
Tenra, jovem, A ternura.
Mas está tudo bem.
É preciso. 

O cubo

Carrego um cubo opaco dentro do peito.
Nele escondo as minhas feridas, de olhares indiscretos, de aguçados ouvidos, de atentas e perspicazes pessoas. É um cubo pesado, que torna lentos os meus movimentos, que me faz andar atrás, que me faz parar no caminho para recuperar o fôlego. Dificulta-me a respiração, e torna o ar impuro para o meu corpo. Este meu corpo tudo quer rejeitar, e o estômago encolhe-se no vazio. Ele pede para ficar sozinho no desespero.
O cubo carrega uma vasta onda de escuridão e eu abraço-me para me proteger do ar gelado que de lá sai. Mas como nos protegermos de nós próprios? do nosso interior?
Porque quero carregar sozinha este peso?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Discurso directo em Amor e Perda

O frio voltou. Não me coloco à janela, que fechei por completo. Perdi interesse no céu estrelado. Perdi interesse no cheiro da noite e no único som vindo dos animais no mais completo silêncio. 
O coração já sofreu tantos remendos, no seu passado, que hoje racha ao menor sinal de agressão.
Hoje, ele desenterra o passado, e com o passado os mesmos medos, a mesma ansiedade, e a esperança? vem tão fraca como fraca ficou outrora, tão baça, tão gasta, tão maltratada.
Como voltar a ensinar um coração a acreditar? Como o fazer depois de ele ter acreditado em mentiras? Depois de ele ter aprendido que o mundo é um lugar desleal? Como fazê-lo ter esperança num mundo finito? Tudo termina um dia.
A frase que me deita ao chão de pedra, duro e frio, gelado na verdade.
O que fazer num mundo em que tudo termina?
O que serei amanhã? Estarei viva amanhã? O que é o amanhã?
É inevitável o choro. Talvez hoje não chore, talvez chore um pouco, só para lavar a alma. Mas um dia, o meu coração quebrará.
O típico sofrimento humano: estar a sofrer quando as coisas estão mal e sofrer com medo que corram mal, quando tudo está bem. Sou uma humana típica, eu suponho.
Tenho um medo que me dilacera a alma.
Alguma vez amaram alguém com todo o vosso coração? Falo a sério. Sentir-se cheio, completo, sentir algo brotar de dentro, seja do coração ou de qualquer outro órgão? Sentir que mais ninguém se chega tão próximo, que mais ninguém te conhece assim, com quem precisas de partilhar tudo porque ele é uma extensão de ti?
Nunca soube o que é o amor, nem me quero arriscar a dizer que sei, mas não estarei próxima quando sinto tudo isto? Quando as saudades apertam após poucas horas de ausência?
No início, não sabendo o que significava o amor, temi tratar-se de "paixão correspondida", de atracção física e sexual. Temi que não durasse mais que uns dias, depois mais que umas semanas... não pensei chegar até onde chegámos. Mas hoje, é tarde para protecções. Hoje estou aqui de corpo, alma, coração, e tudo aquilo que possua, para dar.
Não sou hipócrita dizendo que nada quero em troca. Quero. Eu quero o mesmo amor de volta. Quero não ser a única que prefere dormir abraçada, num dia de extremo calor, a dormir sozinha; Quero não ser a única a procurar a mão para podermos estar sempre unidos. Quero não ser a única a deixar tudo o resto só para poder abraça-lo mais uma vez. Não quero ser a única a dar tudo. Não quero acabar sozinha, num banho de lágrimas, sem nada com que me consolar.
Nunca vi ou senti nada assim. Será que toda a gente se sente assim um dia? Será que toda a gente encontra alguém de quem quer tomar conta, cuidar com todo o carinho, alguém para mimar, alguém para brincar, alguém com quem chorar, mas que nunca nos faça chorar, alguém em quem nos apoiarmos, alguém a quem se entregar totalmente?
Basta um sorriso. Nunca vi ninguém tão bonito. Nunca vi alguém tão brilhante, tão resplandecente. Tão bom coração. Tão meigo, tão carinhoso, tão atento às necessidades dos outros.
Nunca me senti tão bem por ser sincera, por poder mostrar o meu verdadeiro eu, sem me sentir culpada. Nem nunca me senti tão bem por não ser repreendida e sim compreendida. Acho que tinha um medo  aprendido sobre ser "eu", sem omissões, poder mostrar os meus medos, as minhas tristezas. é bom uma vez na vida não ser errado estar triste, e alguém mover o mundo para me fazer feliz.
E é assim, em discurso directo, que ao fim de três páginas as lágrimas me vêm aos olhos por me lembrar que sou uma sortuda, dure o tempo que durar. Aprendi a amar. Todo este tempo tenho tido o que de melhor poderia ter encontrado. E é tão difícil pensar que o poderei perder.

