sábado, 21 de setembro de 2013

Se's

O que acontecerá se um dia me faltares?
Se um dia eu acordar e de repente seres parte apenas dos meus sonhos?
Se estiveres num outro lugar, que eu não consigo alcançar?
Se um dia um de nós tropeçar, escorregar, virar para o caminho errado, se nos perdemos um do outro?
A quem contarei meus medos? A quem me confiarei, como me confio a ti? Eu sou frágil, e só ao teu toque permaneço intacta. 
Quem me abraçará quando eu tiver medo do escuro? Quem me dará a mão e a apertará discretamente, quando eu estiver a perder as forças? Quem me sussurrará palavras doces, meigas, confiantes quando sentir que o dia está a correr mal? 
Os teus braços confortam-me quando desabo feita rio, num pranto inexplicável. 
Que será de mim, se não me abraçares mais?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Nada

Apetece-me arrancar todas as ínfimas partes de mim.
Desmembrar-me.
Sangrar-me.
Fazer dos meus ossos pó.
Espalha-los por diversos lugares, tão distantes quanto inexistentes. Infinitos talvez.

Ser eu, sem mim mesma.
Ser tudo quando não sou nada.
Ser nada, no fim do dia.

domingo, 15 de setembro de 2013

Auto-punição

Ela odiava o mundo. 
Ela odiava não escolher , e odiava ter que escolher. 
Ela partia os vidros arremessando-os contra as paredes cinzentas e enrugadas. Ela gritava numa sala grande e vazia, e ouvia o seu eco em retorno. Quando não gritava ficava só silêncio. Ela gostava do silêncio ao mesmo tempo que o odiava. Ela sentia vontade de se partir aos pedaços, de ver o seu interior, de se poder arranjar, sentia algo estragado dentro de si. 
Ela corria fugindo de tudo. Quando aparecia uma brecha de sol ela corria para a sombra.
Quando caia uma gota de chuva ela sentava-se no chão sujo e deixava-se enregelar até não sentir mais o corpo. Ela auto-punia-se, sem saber porquê. 
E sentia-se tão triste, por não conseguir ser doutra forma.

sábado, 14 de setembro de 2013

Carta de Amor

Os dias estão mais leves.
É como pesar menos que nada e viajar nos teus braços. Sinto-te como o meu lar. Gosto de me encostar a ti e entregar-me ao teu calor, quando nada mais existe neste mundo gelado. 
Gosto de abrir-te o meu coração, sem fachadas, sem mentiras, sem omissões. Gosto de te deixar entrar, e de te pedir para permaneceres. Gosto da forma como me enterneces, como deixas o meu coração tão mole, tão livre para te amar.
Espero que entendas nos meus beijos loucos e esfomeados, e nos mais ternos e apaixonados, o quanto estou grata por tudo o que me dás. O carinho, as palavras verdadeiras, os abraços apertados, o apoio. Obrigada por gostares de mim por quem sou. Obrigada por acompanhares as minhas loucuras. Obrigada ainda mais por secares as minhas lágrimas. Obrigada por seres o melhor amigo, o melhor amante, o melhor companheiro. Amar-te é pouco.

domingo, 8 de setembro de 2013

Coimbra amada

Há uma certa nostalgia no ar. Redes sociais repletas de caloirinhos prontos a começar a faculdade. Felizes porque entraram nas instituições que desejavam, no curso dos seus sonhos. Todos os dias sinto a felicidade de estar no curso que desejo, mas já lá vão três anos, três anos que passaram a correr, e o tempo não parece abrandar.
Há três anos atrás era eu quem corria aos pulos mentalmente, e tinha o coração sobressaltado, por tanto querer vir para Coimbra. Este ano termino a licenciatura. Hoje pertenço tanto aqui, que não me consigo imaginar noutro local, nem a ter outra vida.
Contudo, já vou a meio do meu percurso por cá. É assustador o quanto o tempo passa rápido, por mais que o queiramos segurar. Coimbra é saudade. Coimbra é saudade desde o momento que deixamos de ser caloiros. Coimbra é o constante pensar de que o tempo não pára e que não podemos ficar para sempre. Coimbra é a certeza que a felicidade existe, e a incerteza de se ela durará para sempre.

"Levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra

Capa Negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo Comigo para a vida"

F R A!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Paz de espírito

Ela senta-se na poltrona grande. Estica as pernas por cima da mesa de centro, que estava tão imaculadamente arrumada. Encosta-se para trás enquanto ouve música clássica. Os olhos fecham-se voluntariamente e parece existir só ela e a música. Ela dilui-se e tudo o que é ou não é deixa de ser relevante, tudo é música naquele instante. Ela própria é música, ela própria vibra como as cordas dos violinos, os dedos imitam os movimentos do toque do piano nos braços da poltrona, o batimento do seu coração compassa ao ritmo do que ouve. Tudo é fluido, nem se apercebe que com um simples toque, suave, empurrou a jarra para o chão.
Recorda o dia. A sensação da areia nos pés enquanto caminha, o sol beijando a sua pele e o vento acariciando as suas costas. Enrosca-se um pouco mais na poltrona enquanto pensa no reflexo do sol nas águas, enquanto revive o sentimento de envolvência da água em torno do seu corpo como se de um velho amante se tratasse.
É tudo tão apaixonante.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Sou tão tua.

Estar apaixonada por ti é como dançar todos os dias ao sol,
Como deixar o sol penetrar-me a pele, e aquecer-me por completo,
É como haver música no silêncio.
Estar apaixonada por ti é como descobrir todos os cantos do mundo, mesmo que ele não tenha canto nenhum!  é distribuir felicidade com um simples olhar, é ir à lua passear!
Estar apaixonada por ti é como ganhar asas e voar. Estar apaixonada por ti é não me sair o sorriso da cara, nem me sair o calor do coração.
Estar apaixonada por ti é ser tão livre quando sou tão tua.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Maior que um sonho...

Gosto quando me apertas nos teus braços. Já não me consigo imaginar noutro sitio, noutro local, noutro mundo em que não pertenças, em que não me beijes, em que não me sussurres ao ouvido para mais ninguém ouvir. 
Contigo, o pôr-do-sol não parece mais que um simples pôr-do-sol, uma canção romântica não parece mais que uma simples canção qualquer, e as luzes das velas não me fazem apaixonar mais do que apaixonada estou. Ao teu lado tudo parece insignificante, é tudo tão pequeno comparado com o que sinto por ti, com o que me fazes sentir com um simples olhar, com um simples toque, com uma palavra. Fazes-me rir. Oh, como me fazes rir sem parar! Oh, como me enches o coração de sentimentos que nem sei definir! Oh, como gostava de me sentir assim para sempre!
Encheria mil folhas de papel sobre nós se conseguisse desvendar as palavras certas que descrevessem de forma justa o que nos liga de forma tão especial. É tudo isto tão maior que o mundo, tão maior que o universo, brilhamos tão mais que as estrelas! 

domingo, 4 de agosto de 2013

"why don´t we go somewhere only we know"

Os teus braços apertam-me contra ti, e eu descanso a minha cabeça na curva do teu pescoço. Apertas-me tanto que não há espaço nenhum que nos separe. não seria justo algo nos separar quando tão naturalmente pertencemos um ao outro. 
Os teus lábios são doces e macios,  movem-se tão bem contra os meus; Mordes, um arrepio percorre-me e gelo ao mesmo tempo que ardo com febre. As tuas mãos percorrem as minhas costas, conheces cada curva, cada pedaço de pele, e eu fujo com os meus lábios para o teu pescoço, onde me perco durante uns minutos. 
Perde-mo-nos um no outro, embora nos encontremos em cada olhar, e em cada sorriso. 
É fácil sorrir ao lembrar-te, é fácil sentir o fantasma dos teus beijos e dos teus toques mesmo quando já não estás ao meu lado, é fácil ouvir-te murmurar ao meu ouvido o quanto gostas de mim, e é mais fácil ainda dizer-te com o olhar, com a alma e todo o coração, o quanto Sou feliz contigo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Só sabia que gostava de ti.