Medo

É como estar doente, duma doença sem nome. É crónica e piora.
Destrói aquilo em que acreditamos, mesmo quando o nosso coração quer acreditar.
A nossa mente começa a construir padrões, e quando surge algo que se parece encaixar... surge o alerta insistente que não nos deixa dormir. É a dúvida que se implanta, mesmo nos locais menos apropriados. 
E quando os padrões não são iguais, nós torna-mo-los semelhantes, criamos na nossa imaginação como se desenhássemos os contornos da realidade. A partir desse momento só existem aspectos negativos, muitos deles inventados, mas que são para nós tão reais e verdadeiros.
É uma doença que nos enjoa e faz vomitar. É uma doença que nos tira a fome, que nos tira as forças, que nos tira as vontades de tudo e de nada.
É como morrer lentamente sobre nosso próprio controlo. É como matar a esperança ao mesmo tempo que a queríamos ter salvo.
É querermos ser o nosso fim, só para morrermos preparados.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

De lírios

E se aprisionasse minha alma
Onde não a pudésseis ver,
ou tocar
E se a soprasse ao vento
Dentro da sua gaiola com asas
e a vísseis desaparecer
no infinito.
Qual melhor fado ela teria?
Que fado teríeis vós também
Que fado grotesco
oriundo de um canto do Inferno
Como Dante anteviu.
Seríeis vós feliz
Sem alma pertencente a vós
Como a minha, fiel.
Mas minha alma não pertence a este plano 
Não mais.
Não, quando se encontra
com vós.
E o meu peito extravasa...
Amor.

sábado, 21 de setembro de 2013

Se's

O que acontecerá se um dia me faltares?
Se um dia eu acordar e de repente seres parte apenas dos meus sonhos?
Se estiveres num outro lugar, que eu não consigo alcançar?
Se um dia um de nós tropeçar, escorregar, virar para o caminho errado, se nos perdemos um do outro?
A quem contarei meus medos? A quem me confiarei, como me confio a ti? Eu sou frágil, e só ao teu toque permaneço intacta. 
Quem me abraçará quando eu tiver medo do escuro? Quem me dará a mão e a apertará discretamente, quando eu estiver a perder as forças? Quem me sussurrará palavras doces, meigas, confiantes quando sentir que o dia está a correr mal? 
Os teus braços confortam-me quando desabo feita rio, num pranto inexplicável. 
Que será de mim, se não me abraçares mais?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Nada

Apetece-me arrancar todas as ínfimas partes de mim.
Desmembrar-me.
Sangrar-me.
Fazer dos meus ossos pó.
Espalha-los por diversos lugares, tão distantes quanto inexistentes. Infinitos talvez.

Ser eu, sem mim mesma.
Ser tudo quando não sou nada.
Ser nada, no fim do dia.

domingo, 15 de setembro de 2013

Auto-punição

Ela odiava o mundo. 
Ela odiava não escolher , e odiava ter que escolher. 
Ela partia os vidros arremessando-os contra as paredes cinzentas e enrugadas. Ela gritava numa sala grande e vazia, e ouvia o seu eco em retorno. Quando não gritava ficava só silêncio. Ela gostava do silêncio ao mesmo tempo que o odiava. Ela sentia vontade de se partir aos pedaços, de ver o seu interior, de se poder arranjar, sentia algo estragado dentro de si. 
Ela corria fugindo de tudo. Quando aparecia uma brecha de sol ela corria para a sombra.
Quando caia uma gota de chuva ela sentava-se no chão sujo e deixava-se enregelar até não sentir mais o corpo. Ela auto-punia-se, sem saber porquê. 
E sentia-se tão triste, por não conseguir ser doutra forma.

sábado, 14 de setembro de 2013

Carta de Amor

Os dias estão mais leves.
É como pesar menos que nada e viajar nos teus braços. Sinto-te como o meu lar. Gosto de me encostar a ti e entregar-me ao teu calor, quando nada mais existe neste mundo gelado. 
Gosto de abrir-te o meu coração, sem fachadas, sem mentiras, sem omissões. Gosto de te deixar entrar, e de te pedir para permaneceres. Gosto da forma como me enterneces, como deixas o meu coração tão mole, tão livre para te amar.
Espero que entendas nos meus beijos loucos e esfomeados, e nos mais ternos e apaixonados, o quanto estou grata por tudo o que me dás. O carinho, as palavras verdadeiras, os abraços apertados, o apoio. Obrigada por gostares de mim por quem sou. Obrigada por acompanhares as minhas loucuras. Obrigada ainda mais por secares as minhas lágrimas. Obrigada por seres o melhor amigo, o melhor amante, o melhor companheiro. Amar-te é pouco.

domingo, 8 de setembro de 2013

Coimbra amada

Há uma certa nostalgia no ar. Redes sociais repletas de caloirinhos prontos a começar a faculdade. Felizes porque entraram nas instituições que desejavam, no curso dos seus sonhos. Todos os dias sinto a felicidade de estar no curso que desejo, mas já lá vão três anos, três anos que passaram a correr, e o tempo não parece abrandar.
Há três anos atrás era eu quem corria aos pulos mentalmente, e tinha o coração sobressaltado, por tanto querer vir para Coimbra. Este ano termino a licenciatura. Hoje pertenço tanto aqui, que não me consigo imaginar noutro local, nem a ter outra vida.
Contudo, já vou a meio do meu percurso por cá. É assustador o quanto o tempo passa rápido, por mais que o queiramos segurar. Coimbra é saudade. Coimbra é saudade desde o momento que deixamos de ser caloiros. Coimbra é o constante pensar de que o tempo não pára e que não podemos ficar para sempre. Coimbra é a certeza que a felicidade existe, e a incerteza de se ela durará para sempre.

"Levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra

Capa Negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo Comigo para a vida"

F R A!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Paz de espírito

Ela senta-se na poltrona grande. Estica as pernas por cima da mesa de centro, que estava tão imaculadamente arrumada. Encosta-se para trás enquanto ouve música clássica. Os olhos fecham-se voluntariamente e parece existir só ela e a música. Ela dilui-se e tudo o que é ou não é deixa de ser relevante, tudo é música naquele instante. Ela própria é música, ela própria vibra como as cordas dos violinos, os dedos imitam os movimentos do toque do piano nos braços da poltrona, o batimento do seu coração compassa ao ritmo do que ouve. Tudo é fluido, nem se apercebe que com um simples toque, suave, empurrou a jarra para o chão.
Recorda o dia. A sensação da areia nos pés enquanto caminha, o sol beijando a sua pele e o vento acariciando as suas costas. Enrosca-se um pouco mais na poltrona enquanto pensa no reflexo do sol nas águas, enquanto revive o sentimento de envolvência da água em torno do seu corpo como se de um velho amante se tratasse.
É tudo tão apaixonante.