Foi repentino. Olhei-te e soube que gostava de ti. Não sabia a tua cor preferida, não sabia os teus hobbies, os teus gostos e preferências, não sabia os teus hábitos e rotinas, não sabia que estavas sempre a rir, nem conhecia esse teu lado preocupado em fazer os teus amigos sorrir a toda a hora, nem que eras capaz de gestos românticos tão naturais e sempre no momento certo. Não sabia dessa tua espontaneidade que hoje é das coisas que mais gosto em ti. Nem dessa tua sinceridade sem limites. 
Não sabia que eras tão parecido comigo em tantas coisas. Nem sabia que serias o interruptor para acalmar as minhas preocupações.
Só sabia que gostava de ti, e que nunca poderias ser "só mais um". 
É tudo tão certo. És tão certo.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Realidade


Isto não é um conto de fadas.
Não és um príncipe, e eu não sou uma princesa, não preciso de ser salva, nem de um beijo para acordar.
Não há um "viveram felizes para sempre" à nossa espera no fim da história.
Nós vamos construindo a nossa história, todos os dias, com um virar da página, porque haveria de haver um fim?
Os contos de fadas não são reais. O que temos é.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Puro

Não preciso alongar-me.
Procuro palavras para conseguir descrever o que mais de maravilhoso me aconteceu, e só tendo a complicar. Mas é fácil, e tão tão simples. Apaixonei-me. Apaixonei-me por alguém que realmente merece, por alguém que honestamente vale a pena.
Poderia falar sobre o por do sol, ou sobre borboletas no estômago, mas são isso tretas comparado com o sorriso fácil, as gargalhadas infinitas, os abraços apertados, os beijos demorados, os corpos entrelaçados, a amizade tão sincera, verdadeira e profunda, as minhas rabugices, os ciumes inventados dele, 
É quase palpável a ligação que nos une no espaço vazio entre nós. É bom saber que em 2 meses construímos uma base sólida de amizade,  onde a regra é sermos sempre 100% nós mesmos. 
Que poderia desejar eu mais para ser feliz? acho que nada.

domingo, 14 de julho de 2013

“As I Walked Out One Evening"

As I walked out one evening,
Walking down Bristol Street,
The crowds upon the pavement
Were fields of harvest wheat.
And down by the brimming river
I heard a lover sing
Under an arch of the railway:
“Love has no ending.
“I’ll love you, dear, I’ll love you
Till China and Africa meet,
And the river jumps over the mountain
And the salmon sing in the street,
“I’ll love you till the ocean
Is folded and hung up to dry
And the seven stars go squawking
Like geese about the sky.
“The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.”
But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
“O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.
“In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.
“In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.
“Into many a green valley
Drifts the appalling snow;
Time breaks the threaded dances
And the diver’s brilliant bow.
“O plunge your hands in water,
Plunge them in up to the wrist;
Stare, stare in the basin
And wonder what you’ve missed.
“The glacier knocks in the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.
“Where the beggars raffle the banknotes
And the Giant is enchanting to Jack,
And the Lily-white Boy is a Roarer,
And Jill goes down on her back.
“O look, look in the mirror?
O look in your distress:
Life remains a blessing
Although you cannot bless.
“O stand, stand at the window
As the tears scald and start;
You shall love your crooked neighbour
With your crooked heart.”
It was late, late in the evening,
The lovers they were gone;
The clocks had ceased their chiming,
And the deep river ran on.
W. H. AUDEN

Milkshakes

"Daydream delusion
Limousine Eyelash
Oh, baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet cakes and milkshakes
I am a delusion angel
I am a fantasy parade
I want you to know what I think
Don’t want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we’re going
Lodged in life
Like two branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I’ll carry you. You’ll carry me
That’s how it could be
Don’t you know me?
Don’t you know me by now?"
#Before Sunrise

terça-feira, 9 de julho de 2013

Eternidade

Não tenho certezas, nunca fui uma mulher de certezas na verdade.
Posso dizer que sou uma mulher de esperanças e continuidade. Nunca de eternidades. Tudo é finito, porquê atirarmos ao céu mentiras para rivalizarem com ele? Vivemos no sonho da expansão infinita acima de nós e deseja-mo-nos assim. Onde eu vivo o sol fica vermelho e tinge o céu durante umas horas, como o sangue que dizemos derramar por aqueles que nos fazem chorar e nos devolvem o coração feito esfarrapo.
Onde está a eternidade nisso?
Eu não tenho canção de amor, nem conto estrelas de mão dada. Não grito por atenção mesmo que o meu corpo entorpeça com o calor da tarde.
O tempo passou rápido por mim, cem lições para ensinar; não sei se cresci ou fiquei menos crente.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A morte do rei.

E a única opção é matar.
Atirar esperando a bala encontrar o seu caminho.
Dar um grito ao mundo, avisa-los, porque o rei vai cair.
Haverá sangue numa lâmina,
Estilhaços pelo chão sangrento,
E um conjuntos de buracos, balas alojadas por todo o corpo
Deixando o sangue fluir,
Até secar, até ser um cadáver,
Até ser comida para bichos e insectos,
esses nojentos,
que do nojo se alimentam.
Do morto.
Haverá rostos carregados,
que passam na rua e não reparam,

não reparam na poça de sangue viscoso,
como se ela fizesse parte das pedras mármore 
já sujas do tempo.
Ninguém acredita nesse fim.
Os finais felizes não existem.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

será preciso escolher?

Ir ao limite
Empurrar-me até ao fim do caminho
e incitar "salta! Voa!
Experimenta o que há
e inventa o restante,
fecha os olhos
guia-te na escuridão;
sem medos,
porque não há nada que temer!
Eu estou aqui,
a teu lado
acompanhando os teus passos".
Mas e então, falta quem diga
"Encosta-te,
Pensa livremente
Tenta dar todos os passos que quiseres,
Eu estou aqui,
não te largo um segundo,
não te deixarei cair,
não te farei tropeçar,
não terás medo
porque nada te atingirá."

terça-feira, 18 de junho de 2013

(Sonet-)

São uns arrepios,
São o sangue que ferve e percorre o corpo,
São as lágrimas em fogo,
Tentam deixar os olhos e fugir para longe,
Queimam sob a pele...
É o coração que pula sobressaltado
Como se nunca mais fosse pular,
Como se nunca mais fosse bater,
Como se o dia amanhã não fosse amanhecer mais,
Como se as ondas fossem deixar de ir e vir.
A energia sai de mim,
Tenta fazer este mundo mover;
Pois o silêncio estagna as águas,
Estagna o vento,
Estagna o coração.
Porque silêncio é só silêncio.

Não há nada.

domingo, 2 de junho de 2013

A dor, enterrei-a.

Eu gostava do cheiro característico ao chegar a casa, gostava do cheiro a terra molhada quando acabava de chover, gostava do cheiro das árvores na primavera, da melodia do vento nos ramos, dos pássaros a cantar. Gostava do meu canto, no meu quarto, só meu, todo aquele espaço, onde cresci, onde vivi e sobrevivi. Tantas recordações...
Sinto falta de ouvir o cão ladrar lá fora. Sinto falta de ouvi-lo arrastar a corrente na noite silenciosa. Lembro-me de como me sentia segura por te-lo ali fora, o meu guarda.
Sinto falta do cão que pulava nas minhas pernas ao meu ver.
Sinto falta dos meus gatos, de os ter todos aninhados a minha volta, na minha cama.
Sinto falta de cada um deles, duma forma que me faz doer o coração.

Quantas vezes disse que ali não era feliz, e tantas vezes que não fui, mas quantas vezes digo que não quero lá voltar, tudo o que havia lá, morreu ou desapareceu, ou já não é meu, não mais me pertence e não mais pertenço aquele lugar.
Mas porquê, porque tenho saudades?

E mais uma vez, vou esquecer esse sentimento, enterra-lo bem fundo em mim, e continuar (...)

sábado, 1 de junho de 2013

"Um fino se faz favor"


Bebo algo refrescante neste fim de tarde bem quente.
Gostaria dum botão "pausa", gostaria de ver o céu assim alaranjado, e apenas metade do sol no horizonte. é rápida a sua descida. Não acompanha a minha linha de pensamento.

Três linhas riscam o céu, três aviões se misturam com os pássaros, que para mim são apenas pontos entre o azul.
Há momentos na vida que queríamos eternos. Momentos que não deveriam passar, muito menos ser esquecidos. Momentos como este, em que não precisamos de mais nada, basta uma bebida, e fogo dançando com o gelo quando olhamos em frente. Coisas que nos fazem perceber como o mundo é grandioso.

Podemos senti-lo em variadas coisas. Podemos senti-lo ao observar uma cidade em movimento, a ouvir uma musica que realmente nos faz querer dançar, pular, cantar! Algo que toque o âmago de nós próprios.
Pode ser um sorriso, pode ser uma palavra, ou um conjunto de palavras, pode ser um toque, pode ser dar as mãos, pode ser um abraço apertado, pode ser um beijo daqueles que nos deixam com borboletas no estômago e nos fazem desejar mais. 
Pode ser uma troca de olhares. Sim, às vezes basta uma troca de olhares e o nosso dia fica belo, excitante, divertido, completo.
É bom sentir, mesmo que sem pausas.